Lorenzo Pazolini será o primeiro a assumir o cargo de governador do Espírito Santo, no milênio, após os ciclos de Paulo Hartung e Renato Casagrande (três mandatos para cada). Ao longo das últimas décadas, muito embora os ex-governadores tenham estilos de fazer política e de governar muito diferentes, a sociedade capixaba conseguiu construir uma saída e deixar para trás a mais completa desorganização política, ética, econômica e institucional de sua história. Só para lembrar, em 2002, quando Paulo Hartung foi eleito para o seu primeiro mandato, empresas eram achacadas, a pistolagem tomava conta, as contas públicas estavam em frangalhos e os servidores estaduais estavam há três meses sem receber. Este é apenas um breve resumo do caos.
De lá para cá, é bastante evidente que muita coisa avançou. De um Estado que, há pouco mais de duas décadas, era conhecido lá fora por achacar empresas, o Espírito Santo, pelas mãos de muitos, conseguiu chegar a uma boa ambiência econômica. O famoso equilíbrio das contas públicas é importante, mas a coisa vai além. O contexto como um todo melhorou. Nem tudo caminha tão bem como gostaríamos, mas a coisa andou. A grande missão de Lorenzo Pazolini será manter a toada, com a máquina pública estadual organizada e andando para frente. Se conseguir imprimir um ritmo mais rápido, melhor ainda. Isso passa por um diálogo azeitado com o empresariado, trabalhadores, sociedade civil organizada, igrejas e (cabe grifo) os demais poderes (Tribunal de Justiça, Assembleia e também Ministério Público e Tribunal de Contas). Não é simples, mas é fundamental.
É comum que empresários e executivos, principalmente os de fora, elogiem a cena capixaba. "A conversa entre o setor público e o privado se dá de maneira muito natural e as coisas fluem numa velocidade maior que na média nacional. As instituições, públicas e privadas, convivem em um equilíbrio muito interessante e, consequentemente, colaborativo. É uma construção tipicamente capixaba, que não se vê em outros Estados, pelo menos não nesta magnitude. O mais interessante é que a estrutura se mantém mesmo na troca de governadores. Foi assim com Paulo Hartung, foi com Casagrande e está sendo mantida com Ricardo Ferraço. É um belo ativo capixaba, que não pode ser perdido", assinalou, sob reserva, o sócio de uma das maiores empresas com atuação no Espírito Santo. Ele reside em São Paulo.
"Não podemos achar que as coisas estão dadas, é importante sempre lembrar o que aconteceu aqui no Espírito Santo e buscar fortalecer aquilo que fez o Estado virar o jogo. Vejo no Espírito Santo um debate próximo e saudável entre poder público e setor privado. Discussões de alto nível, não estou falando de troca de favor. A partir disso, criar novas lideranças e perenizar essa boa ordem institucional, que chamo de Pax Capixaba. Venho de um Estado, o Rio de Janeiro, que merece ser observado sempre. Não é simples o que está havendo lá", disse, em evento realizado pela Rede Gazeta ainda em 2023, Ricardo Botelho, CEO do Grupo Energisa. Naquele ano, a Energisa comprou a distribuidora de gás natural ES Gás, por mais de R$ 1,4 bilhão.
Importante frisar: é claro que o Estado tem vários problemas (os oportunistas estão por todos os lados) e o novo governador deve enfrentá-los, mas possui ativos que precisam ser preservados e, no melhor dos cenários, aprimorados. Entre eles certamente estão o equilíbrio das contas públicas e o bom ambiente de negócios. Eleito com 1,1 milhão de votos, caberá a Pazolini liderar e brigar pela manutenção desta harmonia. Os interesses são muitos, muita gente já não se lembra do caos vivido pelo Espírito Santo nos anos 90 e início dos anos 2000 e, como bem disse Botelho, absolutamente nada está dado.
Um dos maiores desafios do futuro governo Pazolini está posto.
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