Filipe Caldas, fundador da Carbyne, gestora que faz parte do conglomerado da Apex Partners e foi dragada pela grave crise enfrentada pela plataforma de investimentos, resolveu falar. Ele quer comprar todas as ações que vendeu para a Apex, em 2023. "A continuação da Carbyne é possível, mas não com a Apex na sociedade, apenas com separação total das empresas. Fiz uma proposta e estamos negociando". Com mais de 2 mil clientes, a gestora tem pouco mais de R$ 1 bilhão sob gestão. O volume de recursos se aproximou de R$ 1,5 bi, mas, na crise, perdeu ativos importantes como a gestão do fundo imobiliário Apex Malls, que tem uma parte do Shopping Vitória.
"Além da completa separação dos CNPJs, a solução para a Carbyne passa por trazermos profissionais seniores para dentro da empresa e por uma reformulação da marca. É a forma que temos de atrair capital novo e fazer a coisa caminhar. Mas, antes de tudo, preciso fechar a negociação". Caldas conta que as negociações não tratam apenas dos valores dos ativos. "Eles (Apex) compraram 80% das ações da Carbyne, mas eu nunca recebi o que foi combinado. Além disso, tínhamos um acordo para a abertura de uma operação em Portugal, mas não colocaram nem 10% do dinheiro previsto. Tudo isso está sendo tratado".
Caldas também reclama do que chama de "agentes desestabilizadores". "São vários os agentes desestabilizadores, que atribuem todos os problemas à Carbyne. Claro que tivemos falhas, mas nem tudo pode ser colocado na nossa conta. Estou vendo vários bankers (profissionais que gerenciam contas de clientes), que venderam produtos de risco da Carbyne como se fossem CDB de banco, ou seja, sem apresentarem o risco real ao cliente, fazendo uma espécie de campanha junto aos clientes para que a Carbyne seja retirada da gestão de alguns fundos (os cotistas votam em caso de assembleia geral). Estamos em um momento que não é fácil, inclusive olhando para a macroeconomia, enfrentar esse tipo de ação complica ainda mais a situação. O investidor deve estar atento para isso".
Falando em erros, Filipe Caldas afirma que não estava de acordo com os rumos que estavam sendo dados à gestora e que planejava sair da sociedade com a Apex quando tudo explodiu. "A Carbyne sempre atuou com empresas de capital fechado. Fui voto vencido, por exemplo, no fundo criado para comprar ações da CVC (empresa com ações negociada em Bolsa). Não era o que tinha pensado, queria sair 100% e focar em novos negócios, mas aí aconteceu o que aconteceu".
Importante lembrar que a Carbyne não foi incluída entre os ativos da Apex em uma eventual recuperação judicial. Em setembro, a Apex recusou uma oferta da Makalu Partners pela Carbyne.
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