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Locomotivas elétricas prometem contribuir para redução do uso de combustível fóssil e garantir mais sustentabilidade à movimentação de cargas. Crédito: Vale/Divulgação

Logística do ES tem de locomotiva elétrica a estrada conectada

Projetos de infraestrutura em desenvolvimento em território capixaba vão contribuir para transformar o Estado em grande polo de movimentação de cargas

Tempo de leitura: 7min
Publicado em 24/11/2021 às 04h01

Na esteira do movimento de retomada da economia capixaba, levantamento da Federação das Indústrias do Estado (Findes) revela que o Espírito Santo deve receber, nos próximos cinco anos, um conjunto de investimentos em eficiência energética e infraestrutura logística que somam mais de R$ 64 bilhões.

De acordo com o estudo,  realizado em 2020 pela organização, os projetos de infraestrutura concentram o maior volume de investimentos previstos ou já autorizados para o Espírito Santo.

Além de criar empregos e impactar a melhora da renda e da qualidade de vida da população capixaba, essas obras vão facilitar o tráfego de pessoas e mercadorias, garantindo mais eficiência às atividades econômicas do Estado. Uma das novidades será a expansão da internet Logística tem de trem elétrico a estrada conectada 4G pela área rural da BR 101, um investimento que começará a ser aplicado a partir de 2023 no país.

BR 101 terá acesso à internet 4G nas áreas rurais que não contam com cobertura das operadoras
BR 101 terá acesso à internet 4G nas áreas rurais que não contam com cobertura das operadoras. Crédito: Vitor Jubini

Ambientalmente correto, o deslocamento por bicicletas está sendo incentivado pelas gestões estadual e municipais. No planejamento das prefeituras a Grande Vitória, estão a construção de novas ciclovias em 2022.

Atualmente, a malha cicloviária da Região Metropolitana, que é de 163 quilômetros, distribuídos entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, deve ser ampliada em mais 76 quilômetros, na expectativa das prefeituras. Além de reduzir o número de veículos e reorganizar o trânsito nas cidades, o investimento contribui com a segurança dos ciclistas.

Outras obras de mobilidade também estão sendo realizadas pela Secretaria de Estado de Mobilidade e Infraestrutura nos principais pontos de gargalo da região metropolitana: o Portal do Príncipe, a Ampliação e Ciclovia da Vida da Terceira Ponte e o Complexo Viário de Carapina. Nessas intervenções serão implantados 12 quilômetros de novas ciclovias, interligadas às redes cicloviárias dos municípios.

Além das faixas para bicicletas, a Terceira Ponte ganhará duas novas pistas para veículos, que facilitarão a mobilidade de quem se desloca entre os municípios de Vitória e Vila Velha. As obras, iniciadas em julho de 2021, têm previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2023 e vão custar R$ 127 milhões.

Segundo a Prefeitura de Vitória, estão previstas para a Capital quatro novas ciclovias: nas avenidas Rio Branco e Marechal Campos, uma rota ligando a Praça dos Namorados até o Tancredão e faixa para bicicletas no bairro São Pedro, dentro do projeto de revitalização da Orla Noroeste.

Vitória ganhará novas quatro ciclovias. Uma delas é na Orla Noroeste, na Região de São Pedro
Vitória ganhará novas quatro ciclovias. Uma delas é na Orla Noroeste, na Região de São Pedro. Crédito: Perspectiva/ Prefeitura de Vitória/Divulgação

Outra obra que promete mudar a vida dos usuários é a duplicação da BR 262, com a previsão de gerar 12 mil empregos diretos durante o período de concessão. Com investimento da ordem de R$ 7,7 bilhões, a empresa que vencer o leilão terá de realizar obras de melhorias e de ampliação da via, que reduzirão o custo do transporte, o tempo de viagem dos usuários e garantirão mais segurança para motoristas e para a população das cidades cortadas pela rodovia.

De acordo com informações do Ministério da Infraestrutura, entre as melhorias previstas estão vias marginais, faixas adicionais, contorno na cidade de Manhuaçu (MG), dispositivos em nível e em desnível, travessias de pedestres, reparos de sinalização, construção de passarelas e travessias urbanas, obras de contenção de encostas e pontos de ônibus.

A estrada terá também recuperação do pavimento, manutenção e conservação ao longo de todo o período de concessão e prestação de serviços aos usuários.

Considerada gargalo logístico, a BR 262 é uma importante rota econômica, tanto para o turismo quanto para o escoamento de produtos, ao conectar importantes polos industriais, comerciais e agrícolas do Estado.

Por isso, a modernização da rodovia é fundamental para o desenvolvimento do Estado, avalia o presidente do Conselho de Infraestrutura da Findes (Coinfra/Findes), Gustavo Barbosa.

“É até difícil de mensurar a importância. As obras podem elevar o Estado a um outro patamar logístico e de competitividade nacional, como importante centro de distribuição. Impacta não somente a economia, mas também a vida das pessoas diretamente. O transporte rodoviário é utilizado pelas famílias para o lazer, o que acaba desenvolvendo outras cadeias, como o turismo”, pontua, acrescentando que os investimentos em infraestrutura ficam como legado para a sociedade.

