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De Aviso a Canivete, a origem dos nomes de bairros de Linhares

O município, que fica na Região Norte do Espírito Santo, tem bairros e distritos com nomes que chamam a atenção. Historiador explica como eles surgiram

Tempo de leitura: 3min
Linhares
Publicado em 20/12/2021 às 11h28
Vista geral de Linhares: rede hoteleira da cidade no combate ao coronavírus
Vista geral de Linhares. Crédito: Felipe Reis

Imagine que você está no Aviso e vai para o Desengano. Quem é de fora pode até achar que o endereço está errado, mas, na verdade, os nomes são de um bairro e de um distrito de Linhares, na Região Norte do Espírito Santo. E as denominações curiosas não param por aí. A Gazeta foi atrás das histórias que cercam a origem desses locais. 

A presença de índios, a visita da família real portuguesa, o início da povoação do município e a imigração italiana têm relação com os nomes. O historiador e presidente da Seccional Regional de Linhares do Instituto Histórico-Geográfico do Espírito Santo (Serlihges), Reuber Costa, diz que não é possível datar exatamente quando os locais passaram a ser chamados como o linharense conhece hoje.

CANIVETE

A vinda de Dom Pedro II a Linhares, no ano de 1860, deixou marcas. O imperador tinha um diário que era atualizado com anotações diversas sobre o que via pelo caminho. “Linhares teve um laço muito grande com a família real. Dom Pedro II chegou pelo Rio Doce e foi almoçar na Ilha do Imperador, na Lagoa Juparanã. Neste percurso, ele fazia perguntas e registrava. ‘Ah, que local é esse? Ah, ali tem uma árvore com setas, espátulas, pêndulos tipo cortante, parece um canivete'. Então, Canivete”, explica Costa. 

O historiador conta que há ainda uma outra versão em que dois irmãos brigaram, um deles portava um canivete e desferiu um golpe. Costa diz que diversas vezes tentaram mudar o nome do bairro, mas sem sucesso.

BEBEDOURO

Historiador Reuber Costa rodeado por livros sobre a história de Linhares
Reuber Costa rodeado por livros sobre a história de Linhares. Crédito: Vinícius Lodi

Segundo o historiador, o "boca-a-boca" foi fundamental para o reconhecimento dos locais. É o caso do distrito de Bebedouro. “O que se conta é que tropas de cavalos paravam onde havia água para os animais beberem. Daí, se teve essa referência”, afirma.

AVISO E RIO QUARTEL

O bairro Aviso, por exemplo, remete à presença dos índios botocudos. É o segundo local a ser povoado em Linhares, no início do século XIX, por volta do ano de 1815, ainda antes da criação do município, que aconteceu em 1833. De acordo com o “Guia Histórico Geográfico de Ruas de Linhares”, dois militares eram encarregados, em um quartel, de dar o aviso ao povoado quando os índios estivessem em pé de guerra, ameaçando manifestações.

Sobre o distrito de Rio Quartel, Costa diz que havia um rio próximo a um quartel militar e, daí, surgiu o nome do local.

DESENGANO

Na esperança de um futuro melhor, italianos chegaram a Linhares com promessas. “Prometeram que eles teriam terra fértil para produzir no campo. Só que perceberam que não era aquilo que diziam e se sentiram enganados. Quando se referiam àquele local, era a terra onde os italianos foram enganados, onde tiveram um desengano, e ficou o nome”, comenta o historiador sobre o distrito de Desengano.

Desengano hoje tem uma grande produção de queijos, também é o local onde é produzida a cachaça Princesa Isabel.

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