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Coronavírus

Bolsonaro diz que falta humildade a Mandetta, mas não vai demiti-lo 'na guerra'

Presidente e ministro da Saúde têm posturas distintas quanto ao combate ao novo coronavírus. Bolsonaro, contrariando a ciência, diz que é 'gripezinha'

Publicado em 02 de Abril de 2020 às 20:42

Redação de A Gazeta

Publicado em 

02 abr 2020 às 20:42
O presidente Jair Bolsonaro afirmou em entrevista à Jovem Pan nesta quinta-feira (2) que está faltando "humildade" ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Presidente Jair Bolsonaro limpa as mãos com álcool em gel oferecido pelo ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta
Presidente Jair Bolsonaro limpa as mãos com álcool em gel oferecido pelo ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta Crédito: Carolina Antunes/PR
"Tá faltando um pouco mais de humildade pro Mandetta", disse o presidente. "O Mandetta em alguns momentos teria que ouvir um pouco mais o presidente da República", afirmou.
Segundo Bolsonaro, o ministro "extrapolou um pouco" na crise do coronavírus.
Procurado pela reportagem, o ministro da Saúde afirmou que não iria comentar. "Nunca fiz nenhum comentário sobre as ações dele. Não se comenta o que o presidente da República fala."
Ao jornal "O Globo" também foi econômico nas palavras:  "Não achei nada, não. Não estou sabendo de nada. Estou trabalhando aqui".
"O Mandetta já sabe que a gente tá se bicando há um tempo", disse o presidente.
Bolsonaro nega, porém, que pretenda demitir o ministro que ganhou protagonismo no combate à pandemia do novo coronavírus. "Não pretendo demiti-lo no meio da guerra."
"Agora, ele [Mandetta] é uma pessoa que em algum momento extrapolou", declarou o presidente.
Bolsonaro diz que montou um ministério de acordo com sua vontade. "A gente espera que ele [Mandetta] dê conta do recado agora."

MORO E GUEDES AO LADO DE MANDETTA

Os ministros Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) uniram-se nos bastidores no apoio a Mandetta e na defesa da manutenção das medidas de distanciamento social e isolamento da população no combate à pandemia.
O trio formou uma espécie de bloco antagônico, com o apoio de setores militares, criando um movimento oposto ao comportamento do presidente Bolsonaro, contrário ao confinamento das pessoas, incluindo o fechamento do comércio.
Pressionado, o titular da Saúde deixou claro ao presidente, em reunião no último sábado (28), que não vai se demitir nem mudar de posição.
Mandetta foi aconselhado por aliados a se manter firme por ter se tornado "indemissível" num momento de pandemia. Se partir de Bolsonaro uma decisão de retirá-lo de sua equipe, caberá ao presidente assumir o ônus.
"Enquanto eu estiver nominado, vou trabalhar com ciência, técnica e planejamento", disse Mandetta em entrevista na segunda-feira (30).
Uma intervenção de Bolsonaro, no entanto, já busca tirar a visibilidade do ministro da Saúde, como ocorreu na apresentação do cenário diário da pandemia - transferida agora para o Planalto e com a participação de outros titulares de pastas do governo, e não só de Mandetta.
No campo político, o ministro da Saúde conta com o apoio dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (AP), ambos do DEM, partido de Mandetta. É endossado ainda pelos principais governadores e prefeitos.
Segundo o Datafolha, o trabalho da pasta de Mandetta na crise do coronavírus é aprovado por 55% da população. O índice é bem superior aos 35% que aprovam o trabalho de Bolsonaro, e próximo aos 54% que aprovam a gestão dos governadores em relação ao coronavírus.

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