Um grupo bastante eclético, formado por credores, investidores e até por alguns acionistas relevantes da Apex Partners, costura, há mais de um mês, um plano alternativo para o nó que virou a crise em que se meteu, desde o princípio de agosto, a plataforma capixaba de investimentos. A ideia é usar a mediação incidental aceita pelo juiz Carlos Magno Moulin Lima, que assumiu o caso da Apex Partners na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, para dar andamento aos trabalhos. "A crise começou há quase três meses e o que foi apresentado como alternativa até agora pelo pessoal que está à frente da Apex? Uma recuperação judicial que está sendo esvaziada de seus principais ativos. Quem quer que a coisa ande de maneira mais adequada precisa agir, é o que estamos fazendo", explicou um dos executivos mais ativos dentro do movimento
Os integrantes do grupo, que vêm se reunindo constantemente com o auxílio de advogados e contadores, já possuem um plano de trabalho bastante avançado, com vários cenários traçados. A ideia deles é chegar a um equilíbrio entre o interesse dos credores e dos investidores. Hoje, na visão deles, o que há é um cabo de guerra, que é a grande tese em debate no Judiciário. Enquanto os credores (quem emprestou dinheiro via debêntures, por exemplo) querem manter os ativos saudáveis dentro da companhia, inclusive em uma eventual recuperação judicial, os investidores querem tirar os seus ativos de lá o quanto antes. Tem acionista que, além de avalista de empréstimos bancários da Apex, tinha dinheiro nas debêntures e também como investidor em projetos coordenados pela Apex (imobiliário, private equity, venture capital e outros).
"Até quando e onde isso vai? Se sair da recuperação judicial, não significa que não haverá mais briga na Justiça, aliás, muito pelo contrário. O desejo é encaminhar algo o quanto antes, afinal, quanto mais o tempo passa, pior para todo mundo que está envolvido nisso. A mediação autorizada pelo juiz é o campo ideal para fazer isso andar, colocar todos na mesma mesa, entender o tamanho do problema e apresentar as soluções", ponderou um participante do grupo de trabalho sob sigilo.
Há um plano sendo desenhando, mas a intenção, caso a coisa avance na mediação, é contratar uma auditoria para se aprofundar e dar transparência aos números e demais dados a serem levantados. A ideia é apresentar o trabalho ao magistrado da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória e que a Justiça norteie todo o processo.
O desafio maior será abarcar todos os muitos interesses envolvidos na crise da Apex, que ostenta um endividamento de quase R$ 1 bilhão.
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