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TJ vê 'sucessivos erros' da PC em pedido de internação de adolescente em caso de estupro

TJ vê 'sucessivos erros' da PC em pedido de internação de adolescente em caso de estupro

O adolescente é o único acusado de envolvimento no estupro coletivo que ainda não foi apreendido; os outros quatro acusados, todos maiores de idade, se apresentaram entre a terça-feira (3) e a quarta (4) e foram presos

Publicado em 5 de março de 2026 às 13:26

Jovens réus por estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, no Rio de Janeiro
Jovens réus por estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, no Rio de Janeiro Crédito: Divulgação/PCERJ

Um pedido de internação do adolescente de 17 anos suspeito de ter tramado e cometido um estupro coletivo de uma adolescente da mesma idade, em janeiro, gerou embate entre a Justiça do Rio de Janeiro e a Polícia Civil. O adolescente é o único acusado de envolvimento no estupro coletivo que ainda não foi apreendido. Os outros quatro acusados, todos maiores de idade, se apresentaram entre a terça-feira (3) e a quarta (4) e foram presos. São eles: Matheus Veríssimo Zoel Martins, João Gabriel Xavier Bertho, Vitor Hugo Simonin e Bruno Felipe Allegretti. As defesas de Vitor e João negam o crime. Os demais advogados não foram localizados pela reportagem.

O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana), responsável pelo inquérito, afirmou na quarta que a apreensão do adolescente já havia sido representada e que "só dependia da Justiça". Também afirmou que a espera atrapalhava possibilidade de investigação de novos supostos crimes, já que o adolescente está em liberdade.

Nesta quinta-feira (5), o Tribunal de Justiça se pronunciou em comunicado. Afirmou que houve "sucessivos erros" da Polícia Civil e tentativas de burlar o "princípio do juiz natural". Os erros, diz o tribunal em nota, dariam margem para a nulidade de todo o processo. A nota enumera o que classifica como erros da Polícia Civil. O primeiro seria o envio para o juizado errado e o inquérito sem mandados de prisão.

O tribunal diz que a polícia enviou inquérito ao 5° Juizado de Violência Doméstica da Capital, mas que o caso deveria ter sido enviado à vara da Criança e Adolescente. Além do destinatário errado, o tribunal diz que não havia, no inquérito, pedido de prisão ou busca e apreensão nem solicitação de urgência.

A Polícia Civil disse em nota que seguiu o trâmite regular e que a investigação foi realizada "com rigor técnico, celeridade e absoluto compromisso com a responsabilização dos envolvidos". A polícia respondeu ainda que "não possui qualquer ingerência sobre o sistema de distribuição de processos do Tribunal" e que ele é totalmente automatizado. "Os inquéritos policiais são remetidos ao Judiciário e cabe ao próprio sistema do tribunal realizar a devida distribuição e tramitação", diz a nota.

O segundo suposto erro apontado pelo Tribunal de Justiça é que, apesar de a investigação ter sido concluída pela polícia em horário comercial, a delegacia assinou os pedidos de prisão e busca ao meio-dia de um sábado, e reteve documentos até 19h38, enviando-os para o plantão noturno. "O Plantão Noturno destina-se a urgências extremas (como risco de morte e medidas que só podem ser cumpridas de madrugada), e não a demandas que a Polícia reteve durante dias úteis", diz o tribunal, que chama de "manobra" o procedimento da polícia.

Foi neste momento que o Ministério Público concedeu parecer contrário à apreciação durante o plantão. Em nota enviada à reportagem na quarta, o MP afirma que o promotor de plantão se manifestou no sentido de que "a análise não configurava hipótese de apreciação de regime de plantão, devendo ser submetida ao juiz natural responsável pelo processo".

O MP ofereceu denúncia aos maiores de idade no dia 12 de fevereiro. A juíza da Vara de Criança e Adolescente a recebeu no dia 26, decretando a prisão dos quatro, que foi feita na terça (3) e quarta (4) desta semana. O atrito que envolve o uso do plantão noturno é mencionado pelo TJ novamente em relação ao adolescente suspeito. "Ignorando o processo que já estava com o MP e já tramitava na Vara da Infância, o delegado esperou 18 dias e, somente no dia 27 de fevereiro, procurou novamente o Plantão Noturno para pedir a busca e apreensão do menor", diz a nota.

O pedido foi novamente barrado, segundo o TJ, e o pedido de internação considerado correto pelo tribunal foi feito pelo Ministério Público na segunda-feira (2). O TJ não detalhou se houve decretação de busca e apreensão ou internação do adolescente.

A Polícia Civil afirmou em nota que espera "que os responsáveis sejam devidamente julgados e punidos na forma da lei, para que crimes dessa natureza não fiquem impunes". A polícia apura a veracidade de relatos que indicam que o adolescente, em liberdade, tem feito ameaças, chantagens e provocações a pessoas envolvidas nos casos de suposto estupro, como familiares de uma das vítimas.

O delegado Ângelo Lages disse que o adolescente é "a mente por trás" dos casos de estupro —além do crime contra a adolescente de 17 anos, outros dois casos são investigados. Um deles teria ocorrido em 2023 e o nome do adolescente também é mencionado. Tanto ele quanto a vítima tinham 14 anos à época. Os novos supostos casos foram relatados à polícia depois da repercussão da primeiro ocorrência e dois novos inquéritos foram abertos.

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