As vendas de imóveis novos cresceram 12% de janeiro a outubro em 2022, o que corresponde ao melhor desempenho desde 2014, conforme apontam os dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). Diante desse contexto, o financiamento direto com as construtoras se destaca como uma alternativa vantajosa para os consumidores, à medida que oferece benefícios como a redução na burocracia, flexibilização de negociações e condições de pagamento diferenciadas. Especialistas explicam como a modalidade pode impulsionar a aquisição de novas unidades e o que os compradores precisam ficar de olho na hora de fechar negócio.
O diretor de vendas da Argo, Emerson Lima, avalia que o financiamento direto atrai os compradores, principalmente, por viabilizar um processo menos burocrático e mais ágil para a aquisição do imóvel. “É a modalidade que torna possível financiar um imóvel para clientes com perfis alternativos, como os com renda informal ou brasileiros moradores do exterior, sem capacidade de financiamento bancário. Essas possibilidades não são encontradas com intermediação dos bancos”, explica.
O sócio e diretor comercial da Grand Construtora, Gustavo Rezende, concorda, mas ressalta que, para que o contratante não saia no prejuízo, a escolha consciente de uma boa construtora é fundamental. “É preciso avaliar se a empresa tem capacidade de cumprir a obra no prazo correto, de fazer uma entrega responsável e, após esse processo, de continuar realizando vistorias adequadas, respeitando as obrigações legais”, aponta também.
Por isso, o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 13ª região (Creci-ES), Aurélio Capua Dallapicula, defende que o segredo é sempre se certificar da solidez da construtora, verificando com corretores de imóveis que atuam no mercado local para que diligenciem sobre a empresa.
O agente imobiliário e presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Espírito Santo (SindImóveis-ES), Erivelton Moreira, enumera, ainda, outros pontos importantes. “Também é preciso analisar a fidelidade da empresa no mercado, se a construção está sendo paga ao longo dos estágios da obra e avaliar criteriosamente a documentação antes de fechar negócio. Preferencialmente junto a advogados, principalmente em relação à previsão do metro quadrado, que pode não ser cumprido”, afirma.
Por esses motivos, Erivelton recomenda ler e reler o contrato até entender cada detalhe previsto e não fechar de imediato. "Visite o espaço da construtora, conheça a história da marca e as pessoas que trabalham lá. Vistorie a obra e procure se já existem processos judiciais contra a construtora para não ter dor de cabeça”, sugere.