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Sol e sombra: conheça a incrível Pedra da Ema, no interior de Cachoeiro

A incidência de raios solares sobre uma falha na rocha forma a sombra que lembra a ave da fauna brasileira. Entre lendas locais e outros atrativos, o distrito cachoeirense é muito procurado por curiosos que querem ver a "ema" de pertinho

Publicado em 03/11/2020 às 09h17
Atualizado em 03/11/2020 às 09h17
Pedra da Ema
A projeção da sombra sobre uma falha na rocha forma a imagem de uma ema em Burarama. Crédito: Divulgação

Emas não são animais tão presentes no cotidiano das pessoas, mas os moradores do pacato distrito de Burarama, no interior de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, diariamente se deparam com a ave, considerada a maior das Américas, sempre no mesmo local e horário. A figura da ave, entretanto, só pode ser vista caso o sol brilhe forte na região.

Não entendeu a relação? Pode parecer confuso para quem ao menos não conheça a localidade, mas é exatamente uma combinação entre o passar das horas, raios solares e uma formação rochosa bem específica que fazem com que a ave dê o ar da graça.

No coração do distrito que fica a cerca de 35 quilômetros do Centro da "Capital Secreta do Mundo", existe uma pedra medindo 1.500 metros. Nela há uma grande falha que faz com que a imagem muito parecida com a de uma ema se forme perfeitamente na sombra projetada.

É no período da tarde, entre o meio-dia e 15 horas que a visualização da ema atinge o esplendor. É possível vê-la em praticamente todo o ano, mas é entre os meses de junho a setembro que a percepção se prolonga por mais tempo. A ema "foge" só nos dias nublados e chuvosos, quando a pouca luminosidade solar impede que a sombra se forme sobre a pedra.

LENDA LOCAL

Explicações sobre a "emanência" da ave à parte, existe uma história local que conta outra versão para que a sombra do bicho surja no rochedo. Segundo o guia turístico da Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim, um escravo teria enterrado um fazendeiro antes de morrer ao lado de um sino de ouro. O tesouro ficava à sombra de uma sapucaieira, em cuja base havia uma pedra encantada. O fazendeiro, então, teria se transformado em uma ema para recuperar o tesouro.

Pedra da Ema
É no período da tarde, entre o meio-dia e 15 horas, que o desenho da ema se forma perfeitamente sobre a rocha. Crédito: Régis Lopes

É possível chegar até o pé da Pedra por meio de uma trilha. Para isso, é necessário agendar uma caminhada com guias locais. Mas para se chegar à Pedra da Ema, é preciso antes ir até a aconchegante Burarama. O distrito fica a cerca de 170 km de distância da capital capixaba. Saindo de Vitória, basta seguir pela BR 101 até o trevo de Cachoeiro. Na sequência, entre na ES 482, sentido Alegre e prossiga até Burarama. Do acesso da rodovia estadual até a localidade são cerca de 15 minutos.

OUTRAS ATRAÇÕES

Além da Pedra da Ema, o distrito oferece outros atrativos. Para quem aprecia uma boa cachaça, a região é rica em alambiques, que oferecem uma "branquinha" de qualidade. Uma delas, inclusive, é batizada com o nome da localidade. Além disso, Burarama faz parte do Projeto "Cama e Café", que disponibiliza hospedagem a baixo custo e ainda uma vasta linha de alimentos como embutidos, cafés, cervejas artesanais e doces em geral. O carro-chefe da região, entretanto, é a cachaçaria. No site da prefeitura há uma listagem completa de locais para se hospedar e curtir o que há de mais gostoso em Burarama.

Outra característica de Burarama é a geografia local. O distrito está na tríplice divisa entre três cidades, sendo possível se deslocar entre elas em um mesmo dia. Além de Cachoeiro, o visitante pode conhecer também as localidades de Rive, em Alegre, e Oriente, que fica em Jerônimo Monteiro. Esta última, aliás, até 2018 pertencia a Alegre, mas em 2018, por meio do Projeto de Lei 154/2018, passou a fazer parte oficialmente do município monteirense, atendendo a um desejo antigo dos moradores desta pequena comunidade.

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