Mas a história da minha conhecida e seu parente aponta para o sutil exercício de suavizar o julgamento enquanto equilibramos os pratos. Ela acena para a gentileza escondida no ato de assentar a ansiedade, reduzir a autocobrança e aceitar as imperfeições como parte da existência.
Quando somos implacáveis com a gente mesmo, costumamos achar que apenas a nossa pilha de pendências se multiplica e nos desordena.
A grama do vizinho é sempre mais verde, determina o velho e implacável ditado. De perto, no entanto, a cena é outra. Interfone quebrado, vacina vencida, a roupa ao lado do ferro a vapor, a caixa de papéis a ser revisada, uma frase fora do lugar: ao ser vista de perto, a grama que brilha mais quando vemos a distância guarda as mesmas imperfeições que a nossa ou imperfeições muitíssimo semelhantes.