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Transplante: médicos contam suas experiências como pacientes

Às vésperas do Dia Nacional da Doação de Órgãos (27),  campanha incentiva a comunicação do doador com a família e médicos que passaram por transplantes falam sobre a experiência e a importância da doação

Publicado em 25/09/2020 às 17h14
Jailson Tótola, cirurgião geral, enfrentou a fila de espera por transplante hepático.
Jailson Tótola, cirurgião geral, enfrentou a fila de espera por transplante hepático. Crédito: Arquivo pessoal

No próximo domingo (27), comemora-se o Dia Nacional da Doação de Órgãos e a data não pode passar em branco. No Brasil, 45 mil pessoas aguardam na fila de doação de órgãos, enquanto no Espírito Santo são mais de 1.300 nessa situação.

É muita gente na fila, esperando para ser cuidada. Mas e quando quem está na fila é justamente quem cuida? É o caso do médico cirurgião geral Jailson Tótola. Há seis anos, após apresentar um episódio de sangramento espontâneo de gengivas, o médico investigou a causa e chegou a um carcinoma hepatocelular (CHC), um câncer que começa nas células hepáticas cujo tratamento é somente o transplante hepático.

Jailson procurou o serviço de transplantes do Hospital Meridional, que faz atendimentos pelo SUS, recebeu toda orientação e, após os exames, entrou na fila do transplante. “Como sou cirurgião, e pelo fato de ter atendido vários pacientes com o mesmo diagnóstico, sabia que na fila do transplante a situação é preocupante. Esperar a doação de um órgão é cruel. Você não sabe o que vai acontecer, se vai ter doador ou não vai”, conta o médico.

E acrescenta: “Enquanto cirurgião, vi várias pessoas morrerem por falta de um órgão. A espera na fila é um período muito difícil. Eu a chamava de “fila da morte”.

Jailson se apegou à fé e ao apoio familiar para se manter com esperança de que um órgão apareceria para salvar a sua vida. E,  felizmente, foi o que aconteceu. Mas mesmo após a chegada da tão esperada doação, ele ainda viveu um mix de sentimentos. “Chega o dia que você recebe um telefonema, dizendo: Jailson, acho que temos um doador, se prepara para ir pro hospital. É um misto de alegria e medo do transplante, mas com fé e esperança tudo dá certo”, disse.

Hoje, após cinco anos do transplante, o médico é grato por ter superado a doença e pelo ato que salvou sua vida.

Jailson Tótola

Médico Cirurgião Geral

"Não esqueço um dia de orar pelo meu doador e sua família, agradecendo esse gesto de carinho e amor, que é a doação de órgãos. Fale com sua família que você é doador de órgãos. Doe órgãos. Salve vidas"

É preciso aceitar ser cuidado

O médico Lydio Alves passou por um transplante após ser diagnosticado com um câncer no fígado
O médico Lydio Alves passou por um transplante após ser diagnosticado com um câncer no fígado. Crédito: Arquivo pessoal

Lydio Alves

Cirurgião Plástico

"A doação de órgãos não é uma simples cirurgia, é um ato de amor no meu ponto de vista"

Uma situação parecida aconteceu com o cirurgião plástico Lydio Alves.  Ele foi diagnosticado com câncer de fígado em março de 2018, durante um exame de rotina. Em maio do mesmo ano, ele já estava em tratamento de quimioembolização para minimizar os efeitos do tumor e ciente de que seria necessário fazer transplante de fígado. “Para qualquer pessoa, a notícia não é boa, mas ou você espera o tempo passar ou você corre na frente da evolução da doença, e foi o que eu fiz”, conta ele.

Já no mês de junho - ainda de 2018 -, Lydio foi aceito na Central Nacional de Transplantes e foi aí que a espera começou. Mas enquanto esteve no aguardo, o médico contou com o apoio da família e manteve suas atividades. “No período entre a descoberta da doença até o momento do transplante, eu mantive minha vida praticamente dentro da normalidade. Trabalhei e mantive meu ritmo, porque eu sempre fui uma pessoa que gosta de trabalhar e fazer as minhas coisas”.

“O apoio da família também é superimportante para você se manter erguido e continuar lutando até conseguir fazer o transplante”, acrescenta o médico.

Sobre atuar em uma profissão que exerce o cuidado com as pessoas enquanto se enfrenta uma situação como essa, Lydio explica que o médico sempre pensa muito em ajudar os outros e acha que ele é “indestrutível”, até que um certo dia ele se depara com uma situação como a dele e precisa analisar, no seu íntimo, o que ele vai fazer. “Eu acho que é muito importante a conscientização do médico em deixar de ser “o senhor das resoluções” e passar a acatar decisões de um colega profissional que vai cuidar dele”, diz.

“A doação de órgãos não é uma simples cirurgia, não é um simples procedimento médico, é um ato de amor no meu ponto de vista. Um ato muito importante e muito singelo”, finaliza Lydio.

 #quefiquedito

Enquanto muitos estão à espera, um problema crucial é a negativa de familiares que desconhecem a vontade de doar do parente. E uma tatuagem pode dizer quem você é, contar uma história e também evidenciar desejos e vontades. Foi pensando nisso que os desenhos foram escolhidos, pelo terceiro ano consecutivo, como símbolo de uma iniciativa do Instituto Unimed Vitória e a artista e cronista da Revista.ag Maria Sanz. A Campanha de Doação de Órgãos traz à tona esse importante tema com a distribuição de tatuagens autoadesivas.

A ação começou na última segunda-feira (21) e tem como principal objetivo encorajar aqueles que querem salvar vidas sendo doadores, assim como inspirar mais pessoas a se interessarem sobre o assunto. A ideia é mostrar de forma lúdica a necessidade de declarar a vontade de ser um doador. E nada melhor do que estampar na própria pele, mesmo que temporariamente.

Neste ano, os artistas que emprestam seu talento à causa são Felipe Bernardes (@felipebernardestattoo), que mistura aquarela e grafite, e Florencia Rosso (@florencia_rosso), com seu traço delicado com pegada pop e colorida. Os seis desenhos autoadesivos (três de cada artista) estão sendo distribuídos  pelo Instituto Unimed na sede da Unimed Vitória, em Bento Ferreira, em ações com os clientes empresariais da cooperativa e nas cancelas do estacionamento do Shopping Vitória, parceiro da campanha.

Fernando Ronchi   

diretor-presidente da Unimed Vitória

"Queremos com essa campanha abrir o diálogo na sociedade para esse importante tema que é a doação de órgãos. Doar é um gesto muito nobre, mas que precisa ser expressado ainda em vida. Portanto a nossa campanha chama as pessoas a reforçarem sua vontade e deixarem claro para família, amigos e toda sociedade: quero ser doador"

“Queremos com essa campanha abrir o diálogo na sociedade para esse importante tema que é a doação de órgãos. Doar é um gesto muito nobre, mas que precisa ser expressado ainda em vida. Portanto a nossa campanha chama as pessoas a reforçarem sua vontade e deixarem claro para família, amigos e toda sociedade: quero ser doador”, destaca o diretor-presidente da Unimed Vitória, Fernando Ronchi

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