Quase três meses depois do início da crise da Apex Partners, a plataforma de investimentos capixaba contratou uma gigante mundial de auditoria, perícia contábil e investigações financeiras para fazer um pente-fino nas contas da empresa.
A contratação da Grant Thornton foi anunciada nesta quarta-feira (4) por um comunicado da Apex Partners. A empresa contratada vai executar trabalhos especializados de perícia contábil e financeira no grupo, incluindo procedimentos investigativos de natureza forense.
Segundo a Apex, a iniciativa integra as medidas conduzidas pela atual administração para esclarecer inconsistências identificadas no contexto do caso que levou ao pedido de recuperação judicial da companhia.
A crise começou em agosto, quando uma investigação interna identificou, de acordo com a companhia, “inconsistências financeiras”. Após a apuração, Fernando Cinelli, fundador e ex-diretor-presidente da Apex, foi afastado do comando, assim como o diretor financeiro Eduardo Siqueira.
Nos últimos meses, a Apex afirmou que uma equipe interna promoveu um minucioso processo de reorganização contábil e administrativa, com o objetivo de estruturar as informações e fornecer subsídios técnicos para o trabalho da perícia externa.
Conforme a companhia, a atuação da Grant Thornton envolverá a análise de informações contábeis e financeiras das empresas do grupo, bem como a avaliação de seus processos decisórios.
"O trabalho buscará identificar e quantificar eventuais distorções, apurar responsabilidades, avaliar impactos patrimoniais e reconstituir as demonstrações financeiras das empresas analisadas", detalhou a Apex, em nota.
Ao término dos procedimentos, serão elaborados pareceres periciais contábeis que servirão de base técnica para o esclarecimento dos fatos, a avaliação da situação patrimonial das companhias envolvidas e a definição das medidas cabíveis.
Paralelamente, a Apex trabalha na antecipação de um plano de recuperação judicial, enquanto aguarda a decisão da Justiça. A iniciativa busca viabilizar a construção de caminhos para a refundação da Apex Partners e a repactuação de seus negócios, em compromisso com investidores, associados e a sociedade.
A Apex Partners se tornou uma das principais empresas de investimentos do Espírito Santo, com atuação também no cenário nacional. Em 6 de agosto de 2026, uma investigação interna identificou, segundo a companhia, “inconsistências financeiras”. Após a apuração, Fernando Cinelli, fundador e ex-diretor-presidente da Apex, foi afastado do comando, assim como o diretor financeiro Eduardo Siqueira.
No dia seguinte, a Justiça concedeu uma liminar suspendendo execuções contra empresas do grupo, em uma tentativa de proteger o patrimônio enquanto a situação era analisada. Naquele momento, o caso envolvia 178 sociedades e um passivo informado próximo de R$ 975 milhões.
A decisão judicial também determinou medidas envolvendo bens e informações bancárias de Cinelli. A Apex havia atribuído a ele suspeitas de “gestão temerária e de má-fé”. Essas acusações foram apresentadas pela companhia e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre responsabilidade.
Em 14 de setembro, o grupo formalizou o pedido de recuperação judicial, que busca reorganizar as dívidas e criar condições para a continuidade das atividades. O pedido segue em análise pela Justiça.
No laudo inicial, apresentado em 31 de agosto, a Laspro informou que havia conseguido examinar as demonstrações financeiras de apenas 23 das 178 sociedades que integravam o pedido cautelar naquele momento. Posteriormente, a relação de empresas foi alterada por aditamentos, desistências e pedidos de exclusão.
No dia 16 de outubro, a Justiça do Espírito Santo suspendeu temporariamente a quebra do sigilo bancário de Fernando Cinelli, mas manteve o bloqueio de bens dele até o limite de R$ 5 milhões.
A Gazeta procurou Cinelli para saber sua posição sobre o assunto. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para eventuais declarações.
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