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PGR pede arquivamento de investigação sobre joias de Bolsonaro

PGR pede arquivamento de investigação sobre joias de Bolsonaro

Manifestação cita ausência de normas sobre presentes recebidos por presidentes; Bolsonaro recebeu joias e relógios de países árabes; itens foram vendidos no exterior

Publicado em 5 de março de 2026 às 11:23

BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) o arquivamento da investigação sobre as joias árabes recebidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e depois vendidas no exterior.

A manifestação de Gonet cita ausência de normas sobre o tema e decisões conflitantes por parte de órgãos de controle externo — ao longo dos últimos anos, o TCU (Tribunal de Contas da União) publicou uma série de acórdãos sobre o assunto.

"Não existe normação, por via de lei em sentido formal, sobre a destinação e a dominialidade de presentes recebidos pelo presidente da República de autoridades estrangeiras", diz o documento submetido pelo PGR ao relator do caso no Supremo Tribunal Federal, ministro Alexandre de Moraes.

Joias que teriam sido dadas de presente pelo governo da Arábia Saudita ao presidente Jair Bolsonaro
Joias que teriam sido dadas de presente pelo governo da Arábia Saudita ao presidente Jair Bolsonaro Crédito: Reprodução e Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

"Não há norma de lei que defina, com a clareza e abrangência imposta pelas exigências da segurança jurídica, o regime jurídico aplicável a esses bens."

Como mostrou a Folha, as investigações sobre as joias presenteadas pela Arábia Saudita a Bolsonaro tramitavam em ritmo lento em todas as frentes de apuração — criminal, administrativa e fiscal.

O caso remonta a 2021, quando um conjunto composto por seis itens — relógio, caneta, anel, par de abotoaduras e rosário, todos da marca suíça Chopard — entrou no Brasil sem ser declarado nem detectado pelas autoridades brasileiras.

Na mesma ocasião, um assessor do então ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) foi flagrado no Aeroporto Internacional de Guarulhos com outro kit de joias, que acabou apreendido pela Receita Federal.

O estojo que passou despercebido foi entregue a Bolsonaro, que tentou vender as joias no exterior. Os bens foram avaliados pela PF em mais de R$ 6,8 milhões.

O episódio gerou um procedimento no TCU (Tribunal de Contas da Uniãlo), uma apuração aduaneira e uma investigação penal, na qual o ex-presidente foi indiciado perante o STF (Supremo Tribunal Federal). Desde que Bolsonaro foi indiciado pela Polícia Federal, em julho de 2024, não havia novidades no processo.

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