Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 19:26
BRASÍLIA - O presidente Lula (PT) elogiou nesta segunda-feira (2) operações que miraram financiadores do crime organizado, em mais uma citação a respeito do chamado "andar de cima", durante seu discurso na abertura dos trabalhos do Judiciário de 2026.>
"Com a operação Carbono Oculto, o Poder Judiciário, a Polícia Federal e a Receita Federal chegaram aos mandantes do crime organizado. Magnatas do crime, que vivem no andar de cima, que não estão nas comunidades, e sim em alguns dos endereços mais nobres no Brasil e no exterior", declarou.>
A operação citada por Lula apurou crimes financeiros e lavagem de dinheiro que envolviam a facção PCC (Primeiro Comando da Capital), gestoras da Faria Lima e o setor de combustíveis.>
Esta segunda (2) marca a retomada dos julgamentos em plenário do STF, após o recesso de final de ano.>
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A escolha por discursar na abertura do Judiciário cabe ao presidente da República. A escolha por falar ocorre em um momento de tensões internas no Supremo diante do escândalo do Banco Master, cujo relator do caso na corte é o ministro Dias Toffoli. No ano passado, Lula não discursou.>
As investigações mostraram proximidades do magistrado com um dos advogados da causa, levantando questionamentos sobre sua posição na relatoria do caso.>
Toffoli viajou de jatinho com esse advogado no final de novembro. Além disso, negócios familiares associam os seus irmãos a um fundo de investimentos ligado à instituição financeira. Sobre o tema, o presidente do STF já afirmou que a investigação tende a sair da corte.>
Lula já se manifestou publicamente de forma crítica sobre as fraudes do banco. O presidente reuniu, no Palácio do Planalto ainda neste mês, autoridades envolvidas na investigação para tratar do tema. Entre elas, o ministro Alexandre de Moraes, o diretor da Receita, Robinson Barreirinhas, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.>
Após o encontro, o petista se referiu às investigações em torno do caso Master como um momento histórico para o país e disse que o Estado brasileiro irá derrotar o crime organizado, durante cerimônia da posse de seu novo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.>
Como mostrou a Folha de S. Paulo, ele também manifestou irritação a aliados com a conduta de Toffoli na relatoria e deu sinais de que não pretende defender o ministro.>
No discurso desta segunda, Lula também citou a questão do feminicídio e relembrou do Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que será firmado entre os três Poderes nesta quarta-feira (4). Falas de combate à violência contra a mulher passaram a ser mais recorrentes nos discursos de Lula após episódios recentes de repercussão pelo país.>
"Assassinos e agressores devem ser punidos com todo o rigor da lei, mas é preciso também educar os meninos. E conscientizar os homens de que nada, absolutamente nada, justifica qualquer forma de violência contra meninas e mulheres. Seja na realidade ou no ambiente digital.">
"Mais que um Pacto entre Executivo, Legislativo e Judiciário, esse precisa ser um pacto que envolva toda a sociedade brasileira. Um pacto que envolva, sobretudo, os homens deste país", disse.>
Ainda, Lula reforçou mensagens em defesa à democracia, com menções diretas aos ataques do 8 de janeiro de 2023.>
"Democracia se constrói com eleições livres, mas se preserva com instituições capazes de defendê-las. Uma democracia sólida exige instituições confiáveis, mecanismos de prestação de contas e proteção contra abusos de poder. A condenação dos golpistas deixou uma mensagem clara: Os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei.">
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