> >
Fachin anuncia Cármen Lúcia para relatar código de ética do STF

Fachin anuncia Cármen Lúcia para relatar código de ética do STF

Presidente do tribunal afirma que haverá compromisso com proposta em meio a desgaste da corte

Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 19:35

BRASÍLIA - O ministro Luiz Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta segunda-feira (2) que magistrados devem responder pelos próprios atos, pregou clareza de limites e respeito a críticas republicanas, defendeu autocorreção e falou no desafio de integridade das instituições e no compromisso da corte com um código de ética.

Em discurso para a abertura do ano judiciário e em meio ao desgate do STF, Fachin também anunciou a ministra Cármen Lúcia para a relatoria do código de conduta defendido por ele – projeto alvo de cobranças da sociedade civil nos últimos meses, mas que enfrenta resistência de parte dos magistrados.

"A questão é saber se já chegou a hora de o tribunal sinalizar, por seus próprios atos, que o momento é outro. Minha convicção é que esse momento chegou. A fase agora é da retomada plena da construção institucional de longo prazo", disse Fachin.

Sessão Solene de Abertura do Ano Judiciário no Supremo Tribunal Federal (STF)
Sessão solene de abertura do ano judiciário no STF Crédito: Antonio Augusto/STF

A solenidade ocorreu após um recesso conturbado por uma crise de imagem do STF. No período, Fachin tentou contornar a questão e chegou a voltar a Brasília nas férias para conversar com colegas do tribunal.

Houve um pedido especial do presidente do STF para que todos os ministros fossem presencialmente à sessão solene desta segunda (2). A exceção ficou por conta do ministro Luiz Fux, que teve diagnóstico de pneumonia. O magistrado avisou a Fachin que, devido à condição, participaria de forma remota.

Na sessão, Fachin afirmou que as instituições devem colher aprendizados para se manterem íntegras. De acordo com ele, é preciso que tenham clareza de limites para a atuação.

"Abrimos o ano com plena consciência de que momentos de adversidades exigem mais do que discursos. Pedem clareza de limites e fidelidade absoluta à Constituição Federal."

No discurso, o presidente do STF reforçou em mais de um momento a sua bandeira para a construção de um documento que trata da conduta dos ministros, inclusive no encerramento de sua fala. De acordo com ele, manter a magistratura firme e íntegra reforça a legitimidade da democracia.

"Seguirei buscando dar à sociedade brasileira segurança jurídica com legitimidade. Reafirmo o compromisso com a adoção de um código de ética para o tribunal", concluiu.

A solenidade tinha as presenças esperadas dos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) tiveram a palavra para manifestações.

Também compareceu o advogado-geral da União, Jorge Messias. Ele foi indicado em novembro por Lula para a vaga aberta no STF com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, mas ainda não passou pela sabatina no Senado. A corte inicia 2026, portanto, com um ministro a menos.

Fachin convidou os ministros para reunião em 12 de fevereiro – um almoço de confraternização, mas há expectativa de que o código de conduta entre no cardápio.

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais