O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse, nesta segunda-feira (30), que a população tem que seguir as orientações dos Estados na condução das ações de combate ao coronavírus, que já matou 159 pessoas e contaminou 4.579 no país. A afirmação do ministro contraria frontalmente o discurso que tem sido defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, que não tem poupado críticas duras aos Estados, por causa de suas quarentenas.
"Tenho dialogado com os secretários municipais e estaduais dentro do que é técnico, dentro do que é científico, dentro do planejamento. O que (conversamos) é o que a gente precisa ter na saúde nesta semana, e nas outras semanas, para que a gente possa imaginar qualquer tipo de movimentação que não seja esta que a gente está", disse Mandetta. E complementou:
"Por enquanto mantenham a recomendação dos Estados, porque essa é, no momento, a medida mais recomendável, já que nós temos muitas fragilidades no sistema de saúde, que são típicas não de falta do ministério da saúde ou do governo"
Os gestores locais têm imposto medidas para restringir a circulação de pessoas e de algumas atividades econômicas, na contramão do que quer o presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaro aproveitou o último domingo para ir às ruas de Brasília, visitar comércios locais e cumprimentar populares, contrariando orientações do governo do Distrito Federal e da Organização Mundial da Saúde (OMS). O Presidente chegou a recomendar que "todos os políticos" saiam às ruas para, em sua avaliação, entender a realidade do País.
Desde a entrevista coletiva de sábado, Mandetta vem dando declarações contrárias às de Bolsonaro. O Ministério da Saúde pede, por exemplo, para que as pessoas evitem ao máximo sair à rua, para diminuir o risco de contágio. Já Bolsonaro é favorável ao isolamento vertical, ou seja, apenas dos grupos de risco, como idosos e pessoas com outras doenças.
MUDANÇA NAS ENTREVISTAS
O ministro participou da primeira coletiva em novo formato. A partir de agora não haverá mais entrevista com integrantes da pasta na sede do ministério. As coletivas serão no Planalto, com a participação de outras pastas.