“Uma frase que repito muito desde que faço filmes e que aprendi sobre regionalismo é: ‘canta sua aldeia e encantará o mundo’. Estou muito feliz porque estou sendo homenageado na minha aldeia, que é o lugar mais importante do mundo pra mim. Sempre cantei minha aldeia para o mundo, por isso essa é a homenagem mais importante que eu poderia receber", diz o cineasta capixaba Rodrigo Aragão. Ele é o homenageado capixaba do 33º Festival de Cinema de Vitória, no próximo dia 18 de julho, às 19h, no Sesc Glória.
Como parte da homenagem, ele receberá o Troféu Vitória e o Caderno do Homenageado, publicação inédita que traz uma extensa reportagem sobre a sua trajetória artística assinada pelos jornalistas Leonardo Vais e Paulo Gois Bastos.
Convidado do RR Entrevista deste domingo (12), Rodrigo Aragão tem mais de 30 anos de carreira e é um dos nomes mais importantes do cinema de horror no Brasil. Nascido em 18 de janeiro de 1977, na cidade de Guarapari, é filho de uma dona de casa com um mágico, que também foi dono de um cinema, tendo o lúdico e o fantástico como constantes na sua infância, ele cresceu desenhando, criando monstros e assustando os vizinhos.
Além da homenagem, o festival promoverá a pré-estreia mundial do longa-metragem "Folclórica", em sessão especial, no dia 25 de julho de 2026.
Carreira
Rodrigo Aragão estreou no cinema em 1994, aos 17 anos, no curta-metragem "A Lenda de Proitner", da diretora Luiza Lubiana, onde foi o responsável pela maquiagem. Antes de chegar às telas como diretor, Aragão idealizou e atuou no espetáculo de terror Mausoleum, apresentado entre 2000 e 2004, nas cidades de Guarapari, Belo Horizonte e Salvador, se apresentando para um público de aproximadamente 30 mil pessoas.
Diretor, roteirista e produtor, Aragão é um dos nomes mais importantes do cinema de horror do país e um dos profissionais do audiovisual brasileiro de maior expressão no mercado internacional. Com uma carreira autoral independente seus trabalhos já foram exibidos em mais de 140 festivais pelo mundo, tendo recebido 36 prêmios nacionais e internacionais, realizado parcerias com grandes empresas do audiovisual como Globo Filmes, O2 e RT Features. Em 2023, inaugurou seu estúdio, a Fábula Filmes, que realiza uma série de formações nas diversas áreas do audiovisual.
No currículo, ele possui oito longas-metragens, como o recente Prédio Vazio (2025), sua primeira produção urbana el com parte da equipe formada pelas oficinas da Fábulas Filmes; O Cemitério das Almas Perdidas (2020), uma das suas obras mais ambiciosas e exibida no 27º Festival de Cinema de Vitória; e Mangue Negro (2008), que marca sua estreia na direção de longas e foi filmado na maguezal de Guarapari. O filme faz parte de uma trilogia que inclui os filmes Mar Negro (2013) e A Mata Negra (2018). Seu projeto mais recente, em fase de pós-produção, é Folclórica, voltada para o público infantojuvenil e todo feito com bonecos.
Juntamente com Petter Baiestorf, José Mojica Marins e Joel Caetano - importantes nomes do cinema de terror, Rodrigo Aragão assina a direção e produção de As Fábulas Negras (2015), uma antologia fílmica composta por cinco histórias macabras tipicamente brasileiras. A sua filmografia também inclui sete curtas-metragens com destaque para o clássico Chupa-Cabra (2004), sua estreia como diretor audiovisual. Ele também dirigiu a websérie "Assombrações" (2022), além de ter dirigido um dos episódios da série "Noturnos", do Canal Brasil, baseada em textos de Vinicius de Moraes.
O diretor é um dos profissionais mais requisitados nas áreas de Maquiagem de Efeitos Especiais e Direção de Efeitos Especiais Práticos. Entre as dezenas de trabalhos em que atuou, destaque para o recente Enterre Seus Mortos (2024), de Marco Dutra, e o ainda inédito Nova Éden, de Aly Muritiba.
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