Bolsonaro: "Nunca houve estremecimento nas relações com China e Índia"

O Brasil depende da China para a importação de matéria-prima para a produção de vacinas. Mas o país asiático é alvo de acusações e teorias da conspiração por parte de bolsonaristas, inclusive integrantes do governo federal

Publicado em 22/01/2021 às 14h40
Jair Bolsonaro em cerimônia Comemorativa do 80º aniversário do Comando da Aeronáutica.
Jair Bolsonaro em cerimônia Comemorativa do 80º aniversário do Comando da Aeronáutica. Crédito: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta-feira (22) que "nunca houve estremecimentos" nas relações do Brasil com a Índia e China. O mandatário disse que tem mantido conversas com autoridades dos dois países, mas não entrou em detalhes sobre os assuntos tratados. Nesta quinta-feira (21), em transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro já havia negado que o governo tenha problemas com a China. Em suas redes sociais, Bolsonaro também já cumprimentou membros do governo indiano envolvidos nas negociações das vacinas.

O Brasil depende da China para a importação de matéria-prima para a produção de imunizantes, que seguem em negociação. Já as tratativas com a Índia envolviam a entrega de 2 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, que foram autorizadas na quinta pelo governo indiano e devem chegar ao Brasil no fim da tarde desta sexta-feira. A previsão anterior era de que os imunizantes chegassem no último domingo (17).

"Nunca houve qualquer estremecimento nas relações entre Brasil e China e entre Brasil e Índia", disse Bolsonaro em fala à imprensa na saída do Palácio da Alvorada. Ele destacou que o país não fechou as portas para demais países, mas busca preservar sua soberania.

Jair Bolsonaro (sem partido)

Presidente da República

"A China precisa de nós e nós precisamos da China. E o mundo é assim. Jamais fechamos as portas seja qual país for"

"Estamos sempre prontos a atender os interesses nacionais e obviamente, preservar aquilo que temos de mais sagrado aqui que é nossa soberania", complementou o presidente.

Sob pressão pelo atraso dos imunizantes vindos da Índia e dos insumos chineses, o governo tem buscado se defender do desgaste envolvendo a imagem de sua área diplomática. "Obviamente, converso com autoridades, estive com o embaixador da Índia na semana passada. Também nosso ministro conversa com o embaixador da China entre outras autoridades, mas são conversas reservadas, lamento não poder divulgar a vocês", disse o presidente.

"Eu não falo com um chefe de Estado de qualquer país do mundo e vou tagarelar junto à imprensa. Isso não existe", acrescentou.

CRÍTICAS

Bolsonaro chegou a menosprezar a Coronavac, produzida pelo Butantan, ligado ao governo João Doria (PSDB), chamada por ele de "vacina chinesa" ou "vacina do Doria". Em outubro, disse que não compraria o imunizante.

E, mesmo após a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), continua a desprezar a eficácia das vacinas, não somente da produzida pelo Butantan, desencorajando as pessoas a se imunizarem, o que pode comprometer o controle da pandemia de Covid-19.

Agências de credibilidade internacional, além da Anvisa, já deram aval ao uso de vacinas contra a doença. A de Oxford, por exemplo, já é aplicada na população do Reino Unido.

Defensor de medicamentos contra o novo coronavírus que a ciência já comprovou que não funcionam, como a cloroquina, Bolsonaro diz que as vacinas é que não têm comprovação científica.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro fez questão de elogiar o ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, nas redes sociais. O chanceler também esteve ao lado do chefe do Executivo durante sua "live" semanal.

Como o Estadão revelou, Araújo foi excluído das conversas com o embaixador da China, Yang Wanming. Na quarta-feira (20), as tratativas com o representante chinês foram lideradas pelos ministros da Saúde, Eduardo Pazuello; da Agricultura, Tereza Cristina, e das Comunicações, Fábio Faria.

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