Publicado em 26 de setembro de 2021 às 19:06
Não houve eleição de rainha do festival de cerveja neste ano em Hassloch (pronuncia-se haslórr), no sudoeste alemão. A rainha e a princesa do ano passado "manterão seus cargos por mais um ano", diz o site que anuncia o evento, promovido todos os anos no quarto final de semana de setembro. >
Em 2021, a festa da cerveja coincidiu com a eleição federal, que vai definir o sucessor da premiê Angela Merkel. Mas foi a pandemia, e não o compromisso cívico, que cancelaram o concurso de beleza na maior aldeia da Alemanha, com 20 mil habitantes e 12 mil eleitores .>
Os "jardins da cerveja", porém, estiveram abertos para quem mostrasse um certificado de vacinação.>
Nas longas mesas cobertas por toalhas de plástico com estampa xadrez, moradores e turistas podiam tomar a bebida produzida no mosteiro de Andechs, na Bavária, e comer pratos clássicos do estado no sul da Alemanha.>
>
A política também estava presente. Entre as oito entidades que organizaram o evento estavam os dois principais partidos do país, a CDU, de Angela Merkel, e o social-democrata SPD.>
No sábado pela manhã, a 50 metros da entrada, dividiam a mesma calçada um quiosque dos Verdes e um estande de ativistas da ultradireitista AfD.>
Localizada a cerca de 500 km a sudoeste de Berlim, no estado da Renânia-Palatinado, Hassloch está no centro do mapa dos departamentos de marketing de empresas alemãs.>
Por causa de sua estrutura populacional em que faixas etárias e classes sociais se aproximam da média alemã, ela foi escolhida como cidade-teste para novos produtos.>
Suas lojas recebem as novidades antes e uma rede de televisão a cabo e jornais exibe anúncios feitos especialmente para esses produtos que outras cidades só verão no futuro.>
Parte das famílias usa um código de barras em todas as compras, e seus hábitos são rastreados e acompanhados pela GfK (instituto de pesquisa de consumo), que analisa a aceitação dos produtos testados.>
Os resultados costumam prever o sucesso futuro com cerca de 90% de precisão, de acordo com a consultoria.>
Se representa um público médio para o consumo, o mesmo não se pode dizer da política. Na eleição de 2017, a cidade deu um terço de seus votos para a União, como o total do país, mas a fatia da AfD chegou a 16%.>
"Eles cresceram a partir da chegada de refugiados em 2015, com um discurso de que 'os alemães não se sentem mais em casa' ", afirma Annemarie Dewald, 37, filiada aos Verdes.>
Hassloch recebeu 211 refugiados na abertura promovida por Merkel em 2015, um número que representa 1,1% da população -a mesma proporção registrada no país como um todo. Hoje, são 152, dos quais 72 ainda aguardam análise do pedido de asilo.>
Nos três dias que passou em Hassloch, a Folha de S.Paulo viu apenas duas pessoas não brancas.>
"Tenho medo de voltar para casa à noite", diz um dos cartazes de propaganda da AfD afixados em postes da cidade, embora, na noite de sábado, pessoas de todas as idades caminhassem tranquilamente.>
"Isso é ridículo, não faz o menor sentido aqui, mas tem impacto com algumas pessoas", diz Annemarie, para quem a sigla xenófoba continua ganhando espaço.>
Hassloch também destoou da média alemã na parcela de eleitores que preferiram votar antecipadamente, pelo correio. Por volta de 40% na Alemanha, ela chegava a 50% na aldeia.>
No domingo (26), enquanto as seções eleitorais contavam as horas, a 2ª equipe do 1. FC 08, de uniforme branco, enfrentava os vermelhos do TuS Maikammer, sob o olhar atento de 27 torcedores.>
Iniciada às 16h15, a partida terminou às 18h, exatamente quando as urnas foram fechadas. Até as 22h, jogadores e torcida ainda encontrariam abertos os jardins da cerveja.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta