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Publicado em 28 de julho de 2022 às 15:49
Homens, com idade entre 45 e 49 anos, casados. Esse é o perfil da maioria dos 328.346 moradores do Espírito Santo filiados a partidos políticos. Mas quando as legendas são analisadas separadamente, a distribuição de sexo e faixa etária ocorre de maneira distinta, o que traz indicadores, por exemplo, do apelo de uma determinada sigla entre os mais jovens ou da adesão feminina. >
Mulheres representam 43% dos filiados a partidos políticos no Espírito Santo, embora elas não estejam igualmente representadas em todas as legendas. O Novo, composto por 77,5% de homens, é o partido com a menor participação feminina no Estado (22,5%). >
Já no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), no Partido da Mulher Brasileira (PMB) e no Partido Comunista Brasileiro (PCB), mais da metade de seus adeptos são mulheres. Nenhum deles, contudo, tem representação no Congresso Nacional ou na Assembleia Legislativa do Estado. Os dados, relativos a junho de 2022, são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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É importante lembrar que, em 2018, foi registrado no Espírito Santo apenas 30% de candidaturas femininas, o mínimo exigido por lei. >
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Elas são ainda menos numerosas entre os ocupantes de cargos em governos, Senado, Câmara e Assembleia. Há quatro anos, foram sete eleitas contra 37 eleitos no Estado. >
Junto ao Novo, outras cinco siglas têm menos de 40% de participação feminina, incluindo o Patriota e o União Brasil (partido que surgiu da união do Democratas e do PSL). >
Além de ser um meio majoritariamente masculino, os partidos políticos também são compostos principalmente por pessoas mais velhas. O Progressistas (PP) tem mais da metade dos filiados com mais de 60 anos. O mesmo vale para o PCB e para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que tem o maior número de filiados do Estado, com 36.927 adeptos. >
Mesmo nas legendas que registram certa presença de jovens, eles mal passam de 6% do total. No Espírito Santo, o Psol é a sigla com mais filiados de até 24 anos (6,1%). Em seguida vem a Rede, com 3,7%. Os dois partidos estão federados pelos próximos quatro anos. >
Em números absolutos, o PT é o partido com mais jovens, com 510 filiados de até 24 anos. A legenda foi a que mais ganhou apoiadores no Estado nos últimos dois anos, com 3,5 mil pessoas a mais neste ano do que o registrado em 2020. >
Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, os partidos políticos ficaram para trás diante das mudanças que aconteceram na sociedade, o que se traduz em uma falta de representatividade.>
“Os partidos não se abriram à participação democrática. Atualmente, as pessoas querem participar e não serem sujeitos passivos. Um segundo ponto é a falta de transparência. As decisões do partido são como uma grande caixa-preta. A maioria das pessoas não entende os mecanismos, não sabe como funciona”, explica. >
Dessa forma, essas organizações, fundamentais para a democracia, se tornaram ultrapassadas e falham em recrutar filiados mais jovens e minorias, por exemplo. O resultado são bases principalmente formadas de homens mais velhos. >
Em relação à falta de participação feminina, o professor salienta que o machismo se soma à falta de participação democrática e de transparência nos partidos. >
“A política é há muito tempo território masculino e tem sido dominada pelos homens. Assim, mulheres têm pouca capacidade em articular candidaturas competitivas”, diz o especialista. >
Há uma lei que determina que chapas em eleições proporcionais, como deputado e vereador, por exemplo, tenham no mínimo 30% de mulheres. Contudo, mesmo que essa cota seja cumprida, ela não se traduz necessariamente em um aumento no número de mulheres eleitas para esses cargos. >
“Estudos dizem que isso está intimamente ligado ao fato de haver poucas mulheres em cargos de comando dos partidos. Então, se ele tem poucas mulheres em sua executiva, tende a absorver menos mulheres competitivas”, opina. >
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