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Janeiro Roxo: conheça as causas e os sintomas da hanseníase

Janeiro Roxo: conheça as causas e os sintomas da hanseníase

Os primeiros sinais costumam aparecer na pele, mas vão além da aparência das mancha

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 09:00

Manchas brancas na pele são um dos sinais da Hanseníase
Manchas brancas na pele são um dos sinais da Hanseníase Crédito: Shutterstock

O Janeiro Roxo, mês dedicado à conscientização sobre a hanseníase, reforça um alerta essencial: quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de evitar sequelas permanentes. Apesar de ainda ser cercada por estigma, a hanseníase é uma condição tratável, sendo que o diagnóstico precoce é o principal aliado para impedir danos neurológicos.

A dermatologista Beatriz Barcelos, do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), explica que os primeiros sinais costumam aparecer na pele, mas vão além da aparência das manchas. “As lesões podem ser brancas ou avermelhadas, às vezes com leve descamação, e o ponto-chave é a perda de sensibilidade ao tato, dor e temperatura. O paciente muitas vezes não percebe que está deixando de sentir”, afirma. Segundo ela, a região também pode apresentar diminuição de pelos e suor.

Mais do que observar a mancha, é preciso perceber o que ela provoca. A médica reforça que a hanseníase se diferencia de outras doenças dermatológicas justamente pela alteração neurológica na área afetada. “O aspecto da mancha sozinho não é suficiente. O que acende o alerta é quando há anestesia, espessamento ou dor em nervos periféricos próximos”, pontua.

Os primeiros sinais costumam surgir nas partes mais frias do corpo, como o dorso das mãos, antebraços, pernas, pés, orelhas e face, especialmente na região das sobrancelhas. Mas nem sempre os sintomas estão visíveis, uma vez que alterações internas podem passar despercebidas. Entre elas, a dermatologista destaca formigamento, dormência, “choquinhos”, fraqueza nas mãos, dificuldade em segurar objetos, olhos secos e até dificuldade de fechar as pálpebras.

Os sinais e sintomas

O Brasil permanece entre os que registram maior número de casos no mundo, o que reforça a necessidade de informação qualificada, diagnóstico precoce e enfrentamento do preconceito histórico associado à doença. Dados do Ministério da Saúde mostram que o país registra, em média, mais de 20 mil novos casos de hanseníase por ano. 

A doença é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e tem evolução lenta, com longo período de incubação, o que favorece a transmissão silenciosa antes do reconhecimento dos sintomas. Mesmo com diagnóstico e tratamento disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a doença ainda persiste como problema de saúde pública.

“Isso acontece por fatores como diagnóstico tardio, desconhecimento da população, dificuldade de acesso aos serviços de saúde em algumas regiões e estigma social. Além disso, o longo período de incubação da doença faz com que os sintomas demorem a ser reconhecidos, permitindo a transmissão silenciosa por anos antes do diagnóstico”, explica a dermatologista Elisabeth Lima.

Entre os sinais e sintomas que não devem ser ignorados estão as alterações na sensibilidade da pele. “Os sinais mais importantes são manchas na pele com alteração da sensibilidade, dormência ou formigamento, áreas da pele que não sentem calor, frio ou dor, caroços ou placas avermelhadas, queda de pelos em algumas regiões e diminuição da força nas mãos ou nos pés. A dormência persistente é um alerta central e nunca deve ser ignorada”, destaca a dermatologista.

Diagnóstico precoce: o que está em jogo

Identificar a hanseníase cedo é decisivo, já que o tratamento interrompe a evolução da infecção. Ele é feito por meio da poliquimioterapia (PQT), um conjunto de antibióticos específicos que eliminam o bacilo causador da doença e interrompem sua transmissão, impedindo o avanço do dano neurológico que, se instalado, pode ser irreversível.

Quanto mais cedo começamos o tratamento, menor o risco de sequelas permanentes

Beatriz Barcelos

Dermatologista

Entre as possíveis complicações evitadas estão deformidades nas mãos, úlceras crônicas nos pés, atrofia muscular, cegueira por lesões oculares e perda de sobrancelhas. Além das limitações físicas, o impacto social e emocional também pode ser significativo.

Tratamento

A hanseníase tem cura. “O tratamento é feito com a poliquimioterapia única (PQT-U), uma combinação de antibióticos fornecida gratuitamente pelo SUS. Após o início do tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença geralmente nas primeiras doses, podendo manter vida social, familiar e profissional normalmente, desde que siga corretamente o esquema prescrito”, explica Elisabeth Lima.

Quando o diagnóstico é tardio ou o tratamento é abandonado, as consequências podem ser graves. “O atraso no diagnóstico pode levar a lesões irreversíveis nos nervos, resultando em perda de sensibilidade, deformidades, dificuldades motoras e incapacidades permanentes. O abandono do tratamento aumenta o risco de complicações, recaídas e manutenção da transmissão da doença na comunidade, além de piorar a qualidade de vida do paciente”, alerta.

Em relação aos familiares e pessoas que convivem com pacientes diagnosticados, a especialista destaca a importância do acompanhamento. “A hanseníase é transmitida principalmente pelas vias respiratórias, eliminadas pelo nariz e pela boca da pessoa doente ao falar, tossir ou espirrar. O risco existe principalmente para contatos domiciliares próximos e prolongados, especialmente quando o paciente ainda não iniciou o tratamento.

"Por isso, é fundamental que familiares e conviventes sejam avaliados pelas equipes de saúde, recebam orientações, realizem o teste rápido da hanseníase, o ML-Flow, e, quando indicado, a vacinação com BCG. Após o início do tratamento, o risco de transmissão torna-se mínimo”, conclui Elisabeth Lima.

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