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"Pandemia não acabou"

Férias de verão provocam repique de coronavírus, e governos europeus elevam restrições

Dos 19 maiores países europeus analisados, 10 registraram aumento no número de novos casos desde o começo de julho. Para autoridades, as pessoas estão baixando perigosamente a guarda

Publicado em 26 de Julho de 2020 às 17:41

Redação de A Gazeta

Publicado em 

26 jul 2020 às 17:41
Profissionais de Saúde fazem o teste do coronavírus, que transmite a covid-19 por drive- thru, em uma casa de repouso de Madri, na Espanha
Profissionais de Saúde fazem o teste do coronavírus, que transmite a covid-19 por drive- thru, em uma casa de repouso de Madri, na Espanha Crédito: MANU FERNANDEZ/AP
"As máscaras ajudam todos a lembrarem que a pandemia não acabou", disse o premiê austríaco, Sebastian Kurz, ao anunciar que cobrir o rosto voltou a ser obrigatório, na última semana.
O alerta vem sendo repetido por vários governos europeus, depois que o início das férias de verão veio acompanhado de novos contágios por coronavírus.
Na Áustria, os novos casos passaram de 7/100 mil habitantes (na quinzena que terminou em 1º de julho) para 17 (na que se encerrou neste domingo, 26), ainda bem abaixo dos 100 novos casos/100 mil registrados em abril. Mas o governo acendeu o alerta amarelo porque avalia que as pessoas estão baixando perigosamente a guarda.
O mesmo fenômeno - novos casos em alta, embora em níveis baixos - foi registrado na França (15 casos quinzenais/100 mil habitantes neste domingo, 26), na Bélgica (25/100 mil) e na Espanha (39,4/100 mil), e nos três países governos fizeram alertas ou apertaram medidas.
A reação para sufocar novos focos antes que eles se espalhem ocorreu até mesmo em países onde não há tendência de alta, como na Alemanha (8 casos quinzenais/100 mil) e no Reino Unido (15/100 mil). "Nenhum país está livre", afirmou neste domingo, 26, a Organização Mundial da Saúde.
Dos 19 maiores países europeus analisados pela reportagem, 10 registraram aumento no número de novos casos desde o começo de julho, todos em nível bem inferior ao do pico de abril. Em todos eles, o índice de mortes se manteve baixo, já que os hospitais não estão mais sobrecarregados e o conhecimento sobre como tratar casos graves avançou.
Dos 9 países restantes, 8 mantiveram em julho infecções em baixa. A Polônia também manteve a curva, mas está num platô, sem registrar decréscimo.

FENÔMENO ESPERADO

Não se trata de uma segunda onda, afirmou em entrevista neste mês o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan, mas de um fenômeno já esperado com a retomada da mobilidade. Como o vírus se transmite pelo contato das pessoas com gotículas de saliva infectada, quanto mais perto se fica de mais gente e por mais tempo, maior o risco de contágio.
"O aparecimento de novos focos é esperado, mas pode ser controlado com medidas de higiene e capacidade de testar, tratar os doentes, rastrear os contatos e isolá-los", afirmou Ryan.
O Reino Unido, no entanto, decidiu implantar neste domingo uma quarentena obrigatória de 14 dias para todos os que voltarem da Espanha, independentemente de terem teste positivo para o coronavírus, o que causou revolta tanto de empresários e políticos espanhóis quanto de turistas britânicos.
No aeroporto de Barajas, em Madri, a britânica Emily Harrison criticou tanto a medida quanto o aviso feito em cima da hora, no sábado, 25. "Tinha um casamento para ir e plano de visitar amigos e parentes. Vou ter que cancelar tudo", disse à agência Reuters.
Apesar de o índice de novos casos quinzenais ter quadruplicado, de 10,6/100 mil no começo de julho para 39,4/100 mil neste domingo, o governo argumenta que os surtos estão localizados em três regiões: Aragão, Galícia e, principalmente, Catalunha.
"Na verdade e situação na Espanha é mais segura que no Reino Unido. Estou muito frustrada", afirmou a turista britânica Carolyne Lansell, que embarcava para uma estadia de dez dias na ilha de Ibiza, no litoral leste espanhol.
De acordo com o relatório da OMS publicado neste domingo, Lansell tem razão: o Reino Unido está entre os 9 dos 19 países que ainda apresentam transmissão comunitária, enquanto a Espanha faz parte do grupo de 10 que apresenta apenas clusters.
Países como Noruega e França, por exemplo, circunscreveram à Catalunha uma orientação para que viagens não essenciais sejam evitadas.
O governo francês também tem preocupações internas, já que sua taxa de novos casos também sofreu um repique em julho, de 11/100 mil para 15/100 mil, chegando perto do índice registrado no começo do desconfinamento.
Na quinta, o Ministério da Saúde afirmou que a transmissão está em alta entre "jovens adultos" e pediu mais "disciplina coletiva". "Precisamos evitar de qualquer forma o reconfinamento geral, que seria catastrófico", disse neste domingo o novo primeiro-ministro francês, Jean Castex, ao jornal Nice Matin.
"Durante o verão e as férias, pode parecer artificial cumprimentar-se e conversar à distância, mas esse esforço individual é crucial para impedir que a epidemia se recupere e afete nossa liberdade", afirmou comunicado do Ministério da Saúde.
Na Bélgica, o governo anunciou no sábado, 25, que vai antecipar para o começo da semana uma reunião para discutir novas restrições.
Na quinta, o centro de controle de Covid-19 já havia anunciado o uso obrigatório de máscaras em ruas comerciais e todas as lojas, hotéis, cafés, bares e restaurantes, a não ser para quem estiver sentado nas mesas.
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