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Publicado em 30 de junho de 2021 às 17:06
O senador Marcos do Val (Podemos) disse, durante sessão da CPI da Covid nesta quarta-feira (30), que foi contatado pelo empresário Carlos Wizard para participar de uma live com um grupo de médicos, entre eles Nise Yamaguchi, para falar sobre o "tratamento precoce" para a doença provocada pelo novo coronavírus. >
O convite, segundo o parlamentar, foi feito logo após ele fazer propaganda dos medicamentos – que tem ineficácia comprovada contra a Covid-19 – no ano passado, quando foi infectado pelo vírus.>
"Dias depois, eu fui contatado pelo Carlos Wizard dizendo que tinha um grupo de médicos que estavam estudando essas medicações, a Nise Yamaguchi, dentre outros, e se eu gostaria de conversar com eles, de fazer uma live para eles explicarem que pesquisas eram essas e como eram utilizados esses medicamentos", afirmou Marcos do Val. >
Carlos Wizard e Nise Yamaguchi são apontados como integrantes de um "gabinete paralelo", que teria feito aconselhamento médico e técnico a Bolsonaro durante a pandemia, principalmente no que se refere ao uso de medicamentos como a hidroxicloroquina, que tem ineficácia comprovada pelos órgãos de saúde. >
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A operação desse grupo, que municiou Bolsonaro com estratégias contrárias à ciência, é investigada pela CPI da Covid e foi um dos motivos de o empresário ter sido convocado para depor nesta quarta. Na maior parte do tempo, Wizard optou por não responder às perguntas, recorrendo "direito de ficar em silêncio", como repetiu. >
Mais cedo, contudo, em uma fala inicial que durou 15 minutos, o empresário negou participar de um "gabinete paralelo" e disse não ter conhecimento da existência. >
"Afirmo aos senhores, com toda a veemência, que jamais tomei conhecimento de qualquer governo paralelo. Se porventura esse suposto gabinete paralelo existiu, eu jamais tomei conhecimento e tenho qualquer informação a esse respeito. Jamais fui convidado, abordado, convocado para participar de qualquer gabinete paralelo. E essa é a mais pura expressão da verdade.">
Durante fala na CPI da Covid, o senador Marcos do Val, que é suplente na comissão, aproveitou o tempo para defender o empresário. O parlamentar afirmou ter "testemunhado" Carlos Wizard em "movimentos de ajuda para salvar vidas" de forma independente.>
"Ele disse que tinha sido convocado para fazer parte do Ministério na Secretaria de Tecnologia e Desenvolvimento e tinha negado, porque queria independência e seguir fazendo um trabalho missionário, disse do Val.>
O empresário citou o trabalho missionário durante depoimento na CPI para justificar a colaboração com o Ministério da Saúde. Wizard alegou ter sido convidado pelo ex-ministro Eduardo Pazuello a "salvar vidas" e que, motivado pela fé e pelo compromisso social, teria aceitado desde que a sua atuação fosse voluntária e sem fins de lucratividade.>
"Trabalhamos em cooperação, coordenada naquela época pelo general Pazuello. Estávamos nessa missão humanitária, sem interesse pessoal, comercial, empresarial, financeiro ou político. Nosso único objetivo era servir o próximo.">
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