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Entenda o tipo de psoríase que afeta as unhas das mãos e dos pés

Entenda o tipo de psoríase que afeta as unhas das mãos e dos pés

De difícil diagnóstico, a psoríase nas unhas pode ser confundida com micose e até antecipar casos de artrite psoriásica

Publicado em 10 de outubro de 2025 às 13:43

Psoríase afeta as unhas das mãos
Manchas amareladas ou marrons são alguns dos sintomas  Crédito: Shutterstock/ RealPeopleStudio

Psoríase ungueal é uma forma da psoríase que atinge as unhas das mãos e dos pés, causando alterações como depressões (pitting), onicólise (descolamento da unha), manchas amareladas, espessamento e hemorragias em estilhaços. O quadro muitas vezes é confundido com micose, o que pode prolongar o diagnóstico e atrasar o tratamento adequado.

Esse foi o caso da arquiteta Daiani Lavino, que lembra que o caminho até descobrir a psoríase ungueal foi longo e desgastante. “Passei por mais de 12 dermatologistas e todos me diziam que era apenas um fungo na unha. Fiz vários exames, extraí a unha sem anestesia e ainda assim não encontrava respostas. Foram anos de fadiga intensa, olhos secos, intestino preso, e nada se encaixava. Até que, após muitas consultas e avaliações, finalmente veio o diagnóstico: psoríase ungueal. Foi um alívio saber o que eu realmente tinha, mas também um choque perceber como algo aparentemente pequeno, como uma alteração nas unhas, poderia estar ligado a uma doença sistêmica e tão complexa”.

Apesar de pouco divulgado, a psoríase em geral afeta cerca de 1,3% da população brasileira, o que corresponde a aproximadamente cinco milhões de pessoas. Considerando que cerca de 30% dos pacientes com psoríase apresentam envolvimento ungueal, estamos falando de um número expressivo de casos que enfrentam dificuldades para diagnóstico e tratamento adequados.

A semelhança com a onicomicose leva muitos pacientes a iniciarem tratamentos antifúngicos – ineficazes nesses casos. O diagnóstico, quando clínico, pode necessitar de confirmação via biópsia ungueal, preferencialmente pela técnica tangencial (ET), que oferece amostras maiores e melhores resultados clínico-histopatológicos, com baixo risco de causar dano à unha. Estudos mostram que, com essa abordagem, a correlação entre os sinais clínicos e o resultado histopatológico pode chegar a 75% dos casos.

Os sinais e sintomas mais comuns incluem:

Pitting ungueal: pequenas depressões (furinhos) na superfície da unha, como se tivessem sido picotadas.

Onicólise: descolamento da unha do leito ungueal (a parte rosa por baixo), geralmente começando pela ponta

Manchas amareladas ou marrons: conhecidas como "manchas de óleo" ou "gotas de salmão" sob a unha. 

Espessamento das unhas: acúmulo de material esfarelento sob a unha, que a torna mais grossa e pode causar desconforto. 

Descamação, deformidades ou ondulações: a unha pode ficar áspera, com sulcos ou ter o seu formato alterado

Descoloração: além das manchas, a unha pode ficar branca, amarela ou marrom de forma geral

Outro recurso importante é o ultrassom de unha, capaz de identificar precocemente a psoríase ungueal e auxiliar no diagnóstico diferencial com outras condições, como fungos ou traumas.

A reumatologista Érica Serrano, da Reuma, reforça que a psoríase nas unhas é frequentemente confundida com micose, mas merece atenção redobrada porque é considerada um fator de risco para artrite psoriásica. "A base da unha tem uma estrutura semelhante à da êntese, que é a região onde o tendão se insere na articulação. Por isso, quem tem psoríase ungueal tem maior probabilidade de desenvolver a forma articular da doença, que é bem mais incapacitante. Esse é o paciente que precisa ser acompanhado de perto.”

Tratamento

Nos casos mais graves, em que os tratamentos tópicos e tradicionais falham, o uso de medicamentos biológicos – terapias de última geração – pode ser decisivo, pois agem de forma específica no sistema imunológico. Esses medicamentos têm eficácia que varia entre 70% e 100% de controle da doença, mas o custo é elevado: entre R$ 5 mil e R$ 20 mil mensais.

O tratamento da psoríase ungueal tem como objetivo controlar a doença e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente, reduzir dores, desconforto e o impacto emocional. “Com as terapias adequadas, especialmente os biológicos nos casos mais graves, é possível retomar atividades cotidianas e conviver com a doença de forma mais saudável”, explica Érica Serrano.

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