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Copa de 94

Defendi e defendo até hoje, diz jornalista que cobriu doping de Maradona

O jornalista Silvio Lancelloti recorda quando o jogador foi suspenso da Copa de 1994  por doping e aponta de erro de dietólogo

Publicado em 25 de Novembro de 2020 às 18:33

Redação de A Gazeta

Publicado em 

25 nov 2020 às 18:33
O ex-jogador Maradona, hoje técnico Gimnasia y Esgrima La Plata
O ex-jogador Maradona, hoje técnico Gimnasia y Esgrima La Plata Crédito: Reprodução Twitter
No dia 21 de junho de 1994, Maradona anotou um golaço na vitória por 4 a 0 da Argentina sobre a Grécia pela Copa do Mundo. Na comemoração, correu até a região da tribuna de honra do estádio e gritou para uma câmera de TV.
Aos 33 anos, Maradona -que morreu nesta quarta (25) aos 60 anos- queria provar que poderia guiar sua seleção a mais uma conquista mundial, e que o tempo em que ficou suspenso do futebol por consumo de cocaína havia ficado para trás. No entanto, depois de mais uma vitória da Argentina, desta vez contra a Nigéria, o craque acabou suspenso daquele torneio por doping.
"Defendi o Diego, então, como defendo até hoje", diz o jornalista Silvio Lancellotti, que cobriu aquela Copa para a Folha de S.Paulo. "Dizia que ele tinha lá todos os seus defeitos, que inclusive caíra na cocaína mas que, na Copa dos Estados Unidos, não tinha jogado sobre o efeito de qualquer estimulante."
Ele se refere a um texto, publicado neste jornal em agosto de 1994, em que reconstruiu o episódio que levou à suspensão de Maradona. Na ocasião, foi detectada, na urina do jogador, uma substância proibida pela Fifa, a efedrina.
Maradona, diz Lancellotti no texto, jurou que não havia tomado nada que não devia. Na relação dos medicamentos receitados ao jogador havia dois antigripais: Nastizol e Decidex, de venda livre na Argentina.
Para evitar maiores problemas à seleção sul-americana, numa reunião com a Fifa, a Associação Argentina de Futebol (AFA) decidiu retirar Maradona da Copa do Mundo.
Lancellotti escreveu que "a ideia de um complô contra Maradona impediu [Marcos] Franchi [então representante do jogador] de enxergar a verdade -enfim clarificada, semanas depois, de volta a Buenos Aires."
"Dizia, e provava [a inocência de Maradona], inclusive com a citação de um produto idiota, que qualquer criança podia comprar", diz o jornalista. "Por engano, um tal de Daniel Cerrini, que se dizia dietólogo e que integrava à trupe de trinta pessoas inúteis que o Diego havia levado pra Boston, tinha comprado a versão do produto com a efedrina que apareceria no exame do xixi."
Em agosto, já depois da Copa, descobriu-se que Maradona ingeriu um produto emagrecedor diferente do que usava. Em vez do Ripped Fast, tomou o Ripped Fuel.
Segundo a reportagem de Lancellotti, Cerrini, o médico designado pela AFA, era o responsável pela reposição do produto. Ele comprou o Fuel -que produz a efedrina na urina- depois de não ter encontrando o Fast.
"Ele foi descuidado, mas eu também fui", Maradona disse meses depois.
Maradona acabou suspenso do futebol por 15 meses e encerrou sua história estrelada com a camisa alvi-celeste. Ele havia feito um esforço notável para emagrecer e chegar em condições de disputar aquela Copa.
Maradona chegou a jurar "pelas filhas" que não tinha feito nada de errado em 1994. "Cortaram as minhas pernas. Tenho a alma destroçada", disse na época.
Depois do episódio, sua carreira entrou em derrocada, ainda que ele tenha jogado pelo Boca Juniors até se aposentar, em 1997.
"Nos cruzamos trocentas vezes. É muito duro, muito triste, pra mim, hoje, ser jornalista, e ter que falar sobre a sua morte", afirma Lancellotti.

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