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Vitória e Cariacica lideram contratações de derrotados nas eleições

Pela folha de pagamento de janeiro, ao menos 58 candidatos que perderam a disputa no ano passado foram abrigados em prefeituras da região metropolitana

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 03/03/2021 às 02h03
Atualizado em 03/03/2021 às 19h06
Da esquerda para a direita, os prefeitos de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos); de Cariacica, Euclério Sampaio (DEM); da Serra, Sergio Vidigal (PDT); e de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos)
Da esquerda para a direita, os prefeitos de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos); de Cariacica, Euclério Sampaio (DEM); da Serra, Sergio Vidigal (PDT); e de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Crédito: Reprodução/Instagram

Após as eleições de 2020, além dos 78 eleitos como prefeitos ou vereadores nas quatro principais cidades da Grande Vitória – VitóriaVila VelhaSerra e Cariacica – outros 58 candidatos que disputaram algum cargo no pleito, mas que não se elegeram, também conquistaram um lugar nas prefeituras. Vitória e Cariacica são os municípios que mais abrigam derrotados na eleição na máquina pública. As duas cidades nomearam 22 comissionados, cada uma, entre os que não conseguiram se eleger.

Os números são o resultado de um cruzamento dos dados da lista do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dos candidatos da última eleição com as folhas de pagamento de janeiro – a mais recente disponível –, que constam nos portais da transparência dos municípios. Foram considerados apenas aqueles que disputaram eleição nos municípios onde foram nomeados.

Além de Vitória e Cariacica, que lideram o ranking de contratação de candidatos, Vila Velha aparece na sequência, com nove nomeados, enquanto a Serra contratou cinco comissionados entre os que colocaram seus nomes nas urnas.

Não há nenhuma irregularidade, é bom frisar, na contratação de pessoas que concorreram às eleições. Os cargos comissionados são de livre nomeação por parte dos gestores.

No entanto, também é importante destacar que durante a campanha eleitoral, os candidatos a vereador muitas vezes fazem campanha para os candidatos a prefeito de suas chapas, mesmo no segundo turno, quando a eleição para as câmaras já estão definidas. Assim, é comum que partidos e candidatos que apoiaram o prefeito vencedor da eleição sejam indicados para ocupar cargos no início do mandato.

Como nem todas as nomeações feitas até agora entraram na folha de pagamento de janeiro, que é fechada antes do término do mês, é possível que haja mais candidatos derrotados que foram contratados pela prefeitura.

Data: 19/03/2020 - ES - Vitória - Prefeitura de Vitória - Os efeitos do coronavírus na Grande Vitória - Editoria: Cidades - Foto: Fernando Madeira - GZ
Na Prefeitura de Vitória, ao menos 22 candidatos derrotados nas eleições do ano passado ganharam cargos comissionados. Crédito: Fernando Madeira

VITÓRIA

Na Capital, aparecem na folha de janeiro 22 nomes que disputaram a eleição de 2020. Um deles é do ex-vereador Sandro Parrini (DEM), que obteve 1.232 votos, mas não conseguiu se reeleger. Ele é secretário de Esportes na cidade.

Ainda que seu nome não apareça na folha de pagamentos, a ex-vereadora Neuzinha Oliveira (PSDB), que disputou a prefeitura concorrendo com o atual prefeito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), também já foi nomeada. Ela é secretária de Direitos Humanos e Trabalho.

Dos 22 comissionados contratados que estiveram nas eleições, seis são do Republicanos, partido do atual prefeito. O PSD, que disputou o pleito para prefeito com o ex-vereador Mazinho dos Anjos (PSD), conta com quatro nomeados entre seus candidatos que não foram eleitos. Ainda fazem parte da lista comissionados que colocaram seus nomes nas urnas pelos partidos PV, Podemos, Novo, Solidariedade, PTB, DEM e PSC. Os vencimentos atribuídos a eles em janeiro variam de R$ 6.010,83 a R$ 270 – neste caso, é um valor proporcional devido à data em que ingressaram na administração.

Para comparação, a prefeitura contava, na folha de janeiro, com 837 comissionados, no total, segundo os dados disponíveis no Portal da Transparência. De acordo com a prefeitura, atualmente existem 811 cargos, sendo que 466 deles estão ocupados. A diferença entre os números informados pela administração e o que está no portal da transparência se justifica pelo número de comissionados nomeados na gestão anterior que ainda trabalharam alguns dias de janeiro, antes de serem exonerados.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Vitória disse que todos os cargos seguem critérios de capacidade técnica, com análise prévia de currículos e certidões de antecedentes criminais. "O fato de um servidor ter sido candidato não macula a carreira profissional de um cidadão. O exercício de um direito democrático não o torna inapto para suas atividades profissionais", ressalta a administração da Capital.

