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Pai que acionou PM por desenho de orixá em escola é indiciado em SP

Pai que acionou PM por desenho de orixá em escola é indiciado em SP

Caso foi investigado pelo 34º Distrito Policial (Vila Sônia), que optou pelo indiciamento do homem; inquérito foi concluído e enviado para análise do Poder Judiciário em fevereiro

Publicado em 5 de março de 2026 às 13:35

Caso aconteceu na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo
Caso aconteceu na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, na Zona Oeste de São Paulo Crédito: Reprodução/Google Street View

O pai que acionou a polícia após a filha de 4 anos fazer um desenho da orixá Iansã na escola, em São Paulo, foi indiciado pela Polícia Civil por intolerância religiosa. Caso foi investigado pelo 34º Distrito Policial (Vila Sônia), que optou pelo indiciamento do homem. O inquérito foi concluído e enviado para análise do Poder Judiciário em fevereiro. 

O episódio também está sendo apurado por meio de IPM (Inquérito Policial Militar), já que os agentes entraram armados na escola. O procedimento está em fase de instrução e são analisadas as imagens das câmeras corporais e colhidos os depoimentos dos envolvidos, informou a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública). As autoridades não divulgaram o nome do indiciado. Pai de criança é policial militar, apurou o UOL. A reportagem não conseguiu encontrar a defesa para pedido de posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.

O pai de uma criança chamou a Polícia Militar após a filha de 4 anos fazer um desenho da orixá Iansã na escola, em São Paulo. O caso aconteceu no início de novembro de 2025 na Escola Municipal de Ensino Infantil Antônio Bento, no Caxingui, na zona oeste de São Paulo. Quatro policiais armados entraram na escola após ligação do pai. Os homens, um deles com uma arma de grosso calibre, disseram que a criança estava sendo obrigada a ter "aula de religião africana".

Professores e pais de crianças relataram que a atuação dos policiais foi hostil. A reclamação do pai, que não teve a identidade divulgada, era que a menina estava tendo ensino religioso de uma religião que não é a da família. As crianças presenciaram a movimentação. Segundo o representante do conselho de pais da escola, os alunos estranharam a presença dos policiais e algumas ficaram assustadas. Ele conta que seu filho, de cinco anos, pediu explicações ao chegar em casa. No dia seguinte, crianças comentaram "polícia de novo" quando viram o pai que protagonizou a discussão retornar à escola.

O homem rasgou mural com desenhos das crianças. Um dia antes de chamar a polícia para ir à escola, o pai foi até o local e destruiu um mural com as artes das crianças, que retratavam entidades culturais africanas, segundo a diretora da escola.

A direção da escola chamou pai insatisfeito para participar de reunião e tirar dúvidas. Ele não foi e acionou policiais militares. Pais de outros alunos e funcionários presenciaram a ocorrência. A diretora da escola chegou a pedir licença médica do cargo dias após o episódio. Na ocasião, ela disse que estava se sentindo ameaçada após a repercussão do caso e disse que o conteúdo apresentado estava em conformidade com as diretrizes municipais de ensino.

A SME (Secretaria Municipal de Educação) disse que o trabalho apresentado fazia parte da proposta pedagógica da escola. O ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena é obrigatório dentro do Currículo da Cidade de São Paulo, informou a pasta.

Os desenhos foram inspirados no livro "Ciranda de Aruanda", de Liu Oliveira. As divindades são apresentadas como personagens lúdicos, que representam a cultura afro-brasileira com ilustrações de 10 orixás diferentes. A tarefa não tem a ver com doutrinação, disse a diretora na ocasião.

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