Publicado em 12 de junho de 2024 às 14:03
BRASÍLIA - O ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil-MA), criticou nesta quarta-feira (12) a atuação da Polícia Federal em investigação que aponta desvios de verba da estatal federal Codevasf.>
A declaração foi dada após divulgação de que a PF indiciou o ministro sob suspeita dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, falsidade ideológica e fraude a licitação.>
"Trata-se de um inquérito que devassou a minha vida e dos meus familiares, sem encontrar nada. A investigação revira fatos antigos e que sequer são de minha responsabilidade enquanto parlamentar", afirmou o ministro em nota.>
As suspeitas envolvem irregularidades em obras executadas em Vitorino Freire (MA), cidade governada por Luanna Rezende, irmã do ministro, e bancadas por emendas parlamentares indicadas no período em que o ministro de Lula atuava como deputado federal.>
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"A investigação, que deveria ser um instrumento para descobrir a verdade, parece ter se desviado de seu propósito original. Em vez disso, concentrou-se em criar uma narrativa de culpabilidade perante a opinião pública, com vazamentos seletivos, sem considerar os fatos objetivos", afirmou Juscelino.>
Em nota, ele também disse que o indiciamento é uma "ação política e previsível", "que parte de uma apuração que distorceu premissas, ignorou fatos e sequer ouviu a defesa sobre o escopo do inquérito".>
Juscelino também reforçou, na nota, que as suspeitas da PF não envolvem as atividades dele como ministro do governo Lula (PT).>
Um dos elementos utilizados pela PF é um relatório da CGU (Controladoria-Geral da União) sobre uma das obras ter beneficiado propriedades da família do ministro. O relatório final do caso foi enviado para o ministro Flávio Dino, relator do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal).>
A investigação teve início para as apurar suspeitas de desvios em obras da Codevasf, em especial as executadas pela empresa Construservice, cujo sócio oculto, aponta a PF, é o empresário Eduardo José Barros Costa, conhecido como Eduardo DP.>
A PF realizou três fases da operação Odoacro para buscar provas dentro do inquérito, sendo que Juscelino teve bens bloqueados na etapa mais recente, em setembro de 2023.>
"No exercício do cargo como deputado federal, apenas indiquei emendas parlamentares para custear obras. A licitação, realização e fiscalização dessas obras são de responsabilidade do Poder Executivo e dos demais órgãos competentes", disse Juscelino.>
A PF obteve mensagens de celulares apreendidos em etapa anterior da investigação que mostram diálogos de Juscelino e de Eduardo DP sobre a execução de obras e destinação de emendas. As conversas tornaram o ministro investigado.>
Ao longo da apuração, a PF mapeou três caminhos utilizados para desviar valores de contratos da Codevasf para o ministro de Lula.>
Os caminhos citados na investigação envolvem a pavimentação de estrada que beneficiava propriedades dele, as indicações de pagamentos a terceiros e a contratação de uma empresa que a PF suspeita ser do próprio Juscelino.>
"Durante o meu depoimento, o delegado responsável não fez questionamentos relevantes sobre o objeto da investigação. Além disso, o encerrou abruptamente após apenas 15 minutos, sem dar espaço para esclarecimentos ou aprofundamento", disse o ministro após o indiciamento.>
"Isso suscita dúvidas sobre sua isenção, repetindo um modo operante que já vimos na Operação Lava-Jata e que causou danos irreparáveis a pessoas inocentes", declarou ainda Juscelino.>
"É importante lembrar que o indiciamento não implica em culpa. A Justiça é a única instância competente para julgar, e confio plenamente na imparcialidade do Poder Judiciário. Minha inocência será comprovada ao final desse processo, e espero que o amplo direito de defesa e a presunção de inocência sejam respeitados", afirma a nota divulgada pelo ministro.>
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