Este texto é daqueles para guardar e cobrar o colunista mais
à frente (precisamente, no dia 4 de outubro): exercício de antecipação – com base em
nosso conhecimento sobre a realidade político-eleitoral capixaba e sobre os
personagens envolvidos na disputa.
Hoje, arrisco-me a dizer que, no Espírito Santo, só meia-dúzia de partidos ou federações brigarão verdadeiramente pelas dez vagas em disputa na Câmara dos Deputados. Por ordem alfabética: a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB), a Federação União Progressista (União Brasil e PP), o Partido Liberal (PL), o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Podemos e o Republicanos.
Esses seis partidos ou federações lançaram chapas completas no
Estado (com 11 candidatos a federal, sendo pelo menos quatro mulheres). Com altíssima dose de realismo, podemos dizer que são essas as chapas que têm chances
reais de eleger pelo menos um federal no Espírito Santo.
Como há dez assentos em jogo na bancada capixaba na Câmara,
podemos afirmar que cada uma das seis referidas chapas tende a fazer de um a dois
federais. Com menor probabilidade, alguma delas poderá chegar a três.
Mas o mais provável, analisando as relações de candidatos, é
que quatro dessas chapas façam dois federais cada uma, e as outras duas elejam
um só, numa combinação 2 + 2 + 2 + 2 + 1 + 1 = 10.
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Pode vir a ser eleito algum candidato a federal que não concorra por nenhuma
dessas chapas? Pode. Como dissemos, isto é um exercício de projeção. Mas será
uma surpresa daquelas...
A segunda projeção é a seguinte: “na real”, as nossas 10
cadeiras serão disputadas por um rol bastante restrito de candidatos, que não
chega a 30 nomes (leia mais detalhes abaixo).
Nestas eleições gerais, no Espírito Santo, teremos um número
de candidatos a deputado federal sensivelmente menor do que tivemos nas duas
eleições gerais mais recentes.
Como o prazo para requerimento de registros de candidaturas à
Justiça Eleitoral vai até o próximo sábado (15), os números ainda não são
definitivos. Executivas estaduais dos partidos e federações ainda podem
substituir ou acrescentar candidatos, enquanto outros postulantes ainda podem
renunciar.
Mas, a julgar pelas atas das convenções partidárias, temos, no momento, 135 potenciais candidatos à Câmara no Espírito Santo. Dá uma concorrência de 13,5 candidatos por vaga.
Como asseveramos, porém, o número de concorrentes
com chances reais é de, no máximo, 30: três candidatos por vaga.
Segundo dados oficiais da Justiça Eleitoral, nas eleições
gerais de 2018, o Espírito Santo teve 170 candidatos a deputado federal (uma
concorrência de 17 candidatos por vaga). No pleito de 2022, o número subiu para
201 candidatos ao cargo (20 postulantes por vaga).
O Brasil tem hoje 30 partidos registrados no Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), mas relevantes, relevantes mesmo (em termos de
competitividade), há algo em torno de 15. No Espírito Santo, menos. Com a onda
de fusões, incorporações e federações vivida nos últimos anos, o quadro
partidário tem ficado progressivamente mais enxuto.
Dirigentes partidários estimam que, para eleger um deputado
federal no Espírito Santo, uma chapa terá de totalizar algo entre 170 mil e 210
mil votos.
Esse tende a ser o quociente eleitoral (número de votos
válidos que serão dados para deputado federal no Estado no dia 4 de outubro, dividido pelo número de vagas em
jogo).
O total de votos de uma chapa corresponde à soma dos votos
nominais depositados em todos os candidatos da chapa, mais os votos de legenda
(quando o eleitor vota no partido).
Cabe lembrar que, desde o pleito de 2022, partidos não podem
se coligar na eleição para deputados. A última eleição com esse instituto foi a
de 2018. Desde então, cada partido ou federação precisa montar e lançar a própria
chapa para a Câmara Federal.
No Estado, só 15 partidos ou federações registraram, em ata,
pelo menos um candidato a deputado federal. Apenas nove registraram chapa
completa, com 11 concorrentes: foi o caso do Avante, da Democracia Cristã e da Federação
Renovação Solidária, além dos seis citados acima (os que têm chances reais de eleger pelo menos um).
Entre os partidos ou federações que não registraram chapa
para a Câmara dos Deputados, alguns chamam a atenção por terem muita história no país e grande importância no atual cenário eleitoral capixaba.
