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Cultura e boa comida são convites ao lazer na Região Central Serrana

Municípios da Central Serrana precisaram procurar alternativas econômicas após medidas de isolamento social terem afetado negócios de lazer e cultura

Publicado em 24/11/2021 às 04h50
Santa Teresa fica toda florida durante o mês de setembro
Santa Teresa fica toda florida durante o mês de setembro. Crédito: Junior Follador/Prefeitura de Santa Teresa

Com belezas naturais e forte influência da cultura pomerana e italiana, a Central Serrana é rota de turismo e lazer no Espírito Santo. Tudo nesse cantinho do Estado encanta, desde a arquitetura e comidas típicas até o clima mais frio no inverno dessa microrregião, que tem muitos atributos para crescer ainda mais e atrair novos negócios sustentáveis nas áreas de turismo e agronegócio.

Para fortalecer as características regionais e expandir as oportunidades, Santa Teresa, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Itaguaçu e Itarana precisam apostar em integração. A proposta é criar uma espécie de rota turística e cultural nas montanhas, conforme aponta o diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves, Pablo Lira.

O Produto Interno Bruto (PIB) da região é de R$ 2,5 bilhões, sendo que o setor de serviços é responsável por 54% do indicador, impulsionado pelo turismo agropecuário e de montanha.

Santa Teresa, por exemplo, tem a Rua de Lazer e o Festival de Jazz & Bossa, enquanto que Santa Maria de Jetibá celebra a história da imigração pomerana durante a Festa do Colono. Isso sem esquecer o turismo de aventura de Itarana e Itaguaçu.

“Esses atrativos contribuem para agregar valor à produção local e projetar essas cidades para todo o Estado e para o Brasil. Os imigrantes europeus colonizaram a região e até hoje essa composição cultural é mantida. Esses são fatores que tornam o turismo bastante forte no local. Além disso, a proximidade com a Região Metropolitana, é considerada uma vantagem”, aponta Lira.

As prioridades da região são discutidas durante reunião do Conselho de Desenvolvimento da Regional Central Serrana, presidido pelo prefeito de Santa Teresa, Kleber Medice.

Entre as iniciativas está a implantação do selo turístico das Três Santas e dos programas para a melhora dos recursos hídricos. “Para que se tenha o desenvolvimento esperado, precisamos da colaboração do Estado com a infraestrutura, ou seja, melhoria das estradas e retomada dos programas de recursos hídricos, como o Reflorestar e a manutenção das barragens. Essas medidas vão ajudar o sistema produtivo como um todo”, observa Medice.

O prefeito de Santa Teresa quer ainda ampliar circuitos turísticos, como o Caravaggio. Ele lembra que, no local, estão instaladas diversas cervejarias, pousadas, restaurantes, vinhedos e a rampa de voo livre. Para isso, a prefeitura aguarda a ordem de serviços para que o governo do Estado faça a pavimentação das estradas.

Além do turismo, a economia da Central Serrana também é pautada pelo setor primário. O agronegócio representa 31% do PIB local. Pablo Lira avalia que a atividade econômica é responsável por manter um número considerável de pessoas em áreas rurais, com destaque para as pequenas propriedades familiares, sobretudo as que cultivam café conilon e hortifrúti.

A Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) ressalta que Santa Maria de Jetibá, por exemplo, evidencia-se na produção de ovos, sendo o segundo maior produtor do Brasil.

O vice-presidente do Conselho Regional de Economia, seccional Espírito Santo (Corecon-ES), Leandro Lino, aponta que a cidade também é considerada a maior produtora de hortifrúti, enquanto que em Santa Leopoldina é forte o cultivo de gengibre e hortaliças.

Pablo Lira acrescenta que, para desenvolver o agronegócio, é essencial reforçar o associativismo e o cooperativismo, dado o alto percentual dessa atividade.

Entretanto, o economista Vaner Corrêa alerta sobre a importância de estruturar uma agricultura mais sustentável, eliminando o uso de agrotóxico nas lavouras. “É possível melhorar, fazer essa transformação. A contaminação impacta diretamente a saúde pública. É possível cultivar sem estragar o meio ambiente”, observa.

