Primeira mulher a se tornar prefeita de Vitória, Cris Samorini tomou posse de forma oficial, nesta segunda-feira (6), em sessão solene na Câmara de Vereadores, citando a chegada ao cargo como um momento histórico e listando uma série de desafios que terá à frente da cidade. Ela ocupa o lugar deixado por Lorenzo Pazolini (Republicanos), que renunciou ao posto para disputar a eleição de outubro, na qual deve ser candidato ao governo do Espírito Santo.
"Não aceitarei que o fato de ser a primeira mulher a ocupar esse cargo seja usado como argumento para o silenciamento, hesitação ou recuo. Não estou aqui para simbolizar. Estou aqui para decidir, enfrentar, assumir riscos e, principalmente, entregar resultados à vida das pessoas. Não busco provar a força da mulher pelo cargo que possuo, mas não permitirei a desvalorização da mulher no ambiente de trabalho. Não permitirei a desvalorização de ninguém. Porque antes de qualquer função e de qualquer título existe um ser humano que merece ser respeitado", disse Cris Samorini, no discurso de posse, sob aplausos.
Ao longo do discurso, Cris exaltou os resultados alcançados pela atual gestão na Prefeitura de Vitória. "É muito bom quando a gente sucede algo que trouxe resultados, que trouxe algo de bom", afirmou, em referência ao antecessor, Lorenzo Pazolini.
A prefeita ressaltou que sua posse representa também o compromisso firmado com a população quando decidiu entrar para a política em 2024, como candidata a vice-prefeita na chapa de Pazolini. "O compromisso tem de ser real com a cidade. E é esse compromisso que tem feito a diferença em Vitória", disse.
A solenidade contou a presença de outras mulheres que exercem cargos liderança no Estado, como as presidentes do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), desembargadora Janete Vargas Simões, e da Ordem dos Advogados do Brasi, seccional Espírito Santo (OAB-ES), Erica Neves. Vereadores, deputados federais e estaduais e representantes do setor empresarial também participaram da cerimônia.
Posse de Cris Samorini como prefeita de Vitória
Ao discursar durante a solenidade, o agora ex-prefeito Lorenzo Pazolini afirmou que a posse de Cris Samorini é um momento importante e de reflexão para a cidade.
"Vitória tem pela primeira vez em sua história uma prefeita. Cris assume de maneira efetiva o seu mandato à frente da cidade", disse Pazolini, que terminou o discurso dizendo que deixa a prefeitura de "mãos limpas".
O ato no Legislativo municipal foi somente mais uma formalidade porque, com a renúncia de Pazolini, automaticamente Cris passou a comandar o Executivo municipal.
A Procuradoria da Câmara esclareceu, na quinta-feira (2), que, do ponto de vista jurídico, a sucessão definitiva está prevista na legislação (Constituição Federal e Lei Orgânica Municipal) porque a vice foi eleita na mesma chapa e já havia tomado posse no início do mandato.
"Então, tecnicamente, a Câmara não 'constitui' o direito do vice ao cargo por uma nova posse. Contudo, para formalizar a solenidade (e esta é a prática das casas legislativas), o presidente da Câmara convoca sessão solene e proclama a sucessão definitiva do vice ao cargo de prefeito, convida-o a ocupar lugar de destaque no plenário, procede à leitura do dispositivo da Lei Orgânica que prevê a sucessão, e manda lavrar termo de assunção e sucessão definitiva ao cargo de prefeito", descreve.