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É coordenador da Faixa de Domínio da Ecovias Capixaba

Quando a obra encontra a vida real: como se darão os novos contornos urbanos da BR 101

O detalhamento quantitativo dos imóveis localizados na faixa de domínio da concessão rodoviária dos contornos de Ibiraçu e Fundão revela um total de 875 edificações sujeitas a processos de reassentamento

  • Matheus Oliveira É coordenador da Faixa de Domínio da Ecovias Capixaba
Publicado em 06/03/2026 às 16h00

Obras de infraestrutura sempre representam avanço: mais segurança, mais fluidez, mais desenvolvimento. Mas, antes de qualquer máquina entrar em campo, existe uma etapa essencial que nem sempre aparece nas fotos: o cuidado com as pessoas que vivem, trabalham ou dependem das áreas impactadas pelo traçado da obra.

Na Ecovias Capixaba, que inicia neste ano as obras dos contornos urbanos de Ibiraçu e Fundão, parte do novo ciclo de modernização da BR 101 que envolve 875 imóveis, essa etapa tem um nome: PAR, o Plano de Ação de Reassentamento.

O PAR é uma ferramenta reconhecida internacionalmente e aplicada em grandes projetos de infraestrutura para garantir que famílias eventualmente reassentadas tenham suas condições de moradia, renda e qualidade de vida preservadas ou melhoradas. Seu objetivo central é simples, mas muito poderoso: nenhuma pessoa pode experimentar perda ou retrocesso por causa de uma obra.

Trecho duplicado da BR 101 na Serra
Trecho duplicado da BR 101 na Serra. Crédito: Ecovias Capixaba

Isso significa evitar qualquer forma de despejo forçado e assegurar que todo o processo, desde o cadastro socioeconômico até a mudança, compensação e monitoramento, seja conduzido com transparência, diálogo e participação.

O detalhamento quantitativo dos imóveis localizados na faixa de domínio da concessão rodoviária revela um total de 875 edificações sujeitas a processos de reassentamento ao longo do eixo concedido.

Nos contornos de Ibiraçu e Fundão, o PAR será especialmente relevante. Por serem obras que afastam o fluxo pesado das áreas urbanas, liberam o centro das cidades e aumentam significativamente a segurança viária, elas também atravessam áreas que há décadas convivem com ocupações, pequenos comércios, atividades rurais e laços comunitários consolidados. Não se trata apenas de traçar uma nova pista: trata-se de compreender o contexto social que existe no local.

O PAR é o instrumento por meio do qual a concessionária busca compreender e mitigar os impactos sociais eventualmente gerados pelas obras. O trabalho começa com conversas presenciais e um diagnóstico social detalhado, que permite conhecer a realidade de cada família e identificar eventuais situações de vulnerabilidade ou de deslocamento físico ou econômico.

A partir dessa análise, quando necessário e sendo de interesse da família, são estruturadas medidas de apoio específicas, como orientação social, compra assistida de imóvel substituto, suporte no processo de mudança e acompanhamento após o reassentamento. O objetivo é garantir que essa transição ocorra de forma responsável e humanizada, preservando as condições de vida das famílias e conduzindo o processo com respeito e cuidado.

Esse trabalho, conduzido com rigor técnico e sensibilidade social, é fundamental para que possam ser realizadas obras tão importantes para o Estado, como as duplicações e os contornos urbanos, com legitimidade, segurança jurídica e respeito às pessoas.

Quando se fala em duplicar a BR 101, melhorar acessos, construir pontes ou implantar contornos urbanos, não se trata apenas de engenharia. Trata-se, isso sim, de vidas, trajetórias e escolhas que precisam ser consideradas com o mesmo nível de atenção dedicado ao planejamento e à execução das obras.

Sabe-se que o sucesso de um empreendimento rodoviário depende tanto da qualidade técnica quanto da capacidade humana de ouvir, dialogar e construir soluções conjuntas. O PAR é o instrumento que materializa esse compromisso.

Os contornos de Ibiraçu e Fundão serão marcos importantes para o desenvolvimento do Espírito Santo. Mais importante ainda será poder dizer, ao final desse processo, que evoluíram juntos a rodovia, as cidades e as pessoas.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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