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Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 12:14
Em apenas dois dias, o Espírito Santo pode registrar um volume de chuva superior à média esperada para todo o mês de janeiro. Diante do cenário de tempo severo, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil emitiu alerta de risco excepcional para esta terça-feira (20) e quarta (21). >
A média de de chuva para janeiro no Estado é de cerca de 200 milímetros, distribuídos pelos 31 dias. No entanto, as previsões indicam que esse volume pode ser alcançado — ou até superado — em apenas 48 horas, o que eleva o risco de deslizamentos de terra, inundações, enxurradas e outros transtornos. [Veja aqui como se mede a chuva]>
Segundo o boletim, o Espírito Santo deve enfrentar tempo nublado com chuvas persistentes, de intensidade moderada a forte, além de descargas elétricas, trovoadas e ventos intensos. As regiões Caparaó, Sul e Serrana estão entre as áreas com maior risco. >
Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, o meteorologista Mauro Bernasconi, da Defesa Civil Estadual, explicou que o Estado está sob influência da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).>
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Segundo o meteorologista, a atuação dessa zona favorece a concentração de umidade, deslocada em direção ao oceano. Ao encontrar temperaturas elevadas, esse ar úmido contribui para o desenvolvimento de nuvens carregadas e a ocorrência de chuvas. O volume de precipitação acaba funcionando como um “ingrediente extra”, já que o sistema se retroalimenta, provocando chuvas concentradas em determinados pontos. Além disso, a frente fria atua injetando ainda mais umidade vinda do oceano, o que funciona como combustível para a formação de novas nuvens e a manutenção do tempo instável.>
“Por isso é um evento que tem uma duração em torno de 4 a 10 dias de chuvas persistentes e um potencial de risco muito elevado”, explicou Bernasconi.>
A Defesa Civil afirma que, para quinta-feira (22) e sexta-feira (23), a tendência é de redução na frequência e intensidade das chuvas, com o avanço da ZCAS para outros Estados. Ainda assim, o órgão alerta que os riscos permanecem, principalmente devido ao solo encharcado.>
A orientação é para que a população acompanhe os alertas oficiais e redobre a atenção em áreas de risco, evitando deslocamentos desnecessários durante períodos de chuva intensa.>
Segundo Mauro Bernasconi, o volume de chuva previsto não se restringe ao Espírito Santo. Minas Gerais, onde estão as nascentes de rios capixabas, também está sob alerta. Por isso, mesmo rios de grande porte, que normalmente apresentam resposta mais lenta ao aumento do volume de água, podem oferecer riscos. >
"Já existem alguns alertas prévios justamente para a bacia do Rio Doce. Os municípios acompanhados por esse rio, já estão na condição de alerta porque são esperadas chuvas fortes, não só para o Espírito Santo, mas também para cabeceira do rio em Minas Gerais", explicou. >
De acordo com o tenente-coronel Cristiano Malacarne, diretor-adjunto de operações do Corpo de Bombeiros, o Estado conta com 160 militares distribuídos em 24 unidades operacionais e, desde sexta-feira (16), as equipes se preparam para eventos críticos. “Nós já deslocamos uma equipe do nosso centro especializado de desastre para Cachoeiro de Itapemirim, tendo em vista apresentarem as maiores previsões de chuvas”.>
Ainda conforme Malacarne, os militares já foram orientados a iniciar o expediente em estado de prontidão. Caso haja necessidade, equipes extras de sobreaviso poderão ser acionadas ao longo do dia para reforçar o atendimento a ocorrências, principalmente no interior do Estado.>
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