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Charlene de Lemes Gonçalves, de 40 anos, foi assassinada pelo ex companheiro
Charlene de Lemes Gonçalves, de 40 anos, foi assassinada pelo ex companheiro. Crédito: Arquivo pessoal

Morta pelo ex, Charlene sonhava com a casa própria para manter família unida

Charlene de Lemes Gonçalves, de 40 anos, foi assassinada pelo ex companheiro, em Marataízes.  Uma das filhas dela, Ysaquiely, de 11 anos, acabou morta ao tentar proteger a mãe

Cachoeiro de Itapemirim / Rede Gazeta
Publicado em 21/09/2021 às 19h06

A cuidadora de idosos e cozinheira Charlene de Lemes Gonçalves, 40 anos, teve a vida interrompida de forma brutal pelo ex companheiro na última quarta-feira (15). Na intenção de proteger a mãe dos golpes de faca, Ysaquiely Junia Gonçalves de Araújo, de 11 anos, também acabou morta. Com quatro filhas, Charlene lutava para cuidar da casa e manter a família unida. 

No dia do crime, o ex companheiro da cuidadora, Michael Prates Garcia, de 31 anos, invadiu a residência com uma faca. Ele não aceitava o fim do relacionamento e foi preso em flagrante logo em seguida.

Charlene nasceu no Rio de Janeiro, mas ainda pequena se mudou com a família para Cachoeiro de Itapemirim. A filha, Lara Emanuelly Gonçalves da Silva, de 18 anos, conta que a mãe sempre trabalhou duro para sustentar a família. Foi em busca de novas oportunidades que Charlene se mudou para Marataízes, em 2018.

“Em boa parte da vida ela foi cuidadora de idosos, trabalhava dia sim e dia não. Também trabalhava cozinhando para um time de futebol da cidade, todos os dias. Eu fui morar com elas quando meu filho nasceu, há seis meses. Meu filho era o amor da vida dela”, conta Emanuelly.

Emanuelly lembra que a mãe era o pilar da família: Charlene foi pai e mãe de todas as filhas, uma delas com deficiência auditiva. “Era a protetora de todos, muito forte, nada a abalava. Não via minha mãe chorar por mais que estivesse com problemas”, relembrou a filha.

Charlene  estava inscrita em um programa de habitação de Marataízes e, em breve, seria beneficiada com uma casa popular para sair do aluguel. “Era o sonho dela, ter uma casa, nos deixar bem”, disse.

No dia do crime, durante o dia, Charlene e Michael chegaram a discutir. “Eles ficaram juntos por três anos. Mas, depois que terminaram a primeira vez, ele se transformou. Chegou a nos ameaçar, dizendo que ia matar a família toda. Ele acabou com nossa vida. Perdão só se for de Deus, minha família guarda muito ódio. Nossa vida era nossa mãe”, afirma Emanuelly.

Irmã sonhava em conviver com o pai

Ysaquiely Junia Gonçalves de Araújo, de 11 anos, era a caçula das irmãs. Estudiosa, a menina era conhecida pela alegria na escola onde estudava em Marataízes. “Minha irmã era uma menina que só ficava dentro de casa, estudiosa e madura. As vezes, ela é quem me dava conselhos”, relembrou a irmã mais velha.

Ysaquiely Junia, de 11 anos, tentou defender a mãe de ser esfaqueada
Ysaquiely Junia, de 11 anos, tentou defender a mãe de ser esfaqueada. Crédito: Reprodução/ Facebook

Quando estava arrumando as coisas da mãe e de Ysaquiely, Emanuelly encontrou uma carta endereçada ao pai dela, que está preso. “Ela contava que não ia mais visitá-lo pois não gostava do lugar. Dizia que queria estudar, para dar uma casa ao pai e ele cuidar dela”.

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