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Eleição de 2020 será teste de renovação política nas prefeituras, diz fundador do Politize!

Diego Calegari, fundador da ONG de educação política, diz que mudança está muito mais ligada a valores do que a idade. Meta do grupo é ampliar o número de embaixadores do movimento no Estado. Veja a entrevista

Publicado em 17/02/2020 às 12h36
Atualizado em 17/02/2020 às 12h36
Diego Calegari é fundador do Politize!, que atua na formação política de jovens lideranças. Crédito: Tiago Queiroz
Diego Calegari é fundador do Politize!, que atua na formação política de jovens lideranças. Crédito: Tiago Queiroz

As eleições municipais de 2020 devem ter mais a participação de jovens, seja como candidatos, seja apoiando a campanha de outras pessoas. Essa é a previsão que faz o fundador da ONG Politize!, Diego Calegari, que desde 2014 tem atuado na formação política de jovens lideranças, de direita e de esquerda, pelo país. Para ele, em 2018, houve uma renovação dos políticos eleitos, mas nem todos que assumiram seu primeiro mandato mostraram uma forma moderna de atuar. 

Ele afirma que a renovação está ligada a práticas e valores. "Tem muitos deputados, nas Câmaras e nas Assembleias, que mesmo sendo jovens ou estreantes na política, reproduzem as mesmas práticas condenadas pela sociedade", analisou. Em 2020, Diego afirma que tem visto muitos jovens mais envolvidos com o futuro do país e do Estado e que isso pode levar uma participação maior da participação deles.

Calegari esteve em Vitória no fim do ano passado e fechou uma parceria com o ES em Ação – movimento empresarial criado em 2003 com o objetivo de ajudar o Estado a se organizar e articular um novo modelo de desenvolvimento para o Espírito Santo.

"Vamos contar com a ajuda da rede deles para tentar aumentar o número de embaixadas do Politize! no Estado. A ideia é terminar o ano com presença em oito municípios", disse.

Agora, a ONG está com processo seletivo para embaixadores, uma espécie de multiplicadores do conteúdo ensinado na formação de lideranças políticas. As inscrições vão até domingo (23) pelo site do Politize!

A primeira etapa será on-line, com carga horária de cinco horas semanais entre abril e julho deste ano. Em um segundo momento, os multiplicadores que apresentarem bom desempenho vão ser convidados a fundar ou a participar de embaixadas. Depois, terão a aceleração de carreira para ser uma liderança política.

Diego Calegari se reuniu com lideranças do ES em Ação no ano passado. Crédito: Divulgação
Diego Calegari se reuniu com lideranças do ES em Ação no ano passado. Crédito: Divulgação

CONFIRA A ENTREVISTA:

Qual é o papel do Politize!? Como ele funciona?

O que fazemos é formar cidadãos que possam ser mais capazes de participar da vida em sociedade e que tenham mais consciência para defender a democracia, os valores democráticos, as liberdades, a igualdade, o acesso à Justiça e os direitos humanos. Começamos na internet, com um portal de conteúdo voltado para a política e, depois, passamos a fazer cursos e oficinas. Também temos nosso projeto de embaixadores, com a intenção de formar jovens para serem líderes em sua região, capazes de organizar suas comunidades, encontrar os problemas públicos, alguém que vai mobilizar e fiscalizar os agentes públicos.

O que ocorre depois dessa formação política?  Quem quiser ser candidato, por exemplo, terá que procurar algum partido. Vocês têm alguma parceria com alguma legenda?

No momento em que um dos nossos embaixadores fala que quer ser candidato, a gente tem uma série de parceiros, como o RenovaBR, Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade), Acredito, Livres e outros movimentos de renovação em geral, com quem a gente tem conectado essas pessoas de acordo com o interesse delas. Se for alguém que queira a carreira da gestão pública, a gente indica o Vetor Brasil e outras entidades que trabalham com formação de gestor. Nosso programa é a base da pirâmide, a gente atua no início da formação, para formar um cidadão. Depois, quem quiser se candidatar, pode entrar nesse segundo estágio, que seria com esses outros movimentos.

Como é a relação de vocês com os partidos?

Hoje, essa relação não existe formalmente. Estamos abertos, mas desde que haja uma clareza dos partidos em relação ao nosso papel. Nós não temos inclinação política-partidária. Nosso foco é ter muita diversidade na rede. Seja ela de gênero, raça ou ideologia. Temos núcleos de pessoas que são bem à direita e bem à esquerda, sendo que elas trabalham bem juntas, porque o nosso foco é mostrar a elas como trabalhar com a cultura do diálogo, com a comunicação não violenta e com a busca de parcerias. Entendemos que os partidos existam, são parte da democracia e é importante que as pessoas que queiram se envolver com a política estejam em um partido. 

Diego Calegari afirmou que é otimista com o Brasil e com as lideranças do país nos próximos 20 a 30 anos . Crédito: Tiago Queiroz
Diego Calegari afirmou que é otimista com o Brasil e com as lideranças do país nos próximos 20 a 30 anos . Crédito: Tiago Queiroz

Em 2018, houve um percentual maior de políticos novatos e jovens. Acredita que isso trouxe uma renovação política maior para o país?

Renovação é mais prática, uma questão de valores, de como pensar o servir em um ambiente público, do que uma questão de idade ou de primeiro mandato. Tem muitos que entraram em primeiro mandato que são lideranças de renovação, que estão buscando novas práticas, e tem outros que apesar de estarem no primeiro mandato e de serem jovens, reproduzem as mesmas práticas que são condenadas pela sociedade, das pessoas que acreditam numa democracia saudável.

Qual a sua expectativa para as eleições deste ano? Acha que vai haver uma renovação maior?

Neste ano, temos a mudança na regra eleitoral, o fim das coligações para a eleição proporcional, tende o favorecimento dos partidos, para uma escolha um pouco mais coesa. Acho difícil ainda falar em quanto a gente vai ter em impactos de renovação. Eu sou esperançoso. Vejo muito mais jovens, vejo que tem muita gente querendo apoiar candidatura, trabalhar em candidatura,  pessoas que vêm com outro olhar, com outra forma de agir. Vai ser um ano importante. Em 2018, já teve um desenvolvimento da narrativa de renovação política. Já 2020, será um momento de teste em nível de prefeituras. Sou otimista com o Brasil e com as lideranças que teremos nos próximos 20 a 30 anos.

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