O ex-governador Renato Casagrande (PSB) já declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no dia 25 de julho. Mas,
na coligação governista, a segunda grande referência de centro-esquerda não fez
e não fará o mesmo. O ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal afirma aqui: “Não estou
apoiando e não farei campanha para o Lula”.
Segundo Vidigal, nos debates internos, ele defendeu que o Partido
Democrático Trabalhista (PDT) optasse pela neutralidade na disputa presidencial,
mas foi voto vencido.
Em 20 de julho, primeiro dia do período de convenções
partidárias, o PDT formalizou sua entrada na coligação do PT e seu apoio à
reeleição de Lula. Foi o primeiro partido a homologar a aliança com o petista,
na convenção nacional da sigla, realizada em Brasília, com a presença de Lula.
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Vidigal culpa a polarização nacional pelo enfraquecimento do
PDT nos últimos anos, inclusive no Espírito Santo. No Estado, o partido do
ex-prefeito da Serra nem sequer conseguiu montar uma chapa para a Câmara
Federal. Tanto que o próprio filho do ex-prefeito, o médico Serginho Vidigal,
precisou se filiar a outra legenda (o Podemos) para poder disputar o pleito com
chances reais de eleição para federal.
“Defendi que o PDT fizesse como fizeram outros partidos, como
o Podemos e a Federação União Progressista. Partidos que hoje têm como
prioridade crescer optaram pela neutralidade. Uma das coisas que fizeram o PDT
diminuir de tamanho foi esse processo de polarização. Na polarização, só ganha
quem está na polarização. O resto, quem ganha de um lado perde do outro”,
formula o ex-prefeito.
Presidido nacionalmente por Carlos Lupi, o PDT disputou as últimas
duas eleições presidenciais com Ciro Gomes, derrotado em ambas no 1º turno. No
2º turno em 2022, o partido imediatamente declarou apoio a Lula. Com a vitória
do petista, o PDT participou do atual governo, com lugar na Esplanada dos
Ministérios.
Além de membro do Diretório Nacional, Vidigal integra a atual Comissão Executiva Nacional do PDT, vigente até 21 de janeiro de 2027. No órgão diretivo máximo da legenda, ele é o vice-presidente regional do Sudeste.
Na ata aprovada em convenção nacional no dia 20 de julho,
lê-se: “Foi aprovada delegação de poderes à Executiva Nacional para tratar das
alianças estaduais, que devem priorizar
apoio à candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, podendo para tal praticar
todos os atos necessários para o cumprimento das deliberações estabelecidas
nesta convenção partidária”. O grifo é meu.
Vidigal afirma, porém, que não reproduzirá a posição oficial
do seu partido.
“Não acompanho, pois sou contra esse modelo. Esse modelo está
fazendo o PDT diminuir.”
O ex-prefeito diz não ter participado da convenção nacional.
A Executiva do PDT no Espírito Santo foi representada pela presidente do órgão,
Alessandro Comper, aliado e auxiliar de Vidigal. O nome de Comper consta na
lista de presença da ata. A coligação com o PT foi aprovada por unanimidade.
Assim como Casagrande, que é pré-candidato a senador,
Vidigal faz parte da coligação liderada pelo governador Ricardo Ferraço (MDB),
cujo perfil é de direita. O líder pedetista chegou a ser cotado para se
candidatar a vice-governador, mas não vai disputar nada, mantendo-se coerente
com declarações anteriores.
No arco de aliados de Ricardo, que abrange políticos e
partidos de vários matizes, Casagrande e Vidigal são os dois principais líderes
de centro-esquerda.
Mas agora, pelo visto, Casagrande será, nesse palanque, o único
apoiador declarado do presidente Lula.
Vale lembrar que, no Espírito Santo, Lula terá um palanque inteiro
para chamar de seu: o da própria Federação Brasil da Esperança (PT, PV e
PCdoB), que terá Helder Salomão como candidato a governador e Fabiano Contarato
à reeleição no Senado.
Na última segunda-feira (10), a Executiva Estadual do PT declarou apoio informal a Casagrande, recomendando à militância que o segundo voto para o Senado seja dado ao socialista.
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