Após o fim da janela partidária no último sábado (4), 16 parlamentares do Espírito Santo, entre deputados federais e estaduais, vão disputar as eleições deste ano por partidos diferentes dos quais foram eleitos há quatro anos.
Foram 15 mudanças recentes, durante o período autorizado para a alteração partidária sem risco de perda de mandato. Além dessas, no fim do ano passado, o deputado estadual Callegari havia trocado o PL pelo Democracia Cristã (DC), após liberação da Justiça Eleitoral.
A Assembleia Legislativa (Ales) conta com 30 deputados nesta legislatura, sendo que 11 deles usaram a janela partidária para se filiar a outros partidos sem o risco de serem punidos com a perda do mandato por infidelidade partidária. Sérgio Meneguelli, eleito pelo Republicanos, decidiu se filiar ao Partido Social Democrático (PSD).
Em ato de filiação realizado em dia 6 de março, em São Paulo, com a participação do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, Meneguelli recebeu a chancela de sua nova legenda para integrar a lista de candidatos a uma cadeira de senador pelo Espírito Santo.
O projeto de disputar o cargo de senador faz parte dos planos de Meneguelli desde 2022. No entanto, sua legenda não endossou a candidatura à época e terminou por lançar Erick Musso, ex-presidente da Ales e atual presidente estadual do Republicanos.
Em conversa com a reportagem, Meneguelli reforçou que seu projeto político segue sendo o de tentar vaga de senador pelo PSD. "Só não serei candidato ao Senado se Deus não quiser", afirma.
O novo partido de Meneguelli passou a integrar, oficialmente, o grupo de legendas que endossam a pré-candidatura do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo capixaba.
Porém, no mesmo bloco partidário, há nomes que também são tratados como possíveis candidatos às duas vagas destinadas a representantes do Espírito Santo no Senado. Entre eles, estão o deputado federal Evair de Melo, que trocou o Partido Progressista (PP) pelo Republicanos, antiga sigla de Meneguelli, e o ex-governador Paulo Hartung (PSD).
Há ainda rumores de que o Republicanos, em busca de reforçar a candidatura de Pazolini, negocia aliança com o PL, partido presidido pelo senador Magno Malta em território capixaba, visando principalmente ao tempo de propaganda eleitoral a que tem direito a legenda nas eleições de 2026. O apoio ao grupo do ex-prefeito estaria condicionado ao lançamento do nome de Maguinha Malta (PL), filha de Magno, como a primeira opção de voto para o Senado dentro da possível coligação.
Também migrando para novo abrigo partidário, os deputados estaduais Vandinho Leite e Mazinho dos Anjos aproveitaram a janela para deixar o PSDB, após a crise interna gerada pela definição de Arnaldinho Borgo, prefeito de Vila Velha, como novo presidente da legenda no Estado. Ambos confirmaram filiação ao MDB, presidido em âmbito estadual pelo governador Ricardo Ferraço.
Vandinho, ex-presidente do PSDB estadual, é o atual líder do governo na Ales, enquanto Mazinho ocupa a presidência da Comissão de Finanças na Casa de Leis. Os dois vão tentar reeleição, conforme confirmado à reportagem de A Gazeta.
Ainda integram a lista de deputados estaduais com novos destinos partidários: Adilson Espíndula, que saiu do PSD e foi para o Progressista (PP); Coronel Weliton, antes filiado ao PRD e agora quadro do Democracia Cristã (DC); Fábio Duarte, anteriormente filiado à Rede e agora pré-candidato à reeleição pelo PDT; Fabrício Gandini, que trocou o PSD pelo Podemos; Marcos Madureira, que deixou o PP rumo ao Podemos, mesmo destino seguido por seu colega de Assembleia Legislativa, o deputado Zé Preto.
Partido aliado do governo registra maior volume de filiações
O fim da janela partidária ainda trouxe saldo positivo para o Podemos, legenda que atualmente integra a base aliada do governo do Estado. A sigla se tornou novo abrigo de 3 dos 9 deputados estaduais que trocaram de ninho partidário no intervalo permitido pela Justiça Eleitoral.
Presidido em âmbito estadual pelo deputado federal Gilson Daniel, o Podemos, agora, terá a maior bancada no Legislativo estadual, totalizando 5 parlamentares. Anteriormente, a legenda já contava com os deputados Alexandre Xambinho e Allan Ferreira entre seus filiados.
As novas filiações também elevam o quantitativo de deputados filiados a legendas aliadas do governo na Casa de Leis. Agora a Assembleia Legislativa passará a contar com cerca de 20 parlamentares alinhados às propostas oriundas do Palácio Anchieta.
Federais também trocaram de ninho partidário
Entre os deputados federais, Amaro Neto encabeça a lista dos que se apegaram à janela partidária para trocar de legenda. No segundo mandato como deputado federal, o parlamentar chegará às urnas filiado a seu terceiro partido, desde que se elegeu para o cargo em 2018 pelo PRB. Em 2022, integrou a corrida eleitoral pelo Republicanos, sigla que deixou em março deste ano com destino ao PP.
Um dos principais quadros do Podemos no Espírito Santo, o deputado decidiu trocar a legenda pelo PSB, marcando uma revirolta no xadrez eleitoral capixaba. Até às vésperas do fechamento da janela partidária, era dada como certa a filiação do parlamentar ao PSDB, legenda comandada por Arnaldinho Borgo.
O prefeito de Vila Velha tinha Victor Linhalis como sua principal aposta para reforçar possível chapa proporcional do tucanato capixaba na disputa de cadeiras na Câmara dos Deputados.
Saída de legendas tradicionais e chegada de nanico
O troca-troca partidário entre os deputados estaduais também gerou impactos negativos a partidos tradicionais. O PSDB e a Rede, por exemplo, perderam cadeiras no Legislativo estadual. Também ficou sem representação na Ales o PRD: Coronel Weliton, que era do partido, foi para o DC.
Enquanto legendas mais conhecidas deixaram de ter assento na Casa de Leis, um partido sem muita expressão no cenário político local chega à Ales pela primeira vez. Esse é o caso do Agir, cuja presidência no Estado está a cargo do deputado Hudson Leal.
Entenda a janela partidária para deputados
A janela partidária é a liberação para políticos trocarem de partido sem perder o cargo. Em 2026, esse prazo começou sete meses antes das eleições de 4 de outubro e serviu, também, para reorganizar as peças no tabuleiro político antes da corrida eleitoral.
Neste ano, a regra valeu apenas para deputados (federais, estaduais e distritais) que estão em fim de mandato. Vereadores ficaram de fora, pois foram eleitos em 2024 e ainda têm dois anos de mandato. Já quem ocupa cargos como presidente, governador ou senador tem mais liberdade e pode mudar de legenda sem precisar de liberação mediante justificativa formal.
Conforme o regramento eleitoral, nos cargos de deputados e vereadores, a vaga pertence ao partido, não à pessoa. Por isso, sair fora do prazo da janela pode ser considerado "infidelidade" e causar a perda do mandato. A janela partidária funciona, portanto, como autorização oficial para essa mudança sem riscos jurídicos.