Apresentamos a incrível saga eleitoral de Sérgio Meneguelli:
Meu senhor e minha senhora,
Entrem por nosso portal,
Porque eu lhes conto agora
Uma saga eleitoral
Marcada por muita emoção
Requintes de traição
Que ele sentiu na pele
Ele, o tal “maior prefeito”
Digamos seu nome direito:
É Serginho Meneguelli
Nascido em Colatina
Na humildade, sem berço,
O trabalho foi sua sina
Desde o difícil começo
Moacyr Dalla, seu “padrinho”,
Lhe deu, ainda menino,
Emprego no seu cartório
Limpando o chão, o banheiro
Servindo de faxineiro
Ao político notório
E, pouco mais que um moleque,
Nasceu a improvável amizade
Com a maravilhosa Elke
Então uma celebridade
Jurada de Silvio e Chacrinha,
Das perucas, a rainha
Pra ele, maior que Madonna
O Serginho, em pouco tempo,
Viu-se produzindo eventos
Como a Festa do Cafona
Mas também pra coisa séria
Dirigiu sua atenção
Pra políticas matérias
Encontrou inclinação
Atuando no plenário
Empilhou mandatos vários
Até se tornou presidente
Da local Casa de Leis
Chamando a atenção de vez
Pelo estilo diferente
Em dois mil e dezesseis,
Lançou-se a maior altura
Digo, franco, a vocês:
Muitos acharam loucura
Começou como azarão
Mas venceu a eleição
E chegou à prefeitura!
Para um único mandato
Eis o seu grande salto
Ganhou bastante estatura
O mandato propriamente?
Nada espetacular
Mas, de modo surpreendente,
Converteu-se em popstar
Pelas redes sociais
Seus vídeos viraram virais
Um prefeito “como a gente”
Pinta os bancos de praça
Jardina canteiro de graça
De bike vai pro batente
Com tanta repercussão
Os caciques partidários
Entraram em competição
Recebeu convites vários
Até que há uns seis anos
Entrou no Republicanos
Partido conservador
(Do Crivella e não é segredo:
Também do Edir Macedo)
Entrou para ser senador!
Tudo ia bem nos trilhos
Até que nos deu entrevista
Que da crise foi gatilho
Tumulto a perder de vista
“Conservador, não sou nada
E essa coisa de bancada
Da Bíblia lá no Congresso
Nem sequer tinha que haver…”
Crivella no Rio, a seu ver,
Não fez o menor sucesso
“Igrejas demais no país.
Isso divide os cristãos!”
Pros gays, direitos civis?
“Mas é claro, por que não?”
Ele abriu sua opinião
E até tem muita razão
O problema é que as bandeiras
Do partido eram inversas
Não gostou dessa conversa
O pastor Marcos Pereira
Cavalo de pau, pirueta:
Deputado Erick Musso
Disputaria o Anchieta
Mas alterou o percurso
Serginho, de mãos atadas,
Ouviu a pedra cantada:
“Escuta, para o Senado
Nosso candidato é Erick
Porém, não se desespere,
Você pode ser deputado!”
Pensou: “É o que me resta”
E digo a vocês, minha plateia:
Nas urnas, fez ele a festa
Na disputa à Assembleia
Deputado mais votado
Da história deste estado!
O mandato, propriamente,
Foi sem destaques nem danos
Passou por lá quatro anos
Bastante discretamente
Mas o plano só foi adiado:
Agora, em vinte e seis,
O sonho outrora frustrado
Voltou com tudo outra vez
Disputar pra senador
É o que quer, sim, senhor!
Desta vez não abria mão
E então se vacinou
E no PSD assinou
A nova filiação
Pra isso, vejam vocês!
Foi com Renzo até Kassab
"Na fé de que, desta vez,
Tudo bem pra mim acabe..."
Só tinha de abrir o olho
E pôr as barbas de molho
Sem poder marcar bobeira
Tinha de ficar esperto
Pra escapar do risco certo
De levar nova rasteira
Lá pra meados de maio,
Disse o prefeito Renzo:
"Vamos no mesmo balaio
Com o prefeito Lorenzo!"
Acontece que ali
(Manato, Maguinha, Evair...)
Pouco espaço, muita gente
Meneguelli ali não coube
Mas disso ele só soube
Um pouco mais para a frente
O senador do PL
Impôs sua filha, Maguinha,
E vetou o nome dele
Espaço ali já não tinha
Renzo, pressionado à beça,
Tinha lhe feito a promessa
E ainda queria emplacar
De vice a primeira-dama
Buscou, então, outra cama
Pro PSD se esticar
Bateu lá na Residência
Oficial do Ferraço
Teve uma audiência
E chegou pedindo espaço:
“Na chapa oficial,
Lívia e Serginho, que tal?”
Mas, com a chapa já montada,
Um “não” muito educado
Ouviu Renzo de Ricardo
E pegou de volta a estrada
Voltou para Pazolini
E já tava tudo armado:
PSD com esse time
Lívia vice, do seu lado
Só que calma, muita calma...
Serginho tinha uma arma!
“Renzo é ‘homem de palavra’
E não vai ter traição
Hoje não! Desta vez, não!
Com minha astúcia não contava!”
“Se eu tomo outra banda,
Aguardem em vinte e oito
Em dois anos, minha vingança:
Eu venho prefeito de novo!”
Com a espada na cabeça,
Renzo cumpriu-lhe a promessa
Deu a ele a legenda
Chapa avulsa ao Senado
Nome na ata, assinado
Resolvida a contenda
Esta história termina
Onde teve seu começo
Lá mesmo, em Colatina
Pois, é claro, houve um preço:
Apoio já declarado
Por Serginho, antecipado,
Para Renzo, em dois anos
Enquanto Lívia pensa:
Deputada ou suplência?
Por ora, caia o pano...
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