Na reta final do período de definições de candidaturas, o vereador
de Vitória Leonardo Monjardim cogita trocar de candidatura e se tornar
postulante ao Palácio Anchieta, a pedido das direções estadual e nacional do
Novo. Isso após repetir, desde o ano passado, que seria candidato ao Senado e
após ter tido o nome registrado para essa disputa na ata da convenção do Novo,
realizada no dia 21 de julho.
Aliado de primeira hora de Lorenzo Pazolini, Monjardim
afirma que, se o Novo lhe der mesmo essa missão, ele não se furtará a assumi-la. Ao mesmo tempo, admite “constrangimento”
e “desconforto” com a possibilidade de disputar o mesmo cargo que o ex-prefeito
de Vitória, candidato do Republicanos a governador do Espírito Santo.
O que me constrange é a relação de admiração e gratidão que
tenho por Pazolini. É exatamente por isso que não me sinto confortável. É muito
constrangedor para mim. Aproveito as oportunidades, mas temos que ter lealdade
com as pessoas que foram generosas conosco.
Leonardo Monjardim, candidato do Novo ao Senado (ou ao Governo do ES)
“Minha relação com Pazolini sempre foi republicana. Eu não
me sinto confortável hoje em disputar contra o Pazolini. Não me sinto à vontade”,
afirma o vereador, que foi líder do então prefeito no plenário da Câmara de
Vitória e atualmente exerce a mesma função para a prefeita Cris Samorini (PP).
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Por outro lado – apesar de todo o “desconforto” –, Monjardim não exclui a hipótese de transformar sua candidatura ao Senado em candidatura ao governo, se suas conversas finais com os dirigentes do Novo convergirem para isso.
A eventual candidatura ao Governo do Espírito Santo seria, para o Novo,
uma maneira de fortalecer o palanque do ex-governador de Minas Gerais Romeu
Zema, o candidato da sigla à Presidência da República.
“Vou ponderar meu desconforto com o partido e quero ver qual
será a reação. Da mesma forma que tenho gratidão por Pazolini, tenho gratidão pelo
Iuri Aguiar, o presidente estadual do Novo, e pelo Eduardo Ribeiro, o nosso presidente
nacional. Tentaram derrubar minha candidatura ao Senado de todas as maneiras. E
eles fecharam as portas para todos”, ressalta o vereador.
“Hoje estou muito vocacionado para disputar o Senado, porque foi o que planejei. Mas, se o partido me disser ‘Não, Monjardim, precisamos de você para essa missão de disputar o governo’... como é que vou dizer não para o meu partido? Por isso, estou entre a espada e a cruz.”
De fato, como o leitor já há de ter notado, as declarações
do candidato ao Senad... digo, possível candidato ao governo, estão mesmo
ambíguas neste momento.
Ao mesmo tempo que fala em “constrangimento”, Monjardim faz
questão de realçar que “a coisa encorpou” desde que surgiram as informações
sobre o seu possível deslocamento.
Segundo o vereador, dois outros candidatos ao Senado o procuraram
desde então, manifestando interesse em firmar coligação com o Novo até o
próximo sábado (15), caso ele decida mesmo se tornar candidato ao Palácio
Anchieta.
Um deles, conta Monjardim, foi o ex-prefeito de Vila Velha Rodney Miranda, candidato a senador pelo nanico PRTB. O outro ele prefere não
nominar – segundo ele, para não descumprir um acordo de confidencialidade.
Sem entrar em detalhes nem especificar outras siglas, o
vereador estima que, se a acoplagem der certo, a coligação majoritária resultante poderá
reunir até cinco agremiações (um aglomerado de pequenos partidos).
“Fui pego de surpresa com a proposta da direção do Novo. Não
estava no meu radar disputar o governo, e eu nunca tinha pensado nisso. Veio a proposta e, no início, a gente imaginava que seria uma coisa isolada. Mas surgiu possiblidade
de outros partidos estarem nesse palanque. Dialoguei bastante com o Rodney, com
quem tenho relação pessoal de amizade. É um cara sério, e podemos fazer uma
dobradinha. E outro candidato ao Senado se colocou à disposição para também vir para o
projeto e trazer mais dois partidos. Se isso se concretizar, serão cinco
partidos juntos e cerca de 90 candidatos a deputado estadual e federal pedindo
votos para mim.”
Inicialmente, essa proposta de mudança de candidatura no apagar das luzes foi interpretada – inclusive por mim – como uma jogada do Novo para pressionar o grupo de Pazolini a aceitar absorver Monjardim como seu candidato a vice-governador.
No bunker do ex-prefeito de Vitória, a preferência
é pela escalação de uma mulher para a posição e, hoje, é mais provável que ela
venha do Partido Liberal (PL) ou do próprio Republicanos.
Monjardim reafirma, contudo, que não se trata de um blefe.
E plano de governo? O Novo por acaso tem um? É uma das exigências
da Justiça Eleitoral. Ao pedir o registro de candidatura – o que deve ser feito
até o próximo sábado (15) –, o candidato a governador é obrigado a protocolar o seu
programa de governo. Como tirar um da cartola a esta altura do processo, sem
ter passado nem um dia debatendo e formulando uma proposta de governo para o
Espírito Santo?
“Tem um rascunho”, responde Monjardim. “Falaram que tem muita
coisa pronta nacionalmente. O próprio Zema tem muita coisa que envolve uma
semelhança com o Espírito Santo...”
Minas Gerais é um estado bastante diferente, e Zema agora
é candidato presidencial...
Segundo Monjardim, em 40 minutos de conversa com Rodney Miranda, o ex-secretário estadual de Segurança Pública do Espírito Santo, de Pernambuco e de Goiás se comprometeu com ele a ajudá-lo a fazer o plano para essa área específica.
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