A gestora de recursos do grupo capixaba Apex Partners vendeu cerca de 17 milhões de ações da CVC quinta-feira (13), em meio à crise financeira que atinge o grupo. As informações são do Valor Econômico, com base em fontes ouvidas pelo jornal.
Segundo a apuração, os papéis haviam sido adquiridos por meio de operações a termo, modalidade em que a compra é acertada por um preço determinado para liquidação em uma data futura e exige a apresentação de garantias.
Com o agravamento da crise e os impactos sobre a imagem da gestora, a Apex não teria conseguido renovar essas operações e precisou se desfazer das ações.
Parte significativa dos papéis foi negociada durante o pregão da bolsa de quinta-feira. Um bloco de aproximadamente 9 milhões de ações teria sido vendido por volta das 16 horas. Segundo as fontes citadas pelo Valor, o fundo Absolute, que já possui participação na CVC e vinha reduzindo sua posição na empresa, comprou metade desse bloco.
Com as vendas, a participação dos fundos da Apex na CVC teria caído de aproximadamente 15,5% para 11%.
A venda ocorre após a CVC anunciar os resultados de mercado da empresa. O prejuízo líquido ajustado da companhia mais do que triplicou no segundo trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025: R$ 51,3 milhões no negativo, neste ano, contra R$ 15,9 milhões em 2025. A receita líquida consolidada foi de R$ 319,5 milhões, uma queda de 6,5% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
A Apex começou a comprar ações da CVC em 2023 por meio de um fundo ligado à Carbyne, gestora de recursos da casa capixaba, o BRM Carbyne Voyage.
Segundo o colunista de A Gazeta Abdo Filho, no modelo criado para atrair investidores para o fundo, o investidor ficaria com a valorização das ações caso elas subissem, mas receberia ao menos 100% do CDI (hoje em algo perto de 14% ao ano) se caíssem ou ficassem estagnadas.
No começo da tarde de quinta-feira (13), as ações caíram quase 9%, a R$ 1,23. Em um ano, a queda das ações da CVC é de 40%. O BRM Carbyne Voyage tem mais de 500 cotistas e R$ 63,5 milhões de patrimônio. No ano, a desvalorização da cota está em 63,9%.
A negociação das ações também pode ter consequências sobre um acordo firmado entre os fundos ligados à Apex e a família Paulus, fundadora da CVC.
Segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico, a venda representaria uma violação de uma cláusula do acordo firmado em abril deste ano. Com isso, haveria a possibilidade de encerramento do acordo.
Juntos, os fundos que fazem parte do acordo detinham aproximadamente 35% do capital da CVC.
Procurada pela reportagem, a CVC evitou falar do assunto e afirmou que só terá acesso informações sobre às movimentações ocorridas na quinta-feira (13) a partir da próxima terça-feira (18), a não ser que o acionista que comprou ou vendeu avise a companhia.
Durante a apresentação dos resultados na última quarta-feira (12), Felipe Gomes, CFO e diretor de Relações com Investidores da CVC Corp, reforçou que a relação da CVC com a Apex se resume à participação societária, visto que a CVC possui capital aberto para qualquer um que queira comprar ações da companhia, mas que não há nenhuma relação financeira, de garantia ou contrato de crédito firmado com o grupo capixaba.
Procurada sobre o tema, a Apex Partners ainda não se posicionou até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.
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