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Há 2 anos

Parkinson: entenda a doença do cantor Milton Nascimento

Lentidão nos movimentos, tremores e rigidez muscular estão entre os sintomas mais conhecidos da doença que afeta principalmente idosos

Publicado em 06 de Março de 2025 às 13:45

Guilherme Sillva

Publicado em 

06 mar 2025 às 13:45
Milton Nascimento no desfile da Portela
Milton Nascimento convive com Parkinson há dois anos Crédito: Thiago Ribeiro/AGIF/Folhapress
O cantor Milton Nascimento convive com Parkinson há dois anos. A revelação foi feita por Augusto Nascimento, filho e empresário do artista, ao Jornal Nacional, da TV Globo.
“Isso vem trazendo limitações junto com a idade, junto com a questão da diabetes”, explicou Augusto. “Só que, em paralelo, ele está super feliz com a vida. Está super empenhado com o lance da Portela, com todas as homenagens e honrarias que ele vem recebendo". 
Milton Nascimento se aposentou dos palcos em novembro de 2022, após uma grande turnê nacional. Desde então, embora não tenha abandonado a música, ele tem aproveitado o tempo em família e com amigos, e já declarou que a atividade preferida é assistir a vídeos antigos.

Entenda a doença

O Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, que afeta a capacidade dos neurônios de produzirem dopamina suficiente para gerar uma boa transmissão das correntes nervosas ao corpo. "É justamente a dopamina que ajuda na regulação dos movimentos voluntários. Sendo assim, gradativamente, o paciente começa a perceber alguns sintomas como: movimentos mais lentos, rigidez dos músculos, instabilidade postural, falhas na dicção e os famosos tremores. Ele atinge com maior frequência os homens a partir dos 60 anos, e, apesar da causa ainda ser desconhecida, é possível saber como ele age e o que se espera quanto a sua evolução", explica a neurologista Inara Taís de Almeida. 
Lentidão nos movimentos, tremores e rigidez muscular estão entre os sintomas mais conhecidos da doença que afeta principalmente idosos, mas que também pode atingir a população mais jovem. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1% da população mundial com mais de 65 anos é portadora da doença, indicando que mais de quatro milhões de pessoas vivem com a condição no mundo atualmente.
O neurocirurgião Bruno Burjaili explica que o diagnóstico da doença pode ser difícil nas fases iniciais da doença, até porque alguns sintomas são sutis, e não se manifestam nos movimentos. "Existe também essa ideia geral de que apenas os tremores seriam importantes, o que não é verdade, as pessoas procuram ajuda quando eles começam a prejudicar a sua autonomia de forma mais acentuada, ou quando ficam com medo de consequências maiores".
O médico diz como ocorre o diagnóstico. “Para diagnosticar a doença, utilizamos uma história clínica detalhada e fazemos o exame físico especializado (hoje em dia, até por vídeo é possível): tremor quando o paciente está em repouso, agilidade dos movimentos, rigidez nos membros, aspectos da caminhada, equilíbrio, entre outros. Exames de imagem não dão o diagnóstico e devem ser solicitados apenas em situações excepcionais”, diz Bruno Burjaili.

O tratamento

O tratamento da doença é definido pelo profissional com base no caso de cada paciente, da progressão da doença, grau dos sintomas e diversos outros fatores, os medicamentos são fundamentais e podem mudar drasticamente o dia a dia de quem está passando por isso.
Além dos medicamentos, são importantes métodos da fisioterapia e terapia ocupacional, como fonoterapia, exercícios orientados pela Educação Física, entre outros, conforme a demanda individual.
A terapia ocupacional contribui para o desenvolvimento da autonomia e independência dos pacientes. A prática auxilia na realização de atividades básicas do dia a dia, como vestir-se, alimentar-se e escovar os dentes, entre tantas outras.
“As atividades realizadas durante a terapia ocupacional trabalham para aumentar a independência e autonomia do paciente acometido pela doença. Por conta disso, o tratamento aumenta o bem-estar e o bom humor, e retarda a necessidade de assistência de outras pessoas para atividades simples do dia a dia e de higiene pessoal”, explica a terapeuta ocupacional Syomara Cristina. 
A cirurgia de marca-passo cerebral é uma opção que pode ajudar muitos pacientes. “A Estimulação Cerebral Profunda, mais conhecida como marca-passo cerebral, ou por sua sigla em inglês, ‘DBS’, é um tratamento que pode ter grandes resultados para pacientes com Parkinson. A cirurgia é feita por meio do implante de eletrodos com em determinadas áreas do cérebro, permitindo a realização de uma estimulação elétrica controlada que consegue modular o funcionamento destas regiões, permitindo uma redução significativa dos tremores, da lentidão, da rigidez, de movimentos involuntários, e melhorando a qualidade de vida do paciente” explica Bruno Burjaili.

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