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Vitor Vogas

A procura de Lorenzo Pazolini por uma companheira de chapa

Como está a bolsa de apostas, a esta altura do processo, para o preenchimento do lugar mais importante ainda em aberto na eleição para governador do ES

Publicado em 13 de Agosto de 2026 às 18:05

Públicado em 

13 ago 2026 às 18:05
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Lorenzo Pazolini é candidato a governador do ES
Lorenzo Pazolini é candidato a governador do ES Reprodução redes sociais

Entre auxiliares e correligionários de Lorenzo Pazolini, há uma convicção: o ex-prefeito de Vitória prefere ter uma mulher como companheira de chapa em sua campanha ao Governo do Estado. Pesquisas internas reforçam essa convicção. Preferencialmente, uma mulher evangélica. O nome ainda não foi definido, mas o perfil ideal já está traçado.


Seria um modo de Pazolini fazer um duplo aceno, tanto ao eleitorado feminino – dando à chapa equilíbrio de gênero – como ao eleitorado evangélico, numericamente expressivo no Espírito Santo e politicamente mais influente a cada processo eleitoral.


É provável que o candidato a governador do Republicanos opte por uma candidata a vice pouquíssimo conhecida pela população capixaba. Bastante provável também, a esta altura, que a vice de Pazolini provenha ou do Partido Liberal (PL) ou do próprio Republicanos (numa “solução doméstica”). São as duas principais legendas da coligação do ex-prefeito.


A outra sigla coligada é o pequeno Democrata (ironicamente, o antigo Partido da Mulher Brasileira), que chegou a indicar nomes para o posto.


A bem da verdade, a esta altura do campeonato, as opções reais para Pazolini estão escassas. Sua vice terá de vir de um dos partidos coligados. E não existe uma “vice natural”, com o nome vistoso, já testado nas urnas e com alta densidade eleitoral.


Dentro do próprio Republicanos, uma das cotadas é Adriana Boas. Inicialmente, ela figura como candidata a deputada federal na chapa do partido. Mulher de meia idade (41 anos) e evangélica, Adriana é mãe atípica e tem como principal bandeira a defesa dos direitos e da qualidade de vida para pessoas do espectro autista.


No flanco do PL, ventila-se o nome da Enfermeira Laryssa, que fará 30 anos nesta sexta-feira (14). Laryssa é evangélica e bolsonarista convicta, assim como Adriana. As duas, aliás, têm perfil bem similar em tais aspectos.


Na eleição municipal de 2024, pelo PL, a enfermeira foi candidata a vice-prefeita de Vila Velha, na chapa do Coronel Ramalho (derrotado naquele pleito pelo prefeito Arnaldinho Borgo). A princípio, Laryssa é pré-candidata a deputada estadual na chapa do PL.


Pelo pequeno Democrata, o nome mais fortemente cotado é o de Hélida Loreto, líder comunitária de Goiabeiras e uma das fundadoras da Associação das Paneleiras do bairro. O perfil de Hélida já difere bastante das demais. Ela é negra e idosa (tem 66 anos). Apoiou a gestão de Pazolini e sua campanha passada a prefeito, em 2024.


Pelo Novo, chegou-se a especular o nome de Penélope Feu Rosa, filha de José Maria Feu Rosa, que foi prefeito da Serra e morreu assassinado. Servidora de carreira do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), ela é candidata a deputada federal pelo Novo.


Penélope na vice, porém, seria um arremesso do meio da quadra: chance perto de zero. Para isso, o Novo teria de ingressar formalmente na coligação de Pazolini, o que implicaria na desistência de Leonardo Monjardim em ser candidato ao Senado (ou ao Palácio Anchieta, como agora o vereador também cogita).


O próprio Monjardim já disse que isso é “impossível”, pois, além de ele não querer desistir da disputa majoritária, eventual “desfalque” de Penélope na chapa federal do Novo prejudicaria a votação do partido e a meta de superar a cláusula de desempenho.


O nome a ser escolhido por Pazolini poderá não ser nenhum dos que figuram nesta lista? Poderá. Poderá ser uma correligionária do prefeito totalmente de fora do meio político.


Significa dizer que poderá ser uma desconhecida (e uma surpresa) ainda maior. 

Soraya Manato

Pelo que apuramos, Pazolini nutria simpatia pelo nome de Soraya Manato e pela ideia de ter a esposa de Carlos Manato como sua companheira de chapa.


