"O governo mexicano salvou minha vida", disse Evo, em um breve pronunciamento ao chegar na Cidade do México. Ele estava ao lado do ex-vice-presidente Álvaro García Linera, que também renunciou.
Evo voltou a dizer que o erro é ser indígena e ter implementado programas para os mais pobres. "Só haverá paz quando houver justiça social", disse.
O jato que o buscou pertence à Força Aérea Mexicana. Segundo o chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, a tripulação trabalhou mais de 24 horas seguidas para resgatar Evo, que partiu da Bolívia na madrugada de terça-feira (12).
O ex-presidente renunciou no domingo, após pressão das Forças Armadas e de protestos nas ruas, que o acusam de ter cometido fraude eleitoral.
Evo disputou um quarto mandato nas eleições de 20 de outubro e foi apontado vencedor após uma apuração marcada por idas e vindas. Um relatório da OEA (Organização dos Estados Americanos), divulgado no domingo (10), apontou fraude na votação.
Após a divulgação do relatório, Evo disse que convocaria novas eleições, mas mesmo assim não conseguiu obter o apoio dos militares, que sugeriram publicamente que ele renunciasse. Horas depois, Evo anunciou a renúncia e foi seguido por diversos outros líderes do pais, como os presidentes da Câmara e do Senado. Com isso, a Bolívia está oficialmente sem comando.
Após a renúncia de Evo, houve protestos, confrontos e depredação em La Paz e em outras cidades. Casas do ex-presidente e de ministros foram atacadas por manifestantes. Durante a madrugada de segunda (11) para terça, moradores de La Paz fizeram barricadas nas ruas para se proteger de possíveis ataques.