No bojo dos novos empreendimentos em infraestrutura, também se destacam as obras de construção do ramal ferroviário entre Cariacica Anchieta. Com investimento total de R$ 3 bilhões, o projeto deve gerar mais de 1.800 empregos diretos durante a construção do primeiro trecho daquela que se tornará a ferrovia Vitória-Rio (EF 118).

A nova linha férrea é um dos investimentos previstos para a Vale poder renovar seu contrato de concessão das estradas de ferro Vitória a Minas (EFVM) e Carajás (EFC), o que impulsionará a expansão da produção de minério de ferro no Estado.

Para o setor produtivo capixaba, a ferrovia vai reduzir custos com frete por meio da conexão pelo modal ferroviário com portos importantes, como o Porto de Ubu, em Anchieta, o Porto Central, que será instalado em Presidente Kennedy, e o do Açu, no Rio de Janeiro. Isso porque a EF 118 é parte do Corredor Logístico Centro-Leste, que atende à demanda de exportação de grãos, siderurgia, carvão, fertilizantes e combustíveis, conectando as regiões produtoras com terminais exportadores e importadores.

Sobre o projeto, a Vale informou que mantém diálogo com o governo do Estado e com o governo federal. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) está avaliando técnica e economicamente, por indicação do Ministério da Infraestrutura, a construção de um ramal ferroviário como extensão da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) de Santa Leopoldina a Anchieta. Esse é um investimento adicional da Vale previsto como parte da prorrogação antecipada da concessão da EFVM, assinada em 2020.

Também há novas tecnologias sendo aplicadas ao transporte de cargas. Atualmente, a Vale, por exemplo, testa a primeira locomotiva elétrica a bateria da mineração brasileira, que começou a operar em 2020, na Unidade Tubarão, em Vitória.

O trem faz parte do programa PowerShift, criado pela mineradora, que visa a substituir sua matriz energética por fontes limpas. Além de cortar as emissões de gases de efeito estufa ao trocar o uso de diesel por eletricidade, o equipamento diminuirá ruídos, reduzindo a poluição sonora.

Também na unidade de Tubarão, a companhia desenvolve o projeto-piloto de ônibus 100% elétricos no transporte de funcionários. Com autonomia para percorrer 300 km e um tempo de recarga de quatro horas, os dois veículos estão em fase de avaliação de performance e viabilidade.

Na infraestrutura portuária, recebem destaque as obras da mineradora no Porto de Tubarão que vão abrir 1.500 empregos diretos no próximo ano. A companhia prevê investir R$ 4 bilhões em quatro anos no complexo portuário. A maior parte desse investimento será empregada em transporte de minério e gestão hídrica.

Perspectiva do Porto da Imetame em Aracruz
Perspectiva do Porto da Imetame, no Litoral Norte do Espírito Santo. Construção vai criar 900 empregos diretos e indiretos. Crédito: Imetame/Divulgação

Já no Porto da Imetame, em Aracruz, as obras de construção do terminal portuário, que terão investimento de R$ 1 bilhão, vão criar mais de 900 empregos entre diretos e indiretos. O empreendimento é considerado pela Findes uma das obras de infraestrutura mais importantes para a expansão do mercado de exportação capixaba.

R$ 1 BILHÃO

é o valor do investimento no Porto da Imetame, em Aracruz. Obra vai expandir as exportações capixabas

OS DESAFIOS PARA A ECONOMIA CAPIXABA

O economista e membro do Conselho Regional de Economia do Estado (Corecon-ES) Eduardo Araújo pondera que, embora a economia do Espírito Santo cresça mais que a média brasileira, o avanço projetado para os próximos meses será insuficiente para garantir a recuperação dos empregos que foram perdidos na pandemia do novo coronavírus e durante a paralisação das atividades de mineração, devido ao rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais.

“Tem-se um quadro de desempregos hoje que é praticamente o dobro do que se tinha em 2014. Preocupa o fato de que nesses últimos anos a população cresça a uma taxa média de 1% ao ano, enquanto o PIB tem registrado queda média de 1% ao ano. A economia do Espírito Santo ainda é pouco diversificada, dependente de exportações de produtos básicos, como petróleominério e chapas de metal. A diversificação econômica requer ações mais agressivas para atração de novas empresas”, pontua.

Araújo avalia que a melhor forma de realizar projetos não é concedendo subsídios tributários, mas sim realizando investimentos e políticas públicas para aprimorar a infraestrutura e melhorar o ambiente de negócios.

“Além disso, há um grande potencial no Estado para o turismo. Investimentos para melhorar acessos e saneamento básico podem contribuir para valorizar as regiões turísticas”, avalia complementa.

Para o economista, no próximo ano, os setores de serviços e comércios deverão continuar em crescimento, recuperando as perdas que tiveram durante a pandemia, devido ao avanço da vacinação contra a Covid-19 e aos recursos de programas assistenciais.

“De outro lado, o setor industrial deverá continuar amargando algumas perdas, devido ao custo da energia elétrica, falta de insumos e elevação da taxa de juros”, analisa.

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