Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 12:59
A influenciadora Evelin Camargo usou as redes sociais para explicar o motivo de seu afastamento recente e compartilhar um diagnóstico pouco conhecido: o linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, o BIA-ALCL. Em um vídeo, ela detalhou os sintomas, o caminho até a confirmação da doença e aproveitou o relato para alertar outras mulheres sobre a importância do acompanhamento médico após cirurgias com prótese. >
“É muito difícil falar sobre isso, mas há pouco mais de uma semana fui diagnosticada com linfoma anaplásico de grandes células causado pelo implante de silicone”, afirmou. “Eu nunca tinha ouvido falar, mas isso aconteceu comigo”, disse.>
Evelin contou que colocou próteses mamárias em dezembro de 2019, após uma cirurgia de redução de mama. Seis anos depois, percebeu uma mudança abrupta. “Do dia para a noite, o meu seio esquerdo quase triplicou de tamanho”, descreveu. A suspeita inicial foi de ruptura da prótese, mas exames mostraram outra causa. “Descobrimos que não, que ela estava inteira, mas era um líquido em volta da prótese, que eles chamam normalmente de seroma tardio.”>
Após exames, a influenciadora recebeu uma notícia considerada positiva dentro do contexto da doença. “O exame saiu, e [a alteração] realmente está só na prótese. Então, o meu tratamento vai ser o explante”, afirmou, referindo-se à retirada cirúrgica do implante. Segundo ela, na maioria dos casos diagnosticados precocemente, essa conduta é suficiente.>
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Mesmo ressaltando a raridade do quadro, Evelin transformou o relato em um alerta. “Não para fazer um terror, do tipo: ‘tirem as suas próteses, nunca mais coloquem prótese de silicone’, mas pra vocês fazerem acompanhamento”, disse. E completou: “Qualquer anormalidade que aconteça, contratura, inchaço repentino, procure um médico.” Para ela, a rapidez na busca por atendimento foi decisiva. “Tenho certeza que só conseguimos identificar rápido porque no primeiro dia que meu seio inchou, já fui pro hospital.”>
O linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários (BIA-ALCL) é um tipo raro de linfoma não Hodgkin de células T, ou seja, um câncer do sistema imunológico, e não um câncer de mama. Ele se desenvolve, na maioria dos casos, na cápsula fibrosa ou no líquido ao redor do implante.>
Desde 2016, a doença é reconhecida como entidade distinta pela Organização Mundial da Saúde. Evidências acumuladas ao longo das últimas duas décadas mostram que o BIA-ALCL ocorre com maior frequência em mulheres que utilizaram implantes com superfície texturizada, embora já tenha sido descrito tanto em próteses de silicone quanto de solução salina. Até o momento, não há casos confirmados associados exclusivamente a implantes lisos.>
O risco estimado ao longo da vida varia amplamente (de aproximadamente 1 caso a cada 2.200 até 1 a cada 86 mil mulheres com implantes texturizados), refletindo diferenças nos tipos de próteses utilizadas e nas bases de dados disponíveis. Dados do FDA indicam que, até 2020, haviam sido registrados cerca de 773 casos no mundo, com 36 mortes, quase sempre relacionadas a diagnósticos tardios.>
A oncohematologista Mariana Oliveira, da Oncoclínicas, diz que o sintoma mais comum é o chamado seroma tardio, caracterizado pelo acúmulo de líquido e aumento repentino da mama, geralmente anos após a cirurgia, em média entre 8 e 10 anos, mas podendo ocorrer antes. “Também podem surgir assimetria mamária, dor, endurecimento, nódulos na mama ou na axila e, mais raramente, alterações cutâneas”, complementa.>
Diante desses sinais, a recomendação é procurar um médico. A investigação costuma começar com ultrassonografia ou ressonância magnética. “Caso seja identificado líquido ou uma massa, é indicada a punção para análise citológica e imuno-histoquímica, com pesquisa da proteína CD30, essencial para confirmar ou descartar o BIA-ALCL”.>
Quando diagnosticado precocemente e restrito à cápsula do implante, o tratamento padrão é cirúrgico: retirada da prótese e da cápsula fibrosa ao redor. “Em situações mais avançadas, com comprometimento de linfonodos ou formação de massas, pode ser necessário associar quimioterapia e, raramente, radioterapia”, orienta.>
O prognóstico é considerado favorável na maioria dos casos iniciais, com altas taxas de cura após a cirurgia. “O acompanhamento regular e a atenção a mudanças inesperadas nas mamas são fundamentais para o desfecho da doença”, finaliza Mariana Oliveira.>
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