É o caso do MDB, que tem candidato a governador (o atual
incumbente, Ricardo Ferraço) e também a senadora (Rose de Freitas), mas não conseguiu
botar de pé uma “chapa de federais”.
O Partido Democrático Trabalhista (PDT), sigla do ex-prefeito
da Serra Sérgio Vidigal, foi outro que só apresentou chapa de candidatos a
deputado estadual.
O mesmo vale para a Federação PSDB/Cidadania. No Espírito
Santo, o Cidadania praticamente sumiu. Já o PSDB, presidido há oito meses pelo
prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, viu sua chapa de federais ruir em
março.
Assim, a disputa real pelas dez vagas da bancada capixaba na
Câmara dos Deputados no próximo mandato (2027/2030) ficará circunscrita a estas
seis chapas, detalhadas abaixo. Cada uma poderá fazer de um a dois
parlamentares.
Passamos a especificar os nomes mais competitivos.
Federação Brasil da Esperança (PT, PV e
PCdoB)
Chances maiores de
eleição: Iriny, Jack Rocha e João Coser (todos do PT).
Correndo por fora:
Rafael Primo (PT) e Dr. Nésio Fernandes (PCdoB).
Federação União Progressista
(União Brasil e PP)
Chances maiores de
eleição: Da Vitória (PP) e Marcelo Santos (União).
Correndo por fora: Messias Donato (União), Dr. Bruno Resende (União) e
Há, ainda, a Capitã Andresa Bombeira (PP), uma incógnita nas
urnas. Até hoje, ela só foi candidata a vice-governadora de Audifax Barcelos em 2022, mas
seu real potencial nas urnas será aferido de verdade agora.
Esta é a chapa com maiores chances de, eventualmente,
beliscar uma terceira vaga.
PL
Chances maiores de
eleição: Gilvan da Federal e Lucas Polese. A votação total da chapa está
bastante dependente desses dois.
Bom lembrar que Gilvan foi condenado à inelegibilidade em
dezembro de 2025 e, no momento, está autorizado a participar do pleito por força de uma
liminar concedida pelo ministro Nunes Marques, até que o TSE julgue o mérito do recurso
dele. Não é uma situação 100% segura.
Correndo por fora:
Neucimar Fraga e Carlos Von.
Podemos
Chances maiores de
eleição: Serginho Vidigal e Gilson Daniel.
Correndo por fora: Guerino
Balestrassi.
A chapa também tem Alessandro Broedel, Philipe Lemos, Renzo Mendes e a Capitã Estéfane, todos correndo ainda mais por fora.
Chances maiores de
eleição: Tyago Hoffmann, Emanuela Pedroso (Manu), Freitas, Rafael Pacheco,
Felipe Rigoni, Vitor de Angelo e Dr. Victor.
A chapa do partido do ex-governador Renato Casagrande
(candidato ao Senado) é a “chapa dos ex-secretários”, pois reúne um número sem
precedentes de ex-secretários de Estado. À exceção de Dr. Victor, que disputa a
reeleição, todos estavam no alto escalão do governo Casagrande e renunciaram
aos respectivos cargos em abril para se candidatarem.
É uma chapa muito nivelada, com enorme concorrência interna. Difícil cravar quem tem mais
chances... Mas é possível apontar certo favoritismo para os três primeiros:
Tyago, Manu e Freitas.
Chances maiores de
eleição: Capitão Assis, Erick Musso, Agente Dias, Coronel Ramalho e Manato.
Chapa muito nivelada. Difícil dizer quem tem maiores chances
entre esses cinco. Mas, com a presente composição, a chapa poderá ter
dificuldades para abocanhar uma segunda vaga.
Ainda há a possibilidade (embora remota) de Erick Musso
acabar se tornando candidato a vice-governador de Lorenzo Pazolini (do próprio Republicanos), sendo substituído
na chapa por outro integrante do partido.
OUTRAS SITUAÇÕES
Estes partidos ou federações registraram chapas federais em convenção estadual, mas dificilmente conseguirão eleger alguém:
Avante: 11 candidatos
DC: 11 candidatos
Democrata: 2 candidatos
Federação Renovação Solidária: 11 candidatos
Federação PSol/Rede: 6 candidatos
Missão: 10 candidatos
Novo: 10 candidatos
PSD: 6 candidatos
Unidade Popular: 2 candidatos
Já estas agremiações têm candidatos a outros cargos eletivos no Espírito Santo, mas não chegaram a registrar chapa de federais:
Federação PSDB/Cidadania
MDB
PDT
PRTB
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