Publicado em 26 de fevereiro de 2024 às 14:24
BRASÍLIA - Na tribuna da ONU em Genebra, o ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, ecoou o tradicional discurso do Brasil em defesa da criação de um Estado palestino e, repetindo o presidente Lula (PT), relacionou as ações de Israel em Gaza ao genocídio.>
Almeida discursava na posse do Brasil em seu sexto mandato como membro do Conselho de Direitos Humanos da organização, nesta segunda-feira (26). A fala durou pouco mais de 10 minutos.>
"A criação de um Estado palestino livre e soberano, que conviva com o Estado de Israel, é condição imprescindível para a paz", disse ele.>
"Consideramos ser dever do Conselho prestigiar a autodeterminação dos povos, a busca da solução pacífica dos conflitos e se opor de forma veemente a toda forma de neocolonialismo e de apartheid.">
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Almeida também criticou os ataques por parte do Hamas no 7 de Outubro, mas acrescentou que a resposta foi desproporcional.>
"Reitero nosso repúdio à flagrante desproporcionalidade do uso da força por parte do governo de Israel, uma espécie de 'punição o coletiva', que já ceifou a vida de quase 30 mil palestinos — a maioria mulheres e crianças —, forçadamente deslocou mais de 80% da população de Gaza, e deixou milhares de civis sem acesso a energia elétrica, água potável, alimentos e assistência humanitária básica,">
Almeida não citou o Holocausto nazista, ponto que causou indignação dentro da comunidade judaica quando comparado por Lula ao que acontece em Gaza.>
Ecoando Lula, afirmou que o governo do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, comete crime de genocídio.>
"Instamos o Estado de Israel a cumprir integralmente as medidas emergenciais determinadas pelo tribunal [a Corte Internacional de Justiça, mais alta instância de Justiça da ONU] no sentido de que cessem as graves violações ao direito humanitário", afirmou.>
Almeida disse que a conduta do governo israelense se enquadra no artigo da Convenção para a Repressão e Punição do Crime de Genocídio que define "matar ou submeter intencionalmente um grupo à condição de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial".>
"Ou seja, genocídio", seguiu ele. E pediu a Corte Internacional de Justiça, ou Corte de Haia, como é comumente conhecida, siga o entendimento de que a ocupação israelense dos territórios palestinos é ilegal e viola normas internacionais.>
O ministro dos Direitos Humanos ainda lembrou o golpe militar de 1964 — que completa 60 anos em 2024 e "cujas sombras ainda pairam sobre a nossa sociedade", disse ele — e tratou de temas como desigualdade, fome, inclusão, diversidade e meio ambiente.>
Segundo ele, atualmente existe uma "instrumentalização" do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que funciona como "subterfúgio moral para que os países mais ricos possam impor seu poder bélico e econômico". Esses mesmos países, seguiu, fazem com que os os direitos sejam submissos à "lógica mercantil, em que só os que podem pagar são dignos de respeito".>
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