Soraya está filiada ao Republicanos e com o passe livre no mercado, desde que desistiu de concorrer à Câmara Federal.


Ocorre que o nome de Soraya esbarra em dois problemas. Ambos, indiretamente, têm a ver com seu marido.


O entendimento interno é que, se Soraya fosse vice de Pazolini, isso amplificaria a visibilidade de Manato e suas chances de vitória para deputado federal, na chapa do Republicanos.


Em primeiro lugar, Manato é um notório desafeto de Magno, cuja influência já está mais do que provada dentro dessa composição de Pazolini.


Com voz ativa, o senador também está sendo ouvido nessa definição. Já exerceu “poder de veto”, por exemplo, ao barrar a hipótese de candidatura de Sérgio Meneguelli ao Senado por essa coligação – o que levou o PSD a lançar chapa majoritária independente.


Em segundo lugar, eventual “turbinada” nas chances de Manato poderia desagradar a outros candidatos a deputado federal do Republicanos.


Segundo nossa estimativa, com a escalação constante na ata, a chapa do Republicanos pode fazer um deputado federal no Espírito Santo (mas nem isso é tão seguro assim, pois há pouca “gordura” de votos...). Dificilmente chegará a dois, embora possa ocorrer. Isso faz com que a concorrência interna, entre os colegas de chapa, seja duríssima. 

E Erick Musso?

Outro nome que chegou a ser cotado nos últimos dias – mas por critérios totalmente diferentes – foi o do próprio presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. Além de principal articulador político de Pazolini, Erick é candidato a deputado federal pela sigla.


O nome de Erick foi visto e defendido internamente por alguns como uma “solução pacificadora”. Em primeiro lugar, seria muito bem aceito por Magno, com quem mantém boa relação política.


Segundo e mais importante: para além de questões relacionadas ao perfil do/a vice (origem, idade, gênero, etnia, reduto eleitoral etc.), não se pode jamais desprezar aquele que é, possivelmente, o fator mais importante na escolha de um companheiro de chapa: os laços de confiança.


De preferência, o vice deve ser alguém em quem o titular confie cegamente. Afinal, é ele quem assume o governo, por exemplo, quando o incumbente tira uma semana de férias. Erick, para Pazolini, seria essa pessoa (em caso de vitória, bem entendido).


Entretanto, essa “solução” perdeu força nos últimos dias, por esbarrar em um problema prático (além da já destacada priorização de uma mulher): se o próprio presidente estadual do Republicanos se deslocasse na última hora, isso representaria um desfalque difícil de suprir a esta altura na chapa federal do partido.


Isso para uma chapa que, lembremos, mesmo com Erick, já não tem tanta “gordura eleitoral” assim...


Difícil imaginar o próprio Erick dando uma guinada no apagar das luzes que poderia comprometer seriamente as chances de vitória dos seus correligionários, enfraquecendo a chapa que ele mesmo montou.


Impossível não é... Em política, já se viu de tudo. Mas, no QG de Pazolini, essa hipótese foi relegada ao último plano. 

“Missionária” eliminada

Outro nome que chegou a ser especulado é o de Bruna Soares, também candidata a deputada federal na chapa do Republicanos. É uma das quatro mulheres que constam na chapa, conforme a ata da convenção do partido no Espírito Santo.


Natural de Carangola (MG), ela mora desde a adolescência em Iriri, no município de Anchieta, e é da igreja Assembleia de Deus, uma das maiores denominações pentecostais do Brasil.


Faz parte da Convenção Fraternal das Assembleias de Deus do Estado do Espírito Santo (Ceades), uma das maiores convenções dessa igreja no Estado, cumprindo importante função dentro da entidade. Ao lado do marido, coordena o segmento de jovens e adolescentes frequentadores da Assembleia no Litoral Sul do Espírito Santo (de Guarapari a Presidente Kennedy).


Entretanto, Bruna não cumpre uma das exigências legais para poder concorrer a vice-governadora: ter pelo menos 30 anos na data da posse. Ela atingirá essa idade em abril do ano que vem. Está legalmente excluída desse páreo. 

Quem são as outras duas candidatas a federal do Republicanos

A chapa federal do Republicanos também tem a pedagoga Cris Silva, 46 anos, e a empresária Tatiana Perim, vice-prefeita de Guarapari.

Tatiana entrou no Republicanos em fevereiro, logo depois da desfiliação do prefeito Rodrigo Borges, com quem rompeu politicamente. Borges apoia Ricardo Ferraço (MDB) para governador.

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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