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Luto

Maradona: um deus acessível ao seu povo, e que foi intenso até o fim

Craque argentino, que virou símbolo de religião para muitos em seu país, nunca subiu em um pedestal. El Pibe de Oro se despede da vida que viveu intensamente dentro e fora de campo

Publicado em 25 de Novembro de 2020 às 17:09

Públicado em 

25 nov 2020 às 17:09
Filipe Souza

Colunista

Filipe Souza

Mardona conduziu a Argentina ao título da Copa do Mundo de 1986
Mardona conduziu a Argentina ao título da Copa do Mundo de 1986 Crédito: REUTERS/Gary Hershorn
Diego Armando Maradona, o maior jogador argentino de todos os tempos. Talvez, alguns tentarão encaixar Messi nessa equação como “o melhor”, mas Dieguito certamente é o maior. Ídolo dentro e fora de campo, elevado a deus para muitos, El Pibe de Oro se despediu da vida nesta quarta-feira (25), aos 60 anos. Na história, ficará o legado de um gênio dos gramados e também as polêmicas de uma vida complexa. 
Não há quem não tenha se encantado com o futebol de Maradona. Poderia apostar que a primeira coisa que vem a cabeça das pessoas ao lembrar do craque é o gol histórico marcado contra a Inglaterra pelas quartas de final da Copa do Mundo de 1986, competição em que conduziu a Argentina ao título. A arrancada, a força, o controle de bola, os dribles e a finalização para o gol depois de todo esse espetáculo de lance. Um resumo das principais características do craque enquanto jogador.
Participação em quatro copas do mundo, peça fundamental na eliminação do Brasil na Copa de 1990, campeão italiano com o Napoli-ITA, onde se tornou ídolo, gol de mão, reverenciado pela torcida do Boca Juniors. Não faltam momentos marcantes na carreira de Maradona, entretanto, fora de campo há destaques, igualmente grandiosos, que o diferenciaram dos demais. 
Maradona nunca fez questão de subir em um pedestal para ser idolatrado, mas ganhou status de deus e religião para muitos argentinos por conta disso. Sempre fez questão de ser povo, de estar no meio dos seus como um torcedor comum. Esbravejava nos gramados, gritava nas arquibancadas, dançava cúmbia e confraternizava sem pensar no que os outros iriam pensar. Viveu intensamente, e esteve sempre perto das pessoas.

LADO B

Há uma idolatria, mas também existe uma face que não é realmente das melhores. O envolvimento em polêmicas, o uso de cocaína e os exames positivos para doping mancham a trajetória do craque que poderia ser muito maior do que foi. Porém, Maradona, apesar de brilhante, foi jogador, mas não foi atleta. Se jogou sem olhar para trás em um mar de oportunidades que leva a um caminho contrário ao que prega o esporte. 
Seu legado para o esporte registra o gênio, mas também o devasso. O baixinho de 1,65m que se tornou um gigante do esporte. Um dos maiores de todos os tempos. O argentino, que em meio à rivalidade como o Brasil, inspirou seu futebol em Rivellino, um brasileiro. Esse foi Maradona, talentoso, contraditório, intenso e ousado, até onde a vida deixou ele ir.

Filipe Souza

Jornalista da Rede Gazeta desde novembro de 2010, já atuou na CBN Vitória e como editor no site e de Esportes, na edição impressa. Desde 2019, mantém o cargo de editor de Esportes, agora do site A Gazeta, onde é também colunista. Antes trabalhou na Rádio Espírito Santo. É formado em Jornalismo pela Estácio de Sá.

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