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Ex-mulher de Bill Gates reage à implicação do fundador da Microsoft no escândalo Epstein: 'Momentos dolorosos do meu casamento'

Ex-mulher de Bill Gates reage à implicação do fundador da Microsoft no escândalo Epstein: 'Momentos dolorosos do meu casamento'

Melinda Gates diz que seu ex-marido e outras pessoas citadas nos arquivos precisam responder a perguntas que ainda permanecem.

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 18:09

Imagem BBC Brasil
null Crédito: Bloomberg via Getty Images

A bilionária filantropa Melinda French Gates disse que a menção de seu ex-marido, e fundador da Microsoft, Bill Gates, nos arquivos recém-divulgados do criminoso sexual Jeffrey Epstein trouxe de volta "momentos dolorosos do meu casamento".

Em um podcast da NPR, ela disse que sentia uma "tristeza inacreditável" e que "quaisquer perguntas que permaneçam" precisam ser respondidas por aqueles citados nos registros, incluindo seu ex-marido.

"Estou muito feliz por estar longe de toda essa sujeira", disse ela. O casal se divorciou em 2021.

Os documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos incluem uma alegação de Epstein de que Bill Gates contraiu uma doença sexualmente transmissível. O porta-voz de Gates classificou a alegação como "absolutamente absurda".

A BBC entrou em contato com seus representantes para comentar as declarações de sua ex-esposa.

Bill Gates não foi acusado de nenhum crime por nenhuma das vítimas de Epstein, e a inclusão de seu nome nos arquivos não implica em qualquer tipo de atividade criminosa.

O bilionário quebrou o silêncio sobre a divulgação de arquivos em uma entrevista à 9News na Austrália. Ele disse que as interações com Epstein se limitaram a jantares e que não visitou a ilha de Epstein.

"Me arrependo de cada minuto que passei com ele e peço desculpas por isso", acrescentou Gates.

Imagem BBC Brasil
A inclusão do nome de Bill Gates nos arquivos de Epstein não implica em qualquer tipo de atividade criminosa Crédito: Getty Images

Na entrevista ao podcast Wild Card da NPR, Melinda French Gates disse: "Para mim, é pessoalmente difícil sempre que esses detalhes vêm à tona, sabe? Porque isso traz de volta memórias de momentos muito, muito dolorosos do meu casamento."

E acrescentou: "Quaisquer perguntas que ainda existam sobre o quê - eu nem consigo começar a saber tudo - essas perguntas são para essas pessoas e até mesmo para o meu ex-marido. Eles precisam responder a essas perguntas, não eu."

A mídia americana noticiou que, antes da separação - que ocorreu após 27 anos de casamento - Melinda French Gates estava chateada com a ligação do marido com Epstein. Depois que a separação foi anunciada, Bill Gates admitiu ter tido um caso com uma funcionária da Microsoft em 2019.

As alegações contra Bill Gates foram incluídas em mais de três milhões de documentos divulgados na semana passada pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Dois e-mails de 18 de julho de 2013 parecem ter sido redigidos por Epstein, mas não está claro se eles chegaram a ser enviados para Gates.

Ambos foram enviados da conta de e-mail de Epstein e devolvidos para a mesma conta, enquanto nenhuma conta de e-mail associada a Gates é visível e ambos os e-mails não estão assinados.

Um dos e-mails é escrito como uma carta de demissão da Fundação Bill e Melinda Gates e reclama de ter que comprar remédios para Bill "para lidar com as consequências do sexo com garotas russas".

O outro, que começa com "caro Bill", reclama do fim de uma amizade com Bill Gates e faz mais alegações de que Bill Gates tentou encobrir uma infecção sexualmente transmissível, inclusive contraída de sua então esposa, Melinda.

Em sua entrevista à mídia australiana, Bill Gates acrescentou que o e-mail nunca foi enviado e que seu conteúdo era "falso".

Ao longo dos anos, Bill Gates e seus representantes minimizaram sua ligação com Epstein. Ele já afirmou que tiveram apenas "alguns jantares" para discutir um projeto filantrópico que nunca se concretizou.

Após as últimas alegações, um porta-voz de Bill Gates declarou:

"A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e os extremos a que ele chegaria para armar uma cilada e difamá-lo."

Eles acrescentaram: "Essas alegações — vindas de um mentiroso comprovadamente ressentido — são absolutamente absurdas e completamente falsas."

Muitos dos documentos, e-mails e fotos incluídos nos milhões de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça na semana passada lançam luz sobre a vasta rede de Epstein, que incluía celebridades, chefes de empresas e líderes mundiais — contatos que persistiram, em alguns casos, mesmo após sua condenação em 2008 por aliciar uma menina de 14 anos para fins sexuais.

Epstein morreu em uma prisão de Nova York em 2019, enquanto aguardava julgamento em um caso de tráfico sexual.

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