Publicado em 5 de julho de 2022 às 12:26
O Ministério Público de Santa Catarina denunciou um técnico de futsal sob acusação de assédio e importunação sexual contra atletas treinadas por ele. Segundo as investigações da Polícia Civil, as vítimas eram menores de idade. >
A acusação foi formalizada pela 7ª Promotoria de Justiça de São José, município vizinho a Florianópolis, onde o crime teria ocorrido. O caso foi revelado pelo Esporte Espetacular, da TV Globo.>
Reginaldo Valdir Vieira, 31, era técnico e dirigente do time Sanrosé. De acordo com a polícia, ele morava ao lado de uma casa que abrigava parte das atletas da equipe – o crime teria ocorrido ali.>
Em setembro do ano passado, a Polícia Civil de Santa Catarina recebeu uma denúncia anônima que dizia que Reginaldo estava assediando algumas adolescentes do time.>
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Procurado por mensagem e ligação, o advogado de Reginaldo Vieira não respondeu à reportagem. O suspeito também não retornou contato feito por e-mail.>
A Delegacia de Proteção da Criança, Adolescente, Mulher e Idoso de São José ficou a cargo das investigações. Foram colhidos depoimentos de duas vítimas e outras 11 testemunhas que foram atletas e frequentaram a casa.>
Segundo a delegada Marcela França Goto, responsável pelo inquérito, as adolescentes acabavam se envolvendo amorosamente com o técnico, até que percebiam que o sentimento não era verdadeiro e que ele estava se aproveitando da situação para assediá-las.>
"Ele passava a mão nos seios, nas partes íntimas, nas pernas. Fazia comentários inapropriados. Isso acontecia com as meninas da casa, até porque elas moravam ali, meio desamparadas, longe dos familiares", diz.>
Outras duas vítimas identificadas pelas colegas ao longo da investigação não quiseram ir à delegacia prestar depoimento. Nesta segunda-feira (4), após a divulgação do caso na imprensa, mais uma adolescente procurou a polícia para relatar que também foi assediada por Reginaldo.>
De acordo com a delegada, o técnico tentava desestimular as vítimas a denunciar o crime. "Ele dizia 'ninguém vai acreditar em ti, tu não tem ninguém para te ajudar, não tem família'." >
O inquérito foi finalizado em maio e Reginaldo foi indiciado por importunação e assédio sexual, crimes previstos nos artigos 215 e 216 do Código Penal.>
A importunação sexual ocorre quando o criminoso pratica contra alguém, sem a sua anuência, "ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro". A pena vai de 1 a 5 anos de prisão.>
Já o assédio é descrito na lei como o constrangimento de alguém "com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função".>
A pena vai de 1 a 2 anos de prisão e é aumentada em um terço se a vítima for menor de 18 anos.>
Em junho, após o encerramento do inquérito, o Ministério Público ofereceu denúncia contra o suspeito. Em nota, o órgão afirmou que não pode oferecer detalhes sobre o processo porque o caso está sob segredo de Justiça.>
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