O candidato do PT ao Palácio Anchieta, Helder Salomão, apresentou na noite de quinta-feira (13) o seu plano de governo para a sociedade capixaba. Apresentou, também, algumas de suas armas para confrontar seus dois principais adversários na campanha eleitoral: o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos).
Sem
os chamar pelo nome, o deputado afirmou que Ricardo não é mais que um “um líder
coadjuvante” e classificou Pazolini como “um líder autoritário”.
O ex-prefeito de Cariacica afirmou que, com Ricardo, só há
possibilidade de diálogo no 2º turno. Já com Pazolini, segundo Helder, não há
diálogo possível, uma vez que o ex-prefeito de Vitória se aliou a Flávio
Bolsonaro (PL).
Helder intensificou a estratégia de se diferenciar dos dois maiores
oponentes, sublinhando o que ambos têm em comum, segundo sua avaliação.
Enquanto busca enfatizar as semelhanças que identifica entre Ricardo e
Pazolini, o petista procura se apresentar ao eleitorado como uma alternativa
real, que nada tem a ver com os oponentes situados à direita.
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Quando teve a candidatura homologada, na convenção da
Federação Brasil da Esperança, o candidato do PT já dissera que Ricardo e
Pazolini são “muito parecidos”, assim como já fizera no lançamento de sua
pré-candidatura, no início de julho. Agora, logo após lançar seu
plano de governo, em um clube no bairro Santo Antônio, Vitória, Helder disse
que ambos representam “projetos pessoais”. E enfatizou:
“Os nossos adversários são muito parecidos porque
têm métodos parecidos e têm pautas parecidas. Os dois hoje estão disputando os
votos da extrema-direita, levantando bandeiras da extrema-direita, e nós não
compactuamos com aqueles que não prezam pela democracia. Nós conversamos com
todo mundo, com todo mundo que tenha como princípio fundamental a defesa da
democracia”.
O deputado emendou: “Não importa que seja do
nosso campo, democrático e popular, nós conversamos com o centro, com a
direita, conversamos com todo mundo. Só não dá para a gente dialogar com
aqueles que não respeitam a democracia”.
A colega Letícia Gonçalves perguntou, então, ao
candidato: e quem não respeita a democracia aqui no Estado? “Aqui no Estado,
hoje, o candidato que está alinhado ao nosso principal adversário, que é o filho
do ex-presidente”, respondeu Helder, de bate-pronto.
A resposta deixa claro que ele tratará assim Lorenzo
Pazolini, sobretudo por conta da aliança do ex-prefeito com o PL de Magno Malta
e da família Bolsonaro:
Mas e com o Ricardo – perguntei-lhe –, tem diálogo?
“No primeiro turno, não, porque ele é meu
adversário”, respondeu Helder.
O petista está convencido e reitera que crescerá
no decorrer da campanha e chegará ao 2º turno. Sinaliza que, se avançar para
essa etapa contra Pazolini, buscará uma aliança com Ricardo e com a coalizão
governista para derrotar o candidato conservador da coligação do Republicanos
com o PL. Se chegar contra Ricardo, não procurará Pazolini.
Mas Helder foi além. Não apenas tachou Pazolini
como “antidemocrático”, mas também como dono de um perfil político “autoritário”.
Eu quero estabelecer uma diferença política. Vejo, por exemplo, o
ex-prefeito de Vitória como um líder autoritário, que não preza pelo bom
diálogo e quer sempre impor o que pensa.
Helder Salomão (PT), candidato a governador do ES
“Então, de um lado, você tem um líder
autoritário, que é o ex-prefeito de Vitória, que já demonstrou na sua passagem
pela prefeitura que praticamente não existe o diálogo com o Legislativo, o
diálogo com a sociedade. Ele acha que governar é ficar dentro do gabinete
determinando. Um líder não é aquele que manda. É aquele que faz junto, é aquele
que sabe delegar e que sabe ouvir as pessoas.”
Helder sobre Ricardo
Ato contínuo, Helder voltou sua mira para o atual
governador, a quem definiu como um “coadjuvante”, isto é, um personagem
secundário. Implicitamente, quis dizer que Ricardo se manteria à sombra de Renato
Casagrande (PSB), seu antecessor no cargo e principal apoiador.
Por esse
prisma, o ex-governador ainda seria o real protagonista da campanha e da
coligação governista.
Quanto à gestão de Ricardo, na avaliação do
candidato do PT, o atual governador já teria descontruído e retrocedido em
relação ao governo Casagrande, em seus poucos meses no cargo.
O atual governador é apoiado pelo governador Renato Casagrande, que
não está conseguindo manter o que o governador Casagrande construiu até aqui.
[...] E, com todo o respeito que eu tenho a ele, é um líder coadjuvante.
Helder Salomão (PT), candidato a governador do ES
“É um líder que não está preparado do ponto de
vista de liderar o novo processo de construção de um desenvolvimento econômico
e social no Espírito Santo, que vai precisar de uma consertação. Uma
consertação que vai envolver não só partidos políticos. Eu não vou governar
para o meu partido político. Não vou governar para a minha federação. Eu vou
governar para todo o povo capixaba.”
Plano de governo
No lançamento do plano de governo, Helder afirmou
à militância que, “pela primeira vez, o Espírito Santo terá um professor no
Governo do Estado”.
O plano propriamente dito propõe 276 ações de
governo, divididas em 11 eixos temáticos.
No lançamento, Helder apresentou 19 compromissos.
Segundo o petista, ele também se distingue dos outros
dois candidatos não só pelo teor do plano como também pela maneira como o
programa foi construído – a várias mãos e como resultado de um amplo processo
de “escuta social” iniciado no ano passado.
“Pela apresentação que nós fizemos aqui hoje, dá
para ver que nós não contratamos uma empresa para fazer o plano. Tivemos
a participação de milhares de pessoas, num processo que envolveu a
academia, os especialistas, as lideranças dos partidos, dos movimentos sociais,
das instituições”, destacou o candidato.
“Então, a construção participativa, democrática e
coletiva de um plano de governo mostra que nós não queremos governar a partir
do nosso ponto de vista, sem a escuta da população. E os nossos adversários representam
projetos pessoais. Eles não demonstraram em nenhum momento, efetivamente, uma
preocupação em ouvir as dores do povo. O que nós fizemos aqui foi ouvir as
dores. Mas, ao ouvir as dores, nós também ouvimos as esperanças do povo.”
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