Câmaras e prefeituras
Na Prefeitura de Cariacica, ao menos 22 candidatos derrotados nas eleições do ano passado ganharam cargos comissionados. Crédito: Vitor Jubini

CARIACICA

Outra cidade que também contou com 22 candidatos derrotados abrigados na administração pública é Cariacica. Boa parte deles faz parte do partido do atual prefeito, Euclério Sampaio (DEM). São cinco correligionários que estiveram no palanque do demista no pleito. O ex-vereador Bi (PV), que obteve 530 votos em 2020, também foi um dos nomeados e está lotado na Secretaria de Saúde.

O PMN, que também compôs a chapa de Euclério a prefeito, foi agraciado com cinco nomeações de candidatos que não se elegeram. Ainda tiveram contratações de pessoas que disputaram o pleito pelo Cidadania, PSB, PV, Avante, PSD, Podemos, PTB e PP.

Os salários variam entre R$ 5.170,60 e R$ 1.226,55. No total, constam na folha de pagamento 699 comissionados em Cariacica.

Em nota, Euclério disse que algumas dessas contratações foram feitas justamente pelo fato de o contratado ter disputado as eleições. Segundo ele, quem se candidata, muitas vezes, tem proximidade com a população e pode ajudar o município.

"São postos em que é preciso conhecer a cidade de perto e essas pessoas sabem a necessidade real de Cariacica. Ninguém melhor do que uma pessoa próxima à comunidade para tratar de assuntos ligados a ela, para fazer parte de nossa gestão e auxiliar no crescimento do município", afirmou.

A prefeitura ainda ressaltou que os nomeados tiveram currículos analisados e foram alocados em postos compatíveis com sua formação.

Prédio da Prefeitura de Vila Velha
Folha de pagamento de janeiro mostrou que ao menos nove candidatos derrotados ganharam cargos na Prefeitura de Vila Velha. Crédito: Letícia Siqueira/Prefeitura de Vila Velha

VILA VELHA

Em Vila Velha, a folha de pagamento registrou, em janeiro, nove comissionados que disputaram a eleição de 2020. São, em sua maioria, candidatos que estiveram na chapa do atual prefeito, Arnaldinho Borgo (Podemos), com quatro nomeados filiados ao PTC, três do Podemos e um do Solidariedade. O PSL, com um candidato contratado, completa a lista. Os salários dos candidatos abrigados na administração variam de R$ 10.395 a R$ 1.600,15. A cidade contava com 370 servidores comissionados no fechamento do mês.

O número de derrotados nas eleições que foram contratados, no entanto, tende a ser maior. Em outro levantamento, realizado pelo colunista Vitor Vogas com base nas nomeações publicadas no Diário Oficial até meados de fevereiro, foram detectadas as nomeações de 28 candidatos derrotados. A coluna mostra que, dos 25 candidatos do Podemos a vereador na cidade, dois se elegeram e 14 foram nomeados na prefeitura.

A diferença entre os dois levantamentos, portanto, se dá pela metodologia adotada: um, com dados de janeiro, para poder comparar com os demais municípios da região, e outro, com informações até o mês passado. 

Em nota, a Prefeitura de Vila Velha disse que o primeiro escalão do governo “foi todo composto por pessoas técnicas, especialistas em suas áreas, que contribuirão com a gestão com suas experiências profissionais em funções bem-sucedidas."  Segundo a administração, são pessoas com capacidade profissional e “outros que vão exercer a participação e diálogo com as comunidades dentro da gestão."

Prefeitura da Serra: pelo menos 10 pessoas derrotadas nas eleições de 2020 foram compensadas com cargos no Executivo
Prefeitura da Serra: folha de janeiro registrou ao menos cinco candidatos derrotados em 2020 agora nomeados na administração municipal. Crédito: Divulgação

SERRA

Considerando a folha de pagamento de janeiro, cinco foi o número de candidatos da última eleição nomeados pelo prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT). São nomes filiados a PDT, PSB, Cidadania, Podemos e PSC. Os salários variam entre R$ 3,9 mil e R$ 940. Até mesmo Guilherme Lima (PSB), que concorreu como vice na chapa de Bruno Lamas (PSB) para prefeito da Serra e, portanto, adversário de Vidigal, foi nomeado subsecretário de Emprego e Renda na atual administração.

Assim como no caso de Vila Velha, A Gazeta já havia localizado outras nomeações que ainda não foram computadas nas folhas disponíveis no portal da transparência. Foram, ao menos, oito candidatos derrotados contratados por Vidigal.

De acordo com a prefeitura, uma folha complementar do mês de janeiro será anexada em breve ao portal da transparência. A empresa responsável por inserir os dados no site do município já foi notificada. A administração destacou que as nomeações são de livre escolha do gestor, observando a capacidade técnica exigida para os cargos.

Atualização

3 de Março de 2021 às 19:05

Após publicação desta matéria, que apontava que o número de comissionados em Vitória era de 837 servidores em janeiro, a assessoria da prefeitura informou que parte desses cargos foi desocupada e que, agora, o município conta com 811 cargos, sendo que deles 466 estão ocupados. O texto foi atualizado.

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