Outra orientação é apostar na profissionalização das lavouras, fomentar o turismo e a produção de café e uva, criar o espírito empreendedor entre os produtores e ainda instalar escolas técnicas e superiores voltadas para o agronegócio.

Corrêa acredita que algumas iniciativas podem contribuir para o fortalecimento da microrregião e o crescimento dos produtores rurais. Uma delas seria a possibilidade de oferecer linhas de crédito mais baratas.

“Se isso for feito de maneira inteligente, vai valer muito a pena. Esse tipo de alternativa ajuda no desenvolvimento, incentiva o empreendedorismo e garante uma melhora na produção como um todo”, pondera.

O diretor do Instituto Jones lembra que dois municípios foram incluídos recentemente na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que concede benefícios fiscais às empresas: Itarana e Itaguaçu.

“Quem investir nas duas cidades terá estímulos fiscais, redução de tributos e acesso à linha especial no Banco do Nordeste. Essa inclusão tende a atrair empresas para esses municípios”, explica Lira. ;

ESFORÇO PARA RECUPERAR O TURISMO PÓS-PANDEMIA

Com a pandemia do novo coronavírus, as prefeituras da microrregião Central Serrana tiveram de suspender todo o calendário de eventos, responsáveis por grande parte do fluxo de pessoas e de recursos nos municípios. No entanto, com a melhora gradativa dos indicadores da doença no Espírito Santo, algumas programações estão sendo retomadas.

Em Santa Teresa, já estão confirmados os festivais gourmet e de música e a festa do imigrante italiano, afirma o prefeito do município, Kleber Medice.

Além de fortalecer o turismo, setor tão afetado pelo isolamento social, os municípios têm o desafio de readequar a infraestrutura das escolas. Segundo Medice, em Santa Teresa, as escolas da rede municipal serão todas reformadas nos próximos anos.

“Também já foi aprovada na Câmara a liberação de uma área para a construção de uma creche. As obras devem começar em meados do próximo ano. No município, não há creche com berçário, e muitas mães precisam deixar de trabalhar por não terem onde deixar seus filhos”, comenta.

Recentemente, aliás, a prefeitura realizou algumas melhorias importantes que eram reivindicadas por professores e pedagogos efetivos já há algum tempo, como a aquisição de novos brinquedos para todas as escolas de ensino fundamental e a adequação do salário-base do magistério. O prefeito anuncia ainda que a cidade vai receber uma brinquedo-praça e uma brinquedoteca a partir de 2022.

A microrregião registra um alto desenvolvimento na Educação, de acordo com dados do índice Firjan. Os municípios apresentam indicadores entre 0,824 e 0,886.

Itaguaçu e Santa Teresa têm as avaliações mais elevadas da Central Serrana, com 0,886 e 0,862, respectivamente, sendo que o município de Santa Leopoldina é o que apresenta o menor índice, de 0,824, ainda assim considerado de alto desenvolvimento. A média estadual é de 0,836.

A maioria dos municípios da Central Serrana ainda é bem avaliada no quesito Saúde, com índices variando entre 0,831 e 0,926. A exceção é Itarana, que tem um indicador moderado (0,653), conforme levantamento da Firjan.

Os municípios que apresentam as maiores médias são: Santa Leopoldina (0,926), Santa Maria de Jetibá (0,907) e Itaguaçu (0,906).

Em Santa Teresa, a prefeitura continua ampliando os serviços ofertados à população. Entre essas iniciativas, está o aumento das especialidades oferecidas no Hospital Madre Regina Protmann, que atende a um conjunto de oito municípios da região.

Medice afirma que as iniciativas incluem ainda a reforma da unidade de Saúde de Vila Nova e da Policlínica. “Desde o início de 2021, estávamos com várias demandas reprimidas de exames e consultas. Aos poucos estamos reduzindo o período de espera dos pacientes por atendimento”, pontua.;

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