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Manaus sem oxigênio: crise humanitária ou de humanidade?

A culpa não é do vírus e a crise não é de oxigênio. A crise é precedente e muito mais grave e profunda: é de ética, cidadania e humanidade

Publicado em 17/01/2021 às 08h00
Parentes de pacientes internados no hospital 28 de Agosto reagem, em meio ao surto da doença coronavírus (COVID-19) em Manaus, Brasil, em 14 de janeiro de 2021. REUTERS / Bruno Kelly ORG XMIT: GGGRJO16
Parentes de pacientes internados no hospital 28 de Agosto reagem com emoção, em meio ao surto da Covid-19 em Manaus. Crédito: REUTERS / Bruno Kelly /AP

Presenciamos estarrecidos e atônitos à situação dos amazonenses, no angustiante e trágico colapso da reserva de oxigênio do sistema de saúde, que chamou a atenção mundial para aquele Estado e para a pandemia do Covid-19 em nosso país.

Autoridades, políticos nas três esferas de poder e a própria OMS passaram a discutir quem falhou, onde falhou, o que poderia ter sido feito para que o colapso não tivesse acontecido, na busca de um culpado por tudo isso, na já mais que politizada pandemia brasileira.

E não há, definitivamente, um só culpado. Na cadeia de causalidade todos são culpados.

Falha o gestor que por corrupção ou ineficiencia não aloca adequadamente os recursos necessários ao enfrentamento da crise, utilizando-os com planejamento, de modo a garantir a integralidade de atendimento aos contaminados pelo vírus, falha o gestor que por interesses políticos ou econômicos não adota as medidas necessárias à redução de circulação de pessoas, exigidas em um momento tão critico como o vivenciado no planeta.

Mas, sobretudo, falha o cidadão que, não obstante consciente de todos os fatos, insiste em um comportamento negacionista com profunda pulsão de morte, lançando-se à própria sorte, apesar de tudo que presenciou e vivenciou.

Definitivamente, a culpa não é do vírus e a crise não é de oxigênio. A crise é precedente e muito mais grave e profunda: é de ética, cidadania e humanidade.

Enquanto o egoísmo e o individualismo preponderarem estaremos sujeitos, coletivamente, a rigorosos e tenebrosos "invernos".

O autor é promotor de Justiça do MPES

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